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Languiru compartilha experiência de liquidação com a Cotribá

Dívida da cooperativa com sede em Ibirubá supera os R$ 1,4 bilhões / Crédito: Divulgação

A experiência da Cooperativa Languiru no processo de liquidação extrajudicial serve de referência para a Cotribá. A cooperativa de Ibirubá enfrenta uma grave crise financeira e se inspirou na Languiru para tentar manter as atividades, negociar com credores e buscar a reorganização da estrutura.

A aproximação foi articulada pelo sistema Ocergs e pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS). No primeiro encontro, a cooperativa do Vale do Taquari recebeu dez representantes da Cotribá em um encontro de cinco horas na sede, em Teutônia.

Presidente da Languiru, Paulo Birck afirma que a direção da Cotribá procurou conhecer o modelo adotado pela Languiru após ingressar duas vezes com pedidos de recuperação judicial, ambos negados pelo Judiciário No dia 20 de outubro, os associados da Cotribá aprovaram por unanimidade a liquidação extrajudicial Assembleia que elegeu Sérgio Strentzke como presidente liquidante.

“A equipe da Languiru se colocou à disposição para esclarecer dúvidas sobre o processo de liquidação”, relata Birck. Ele lembra que a Cotribá tem 115 anos de história, atua principalmente no recebimento, na armazenagem e na comercialização de grãos, como soja, milho e trigo. Conforme o presidente da Languiru, essa diferença também influencia as medidas necessárias para reorganizar as operações.

Avaliação e transparência

O presidente da Languiru afirma que uma das orientações transmitidas à direção da Cotribá foi avaliar a estrutura existente, identificar quais atividades podem ser mantidas e reconhecer quais unidades talvez não tenham condições de continuar funcionando. “A liquidação extrajudicial permite organizar a condução do processo, estabelecer conversas com credores e criar condições para preservar a atividade econômica”, aponta.

Nesse modelo, os associados mantêm participação nas decisões previstas na legislação, incluindo a escolha do liquidante. “Sem associado não existe cooperativa”, afirma Birck. Para ele, a transparência na comunicação e o entendimento dos produtores sobre a necessidade de colaborar com a reorganização são fundamentais para que a atividade continue.

Reconhecimento do trabalho

Para a Languiru, a troca de experiências também representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido desde o início da liquidação. Birck afirma que a cooperativa conseguiu manter indústrias em funcionamento, preservar empregos, continuar recebendo a produção de associados e movimentar a economia dos municípios onde possui unidades. “A cooperativa segue pagando dívidas e mantendo a relação com os produtores”, destaca.

A assessoria jurídica também integra essa rede de apoio. O escritório Wermuth Piccini, que conduz o processo de liquidação da Languiru, passou a auxiliar a Cotribá na área jurídica.

Para Birck, o compartilhamento de informações pode ajudar outras cooperativas a compreender as alternativas disponíveis e os desafios envolvidos na reorganização. Antes da aproximação com a Cotribá, a Languiru também havia se colocado à disposição da Cooperativa Piá. Porém, a cooperativa de Nova Petrópolis optou por um caminho distinto e acabou encerrando as operações.

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