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Giovanella: “O importante é continuar e não deixar o Lajeadense morrer”

Giovanella admite erros no planejamento - Crédito: Letícia Echer

Giovanella admite erros no planejamento - Crédito: Letícia Echer

O rebaixamento para a Série B do Gauchão marca o fim de uma temporada que ficou muito abaixo das expectativas do Lajeadense. O vice de futebol, Everton Giovanella, reconhece falhas no planejamento esportivo e admite que a equipe não conseguiu encontrar o equilíbrio necessário dentro de campo.

Apesar do resultado, ele destaca a evolução administrativa da instituição e projeta um novo ciclo, com mais atenção à formação de atletas e ao aproveitamento de jogadores da região.

“Infelizmente, este ano foi complicado e com muitos erros, principalmente na parte esportiva. O clube, em nível de estrutura, está cada vez melhor, mas nada deu certo no campo”, resume.

O Alviazul encerrou a primeira fase da Divisão de Acesso na última colocação, com 5 pontos em 15 partidas. Foram uma vitória, dois empates e 12 derrotas.

O descenso foi confirmado antecipadamente, após a derrota para o Aimoré por 2 a 0, em 19 de setembro, e representou a primeira queda do clube para a 3ª divisão estadual em sua história.

Na avaliação de Giovanella, a campanha negativa não pode ser explicada por um único fator. O dirigente cita as dificuldades características da Divisão de Acesso, disputada no inverno, com gramados prejudicados pela chuva e pouco tempo para preparar a equipe.

Outro obstáculo foi a montagem do elenco. Segundo ele, o orçamento mais restrito fez com que o clube buscasse jogadores que, em alguns casos, estavam há bastante tempo sem atuar.

A chegada de atletas de diferentes lugares também dificultou a formação de um conjunto competitivo. “A Série A2 começa com pouco tempo para trabalho, campos ruins e muita chuva. Como não temos tanto poder aquisitivo, pegamos atletas que estavam parados. Demora para entrar em forma, vem um de cada lado e o coletivo não aparece”, explica.

Ele lembra que estratégias semelhantes haviam funcionado em outras temporadas, mas não produziram o mesmo efeito em 2026.

“Às vezes, não dá liga e isso acontece em qualquer parte do mundo. Como nas outras vezes deu certo, neste ano acabou não, e pagamos o preço”, reconhece Giovanella.

Lado positivo

Apesar da frustração com o futebol, Giovanella faz uma distinção entre os resultados esportivos e a organização institucional. Ele afirma que o clube tem se fortalecido administrativamente e a questão salarial deixou de ser um problema recorrente.

“Faz muito tempo que não temos atraso de salário. Esse tipo de coisa não existe mais. O pessoal quer vir jogar no Lajeadense, e tenho certeza de que isso vai continuar cada vez melhor”, declara.

Manter essa estabilidade será importante durante a reconstrução do departamento de futebol. O desafio será transformar a organização fora de campo em resultados dentro dele, sem repetir os erros que marcaram a temporada.

A queda também modifica o perfil do elenco que poderá ser utilizado. A disputa da Série B exigirá um grupo com jogadores Sub-23, o que aumenta a importância de observar atletas jovens e ampliar as alternativas disponíveis na região.

Base

Uma das prioridades é fortalecer o trabalho de formação. Ele considera que o Lajeadense precisa voltar a desenvolver atletas que criem identificação com o clube, conheçam sua história e possam integrar o elenco profissional.

“Precisamos oportunizar mais espaço para trabalhar as categorias de base. Esse é um dos nossos pontos fracos. Não temos mais tantos atletas como referência, que conheçam e amem o clube. Precisamos trazer isso de volta”, afirma.

A intenção é buscar jogadores em competições locais e no futebol amador, com o conhecimento de profissionais que acompanham as equipes da região. Giovanella cita a possibilidade de ter o apoio de parceiros para identificar jovens com potencial de integrar o grupo.

Para ele, a mudança pode ser uma oportunidade de aproximar o clube das comunidades do Vale do Taquari. O dirigente também espera que a campanha difícil estimule uma participação maior da população de Lajeado no futuro do Alviazul.

“O apoio que não temos agora pode começar a aparecer mais. O importante é continuar e não deixar morrer”, diz.

Em Teutônia

Giovanella comenta a estrutura esportiva de Teutônia, especialmente após a inauguração da iluminação do campo do Gaúcho. O dirigente considera que o local poderia oferecer uma alternativa para o Lajeadense realizar partidas noturnas na próxima temporada.

A ideia, ainda condicionada à análise e à autorização da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), seria aproximar o clube de outros públicos da região e aproveitar uma estrutura que considera adequada.

“De repente, a gente consiga trazer um jogo do Lajeadense para cá [Teutônia]. A comunidade de Lajeado também viria, e seria algo diferente, com campo bom e iluminação para uma partida à noite”, comenta.

Envolvimento

O Lajeadense terá de reorganizar o futebol, depois de uma temporada em que os resultados não acompanharam o trabalho fora de campo. Para Giovanella, o caminho passa por planejamento, formação de jogadores, identificação com o clube e aproximação com a comunidade.

O dirigente reconhece que a mudança de divisão representa um revés, mas também vê a necessidade de usar a experiência como ponto de partida para corrigir os problemas.

“Às vezes, tu cais lá embaixo, mas isso pode ser um impulso para voltar pra cima. O que precisamos é nos preparar, firmar bem as bases e seguir”, conclui.

O desafio do Alviazul será transformar esse diagnóstico em ações concretas para a próxima temporada. O clube pretende reorganizar o departamento esportivo e criar condições para voltar a competir pelo acesso à elite do futebol gaúcho.

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