O deputado estadual eleito Roberto Lucchese (MDB) apresentou a líderes regionais uma proposta para duplicar rodovias do Vale do Taquari utilizando recursos do Funrigs, antes de uma eventual concessão. O encontro ocorreu na noite de terça-feira (20/10), no restaurante do Edifício 300, em Lajeado.
O plano prevê buscar cerca de R$ 1,2 bilhão para executar aproximadamente 83,09 quilômetros de duplicações nas principais rodovias. Segundo Lucchese, a proposta foi estruturada com dados e estimativas da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e representa uma alternativa ao modelo de concessões do Bloco 2.
A intenção é destinar recursos do fundo a obras administradas pela EGR. A proposta ainda depende de negociação com o governo estadual, definição dos trechos e atualização dos orçamentos. “Estamos acelerados, porque há risco de não sobrarem recursos do Funrigs na troca de governo”, afirmou.
Obras simultâneas em 3 anos
Lucchese apresentou uma projeção de 3 anos para executar as intervenções. A estratégia combina contratação integrada, que reúne projeto e execução, divisão das duplicações em lotes e contratos específicos para pontes e viadutos.
O objetivo é permitir que empresas distintas trabalhem simultaneamente. Conforme a comparação apresentada pelo deputado eleito, o cronograma da concessão distribuiria duplicações por um período mais longo, com trechos previstos para o sétimo e o oitavo anos.
“Pela proposta seria fazer as obras em vários lotes em execução simultânea, com empresas distintas para dar celeridade”, explicou.
Durante a reunião, Lucchese esclareceu que a alternativa não descarta uma concessão posterior. A ideia é executar primeiro as obras com recursos públicos e, depois, discutir um modelo para manutenção e operação das rodovias. Na avaliação dele, a entrega da infraestrutura pronta poderia reduzir o investimento exigido da futura concessionária e o impacto sobre as tarifas.
Lideranças defendem prioridades regionais
Os participantes destacaram a necessidade de união para negociar os recursos e definir prioridades. Representante da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Nilto Scapin citou a mobilização pela Ponte dos Vales como referência.
“A união de esforços de todos fez o governo ver que o Vale estava coeso para a obra, a exemplo da Ponte dos Vales. Agora com a representação política fica muito melhor”, afirmou.
O plano inicial apresentado pela EGR para Roberto Lucchese contempla o corredor entre Venâncio Aires e Arroio do Meio, pelas rodovias RSC-453 e ERS-130; a ERS-130 entre Arroio do Meio e Encantado; e a ERS-128, a Via Láctea, entre a RSC-453, em Teutônia, e a BR-386, em Fazenda Vilanova.
Scapin sugeriu considerar o volume diário médio de veículos na escolha dos investimentos e incluir a RSC-453, a Rota do Sol, entre Estrela e Teutônia. A avaliação é que a demanda desse trecho também precisa integrar a discussão.
A presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, chamou atenção para a mobilidade dentro dos municípios. Ela destacou que a Via Láctea também funciona como ligação urbana entre bairros de Teutônia. Por isso, as intervenções precisam preservar os deslocamentos locais e as travessias.
Cíntia também defendeu um olhar regional sobre segurança, fluidez e custos logísticos, além da análise das despesas futuras de manutenção e operação.
A presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Gláucia Schumacher, e o prefeito de Encantado, Jonas Calvi, sugeriram preservar o trabalho já discutido pela região, diante da proximidade da troca de governo.
O presidente da Associação dos Vereadores do Vale do Taquari (Avat), Sérgio Cenci, defendeu pragmatismo na busca pelos investimentos: “Pegar o recurso, unir e fazer o que for possível fazer”.
Proposta será negociada com o Estado
Lucchese afirmou que busca apoio de outros parlamentares para construir uma articulação pluripartidária. Segundo ele, o futuro governador Luciano Zucco também manifestou apoio à iniciativa.
Os próximos passos incluem atualizar os orçamentos, aprofundar a negociação com o governo estadual e avaliar a viabilidade de reservar os recursos para essas obras. A proposta deverá voltar à discussão com os prefeitos após o avanço das tratativas.
Também participaram do encontro o presidente da CIC-VT, Angelo Fontana; o vice-presidente da Amvat, Fábio Mertz; o presidente da Amturvales, Rafael Fontana; e o presidente da Amat, Álvaro Giacobbo.
