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Vallentina Biondo: “Hoje, o vôlei é algo que não consigo viver ser”

Vallentina se tornou referência para jovens que sonham com o voleibol - Crédito: Arquivo Pessoal / Divulgação

Vallentina se tornou referência para jovens que sonham com o voleibol - Crédito: Arquivo Pessoal / Divulgação

Aos 17 anos, Vallentina Biondo vive fase de mudanças e aprendizados. Depois de uma década na Juventus, a atleta deixou a cidade natal para defender o Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. A mudança trouxe desafios, companheiras experientes e a oportunidade de dividir a quadra com atletas renomadas.

A jovem também representa o Brasil na base. Recentemente, conquistou bronze no Sul-Americano, resultado que garantiu uma vaga no Mundial. Para Vallentina, o momento é importante.

“É um clube muito grande e que tem muita história. Divido a quadra com atletas que são campeãs olímpicas e pessoas que me inspiram, então é um prazer enorme estar aqui”, destaca.

A trajetória de Vallentina começou na infância, no projeto da Juventus, onde passou pelo minivôlei e etapas de formação. Durante 10 anos, o clube de Teutônia foi o principal ambiente de desenvolvimento da atleta, que guarda carinho pelos treinadores e colegas.

A mudança para Minas Gerais, no entanto, exigiu coragem. Até então, ela nunca havia ficado longe de casa por um período tão longo, o que trouxe insegurança.

“Mudar é difícil. O coração ficou apertado, porque era algo sem uma certeza. Na Juventus, o espaço sempre foi meu e tive medo de precisar voltar, se não desse certo”, conta.

A adaptação também envolveu a realidade de um clube adulto, com exigência maior. Vallentina reconhece que constrói seu espaço, mas entende que o processo faz parte da formação.

Entretanto, lembra do apoio recebido na Juventus mesmo depois da saída, sempre que retorna a Teutônia para treinar ou visitar o clube. “Foi o lugar onde eu cresci como pessoa. Tenho um carinho enorme por todos que passaram esses anos comigo”, afirma a jovem.

O interesse pelo vôlei ganhou outra dimensão quando participou de um Brasileiro pela primeira vez. Até então, não tinha uma visão completa do esporte de alto rendimento. A experiência mostrou que poderia disputar competições de nível nacional e abriu novas perspectivas.

Rotina em BH

A vida no Minas Tênis Clube exige organização e dedicação. Os dias começam com os estudos pela manhã, antes dos treinamentos. A rotina inclui musculação e trabalho de quadra, com atenção especial ao passe e à defesa. Depois do almoço no clube, a atleta retorna para descansar e volta à tarde para uma segunda sessão, voltada ao coletivo e volume de jogo.

À noite, precisa acompanhar as aulas gravadas e concluir as atividades escolares. O formato permite flexibilidade para conciliar viagens e competições, embora exija disciplina para cumprir as tarefas.

A saudade da família e dos amigos é uma das dificuldades. Vallentina se considera muito ligada às pessoas de Teutônia e procura aproveitar as oportunidades para voltar para casa.

A mãe também viaja para acompanhá-la quando possível, e familiares estiveram presentes em competições próximas do RS. “Sempre terei saudade, não importa a idade e onde esteja. A família é tudo para mim”, relata.

Seleção e evolução

A convocação para a Seleção Brasileira é um passo importante na carreira. Vallentina já participou de dois Mundiais de base, conquistou o bronze e foi a maior pontuadora da partida que definiu o 3º lugar do Sul-Americano.

A atleta considera que atuar pela Seleção pede uma responsabilidade diferente, especialmente nesta temporada, em que passou a ser titular.

“Representar o nosso país é um prazer. Estar em nível mundial e enfrentar seleções que normalmente só se vê na televisão é totalmente diferente”, comenta.

No Minas, ela também passou por mudanças de posicionamento. A transição para atuar mais pela ponta, em vez da saída de rede, é uma das adaptações.

Vallentina aponta o passe e a capacidade de enfrentar bloqueios mais altos como os fundamentos em que mais evoluiu. A convivência com atletas experientes permite observar detalhes que ajudam a desenvolver.

A jovem participa de partidas da equipe adulta, embora ainda tenha espaço limitado. Ela explica que as contratações e a experiência das companheiras fazem parte da hierarquia de uma equipe de alto nível, mas acredita que as oportunidades surgirão.

“Sei que é um processo. Tento evoluir para estar preparada. Quero jogar, mas também preciso entender o momento das outras”, avalia.

Voleibol brasileiro

Vallentina acompanha o cenário e considera que o voleibol feminino precisa encontrar caminhos para voltar a disputar o topo com mais frequência.

Na avaliação da atleta, o Brasil chega a fases quentes, mas encontra dificuldades para transformar campanhas em títulos. “Nosso vôlei teve seus anos de glória. Hoje, continua no pódio, mas está difícil chegar ao 1º lugar. Na base, também tivemos uma queda. Acho que precisamos nos reinventar”, analisa.

Para ela, observar modelos de formação pode contribuir para identificar melhorias no treino e desenvolvimento. Vallentina também destaca a necessidade de aproximar a base das equipes adultas, para permitir uma transição mais natural.

O Minas é um exemplo nesse sentido. O clube integra atletas da base aos treinamentos da equipe principal durante a pré-temporada e oferece oportunidades às jovens.

Sonhos

Para a próxima temporada, pretende evoluir como de ponteira e buscar espaço tanto na base quanto na equipe adulta. Entre os compromissos estão a Superliga e a Copa do Brasil, além das competições de base, como o Campeonato Brasileiro de Interclubes (CBI), e a preparação para o Mundial previsto para 2027, no Cazaquistão.

No horizonte, Vallentina sonha em conquistar uma Superliga e chegar à Seleção Principal, sem descartar a possibilidade da Olimpíada de Los Angeles.

“Espero atuar em um time grande, com oportunidades e jogos, que é o que eu gosto de fazer. Quem sabe, vencer uma Superliga e, no futuro, uma Olimpíada”, projeta.

Apesar das cobranças do alto rendimento, a teutoniense acredita que a leveza é essencial para seguir. “Sempre tento jogar alegre, sem transformar o vôlei em um peso. Tem dias em que não vai dar certo, epreciso entender isso”, completa Vallentina.

Assista à entrevista:

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