Rede varejista com 19 anos de atuação nos Vales do Taquari e Rio Pardo, a Brincasa se destaca pela diversificação de produtos, expansão planejada e profissionalização da gestão. Fundada em Venâncio Aires, a empresa ampliou a presença regional com seis unidades que reúnem brinquedos, artigos de papelaria, decoração, utilidades domésticas e outros produtos para o dia a dia.
Em entrevista ao programa Inteligência Empresarial, da Rádio Popular, os diretores Patrícia Ely e Paulo Daniel Johan falaram sobre os desafios do negócio, a estrutura logística e as estratégias para manter a competitividade no varejo.
Grupo Popular – Quais as origens da Brincasa?
Patrícia Ely – Comecei a trabalhar com meu pai quando tinha 15 anos. Ele tinha uma lojinha pequena em Santa Clara do Sul. Também tive a influência da minha tia Lovani, que tem supermercado em Languiru. Nas férias escolares, eu vinha para cá e acompanhava a rotina do negócio dela. Foram duas inspirações importantes: a vivência com meu pai e a experiência da minha tia. Fui criando gosto pelo comércio e percebendo que era uma área em que gostaria de trabalhar.
GP – Quando ocorre a decisão de iniciar o negócio?
Paulo Daniel Johan – Quando conheci a Patrícia, há 26 anos, eu trabalhava com informática e ela atuava com o pai. Ela tinha o sonho de abrir uma loja com produtos de qualidade superior e design diferenciado. O pai tinha uma visão mais conservadora e acreditava que esse perfil de negócio talvez não funcionasse em Santa Clara do Sul. A Patrícia decidiu abrir a própria loja em Venâncio Aires, enquanto eu continuava na informática. Cerca de 2 anos depois, surgiu a oportunidade de abrir uma unidade em Lajeado. Vendi meu negócio de informática e usei parte do dinheiro para investir na nova loja.
GP – Como foi esse começo em Venâncio Aires?
Patrícia – Foi muito difícil. Em Santa Clara do Sul, conhecíamos os clientes pelo nome, pelo sobrenome e sabíamos onde moravam. Em Venâncio, precisávamos conquistar pessoas que não conheciam a loja nem tinham vínculo com a marca. O início foi bastante desafiador, mas a cidade nos acolheu muito bem. Fiz empréstimo no banco, financiei um carro para conseguir ir diariamente até a loja e contei com a ajuda do meu pai em momentos em que não tinha dinheiro para pagar um boleto. Eu precisava fazer dar certo.
GP – Quando perceberam que era possível expandir o negócio?
Patrícia – A expansão aconteceu de maneira natural. Em um feriado em Venâncio Aires, resolvemos passear em Lajeado. Passamos pela região da rodoviária, descemos a Benjamin e vimos o espaço onde está a loja hoje. Ligamos para o contato que estava no local e fechamos o negócio. Foi mais um ato de coragem. Naquele momento, nosso filho Murilo tinha um ano, e manter duas lojas sozinha seria muito difícil. Foi quando o Paulo entrou efetivamente na empresa.
GP – O que a experiência do Paulo trouxe para a gestão da Brincasa?
Johan – A informática me deu uma base importante de organização e de sistemas. Quando entrei na empresa, vi que havia oportunidade de contribuir com processos, organização e gestão. A tecnologia continua sendo fundamental para nós. Trabalhamos com sistemas integrados, que permitem acompanhar vendas, estoque e financeiro. Também estamos implementando ferramentas de inteligência artificial para auxiliar em processos como as compras.
GP – Como a empresa organiza a operação para atender às seis lojas?
Johan – Temos um centro de distribuição com aproximadamente 2 mil metros quadrados, implantado há cerca de 10 anos. Essa estrutura ajuda a organizar a logística e abastecer as lojas. O varejo tem muitos detalhes, e não adianta vender bem se a operação não estiver organizada. Precisamos saber o que temos em estoque, o que está vendendo e o que precisa ser comprado. A tecnologia ajuda a tomar decisões com mais informação e segurança.
GP – Como manter a competitividade diante da concorrência virtual e de grandes redes?
Patrícia – Precisamos conhecer o cliente, oferecer produtos que façam sentido e manter um atendimento de qualidade. O mix também é importante. Temos diferentes segmentos e procuramos entender o que cada público busca. Em Lajeado, por exemplo, abrimos uma loja voltada à papelaria, com uma proposta específica para esse segmento. A ideia é oferecer uma experiência diferente e manter o relacionamento com consumidores que talvez não procurem os mesmos produtos nas lojas de utilidades e decoração.
GP – Qual a importância da participação em feiras?
Johan – É fundamental. Vamos a São Paulo com frequência para visitar fornecedores, conhecer produtos e negociar condições. Como trabalhamos com vários segmentos, precisamos acompanhar diferentes mercados. Em alguns períodos, viajamos praticamente toda semana. Muitas vezes, a negociação feita diretamente na feira já ajuda a compensar os custos da viagem.
Patrícia – Além das negociações, as feiras permitem conhecer novidades, observar tendências e conversar com outras pessoas do setor. Participamos de eventos de brinquedos, decoração, utilidades domésticas, material escolar e Natal. Mesmo quando não resulta em uma compra imediata, o contato com outros mercados amplia a visão sobre o negócio.
GP – Como vocês projetam o futuro da Brincasa?
Johan – Nossa preocupação continua sendo manter a qualidade e atender bem o cliente. Sabemos trabalhar e entendemos que é preciso investir e fazer as coisas corretamente. As oportunidades aparecem, e precisamos estar preparados para aproveitá-las.
Patrícia – Este ano abrimos duas lojas, e algumas pessoas questionaram como faríamos isso em um momento difícil. Mas foram investimentos planejados. São 19 anos de história, construídos aos poucos. Às vezes, um período de crise também pode ser um momento para investir, porque, quando o mercado melhora, a empresa já está estabelecida.
