A abertura de novas conexões entre bairros, o alargamento de vias estratégicas e a descentralização do comércio e dos serviços estão entre as estratégias previstas para melhorar a mobilidade urbana de Lajeado nos próximos anos.
É o que planeja a Secretaria Municipal do Planejamento, Urbanismo e Mobilidade (Seplan). As medidas buscam reduzir deslocamentos desnecessários pela região central, distribuir melhor o fluxo de veículos e preparar a cidade para o crescimento urbano, sem depender exclusivamente da ampliação da estrutura viária existente.
De acordo com o secretário Alex Schmidt, a cidade apresenta condições de circulação consideradas satisfatórias em comparação com municípios de porte semelhante. No entanto, o crescimento da cidade e as limitações físicas das ruas impõem desafios à administração municipal.
“Hoje Lajeado ainda tem uma mobilidade bastante confortável, se comparada com cidades do mesmo porte e outros municípios. A gente tem alguns gargalos ainda a resolver, mas ainda consegue ter uma mobilidade bastante aceitável”, avalia.
O secretário pondera que muitas vias já têm dimensões consolidadas, o que limita as possibilidades de ampliação. Por isso, a estratégia municipal combina intervenções na infraestrutura com mudanças na organização urbana e nos padrões de deslocamento da população.
Menos deslocamentos pelo Centro
Uma das diretrizes adotadas pelo município desde o Plano Diretor de 2020 é a descentralização das atividades econômicas e dos serviços. A proposta é incentivar a instalação de estabelecimentos que atendam às necessidades cotidianas dos moradores em regiões próximas às suas residências, além de favorecer áreas que aproximem moradia e trabalho.
A intenção é reduzir a necessidade de deslocamentos longos, especialmente daqueles que obrigam os motoristas a passar pela região central para chegar a outros bairros.
A qualificação do transporte público também integra a estratégia. Conforme Schmidt, ampliar a adesão da população ao serviço é uma das alternativas para contribuir com a mobilidade urbana, diminuindo a dependência do transporte individual.
Interligações
Entre as intervenções previstas está a criação de novas conexões entre vias arteriais, com o objetivo de facilitar a circulação entre bairros sem exigir que os motoristas utilizem o Centro ou acessem rodovias para percorrer distâncias relativamente curtas.
Uma das propostas prevê ligações entre as ruas Carlos Gomes Filho, Benjamin Constant e Pedro Teobaldo Breitenbach. Também estão previstas conexões em direção ao travessão de Forquetinha, para facilitar o deslocamento entre bairros da zona oeste de Lajeado.
A intenção é criar uma rede viária mais integrada, permitindo que os moradores transitem entre diferentes regiões por caminhos alternativos. A efetividade dessas medidas, entretanto, dependerá da execução dos projetos e da capacidade de redistribuir o fluxo de veículos.
Outra intervenção planejada envolve a ligação entre loteamentos que atualmente não possuem conexão direta nas regiões dos bairros Moinhos d’Água e Jardim Botânico. Também está prevista uma conexão entre o Alto do Parque e Universitário, entre a avenida Alberto Müller e avenida Amazonas.
As propostas fazem parte de um conjunto de melhorias que, conforme o secretário, devem orientar o planejamento da mobilidade no médio prazo, especialmente nos próximos cinco anos.
Alargamentos e melhorias
Além das novas ligações, o município prevê intervenções em ruas consideradas importantes para a circulação local. No Bairro Montanha, a proposta é ampliar a Avenida Benjamin Constant para quatro faixas de tráfego. Uma faixa adicional já foi implantada no local, e o objetivo é avançar no alargamento da via.
No Bairro Campestre, o projeto prevê o alargamento da Rua João Goulart para viabilizar um sistema binário com a Rua Getúlio Vargas. Nesse modelo, vias próximas operam com sentidos de circulação complementares, contribuindo para organizar o tráfego e melhorar os acessos ao bairro.
Outra frente envolve a qualificação do acesso ao Bairro Conventos pela BR-386, por meio da Rua Pedro Theobaldo Breitenbach. A via é considerada estratégica para a conexão entre a rodovia e a região urbana.
Embora as intervenções indiquem os pontos que o município pretende melhorar, ainda é necessário detalhar os cronogramas, os custos e as fontes de recursos para cada projeto. Essas informações são importantes para dimensionar quando as mudanças poderão chegar efetivamente à rotina dos motoristas.
Semáforos
A mobilidade também depende da capacidade de responder a situações que alteram a circulação habitual, como enchentes e bloqueios em vias importantes. De acordo com Schmidt, a equipe de engenharia de tráfego da Seplan acompanha essas ocorrências e pode modificar os tempos dos semáforos conforme a necessidade.
O município investiu na conexão do parque semafórico à internet, permitindo que os ajustes sejam feitos remotamente, diretamente da secretaria. “Hoje a gente tem possibilidade de fazer esse ajuste de forma remota, diretamente lá da secretaria. Então, sim, a gente faz esse acompanhamento e, eventualmente, quando tem a necessidade de dar maior fluidez para alguma das vias, a gente tem possibilidade de fazer esse ajuste”, explica.
A tecnologia permite adequar os tempos de sinalização quando uma interrupção exige a redistribuição do fluxo para outras ruas. O recurso, porém, atua sobre a gestão do tráfego e não substitui as intervenções físicas necessárias para resolver gargalos estruturais.
