A eleição deste domingo movimenta o Vale do Taquari em meio à expectativa sobre a participação dos eleitores e, principalmente, sobre o desempenho dos candidatos da própria região. Um dos principais questionamentos é se os nomes locais conseguirão ampliar a votação em relação a 2022.
Na última eleição, 16 candidatos a deputado estadual tinham domicílio eleitoral no Vale. Neste ano, são nove. Para o advogado especialista em direito eleitoral Fábio Gisch, além da redução no número de candidatos, houve uma mudança na percepção do eleitorado sobre os nomes que representam a região. “Eu não vi, no Vale, as pessoas acreditarem nos nomes há quatro anos. Hoje a gente já vê diferente. As pessoas estão dizendo: esse tem condições, será deputado”, afirma.
Em Lajeado, uma das projeções discutidas é de aproximadamente 45 mil votos válidos destinados a candidatos locais a deputado estadual, número considerado elevado em relação ao pleito anterior. Considerando o Vale do Taquari e Venâncio Aires, a votação destinada a candidatos da região para deputado estadual ficou próxima de 130 mil votos em 2022. Para este ano, a expectativa apresentada pelo cientista político Maurício Wermann é de que o número chegue a 150 mil.
A votação individual, entretanto, não garante uma cadeira. Como a eleição para deputados segue o sistema proporcional, o desempenho dos partidos e o número de vagas conquistadas são determinantes. Um candidato pode ter uma votação expressiva e ainda assim não conseguir se eleger, enquanto outro, com menos votos, pode conquistar uma cadeira dependendo do resultado da legenda. “Tu pode ter uma votação expressiva, mas ficar em quarto lugar quando o partido consegue apenas três cadeiras”, explica Gisch. Por isso, os primeiros resultados divulgados no domingo precisarão ser analisados com cautela antes de se apontar quem efetivamente estará eleito.
A expectativa de maior votação nos candidatos do Vale também aparece na percepção sobre a campanha de nomes de outras regiões. Segundo Gisch, os cabos eleitorais desses candidatos estariam demonstrando mais cautela ao pedir votos na região. “Há quatro anos, eles vinham de peito aberto, com uma coragem incrível”, relata.
A discussão, no entanto, não significa que candidatos de fora estejam impedidos de buscar votos no Vale. Da mesma forma, os candidatos regionais também fazem campanha em outras partes do Estado. O debate está relacionado à capacidade de o Vale eleger seus próprios representantes e manter uma relação próxima com os parlamentares. A experiência das enchentes reforça essa preocupação. Durante a crise climática, municípios e entidades da região precisaram recorrer a deputados de outras áreas para intermediar demandas e buscar recursos. Agora, a expectativa é saber se o Vale conseguirá ampliar sua representação política.
Participação
Outro fator que pode interferir diretamente no resultado é a abstenção. Há setores trabalhando com a possibilidade de que ela chegue a 30%, embora a estimativa seja considerada elevada. Entre os fatores apontados estão o desinteresse pela política, o descrédito nas instituições e questões práticas, como chuva, deslocamento e a facilidade para justificar a ausência. O cenário preocupa especialmente entre os eleitores mais jovens. “Abaixo dos 25 anos, o interesse pela política é menor. Se juntarmos isso com falta de perspectiva, falta de interesse e falta de confiança, temos um cenário preocupante”, avalia Wermann.
Apesar do desgaste provocado pela campanha e da polarização política, a orientação é para que o eleitor participe de todo o processo. “O voto é uma forma de participação”, afirma o cientista político.
A escolha deste domingo também terá impacto na composição do Congresso. O presidencialismo de coalizão exige que o presidente eleito construa uma base de apoio entre diferentes partidos para aprovar suas propostas. A composição do Congresso também interfere em eventuais processos de impeachment. Segundo Gisch, existem mecanismos jurídicos para esse tipo de procedimento, mas o avanço depende da existência de maioria política. “Não basta existir uma denúncia. É necessário haver condições políticas para que um processo avance”, acrescenta Wermann.
