O Vale do Taquari tem tendência de registrar volumes de chuva próximos ou superiores à média climatológica ao longo de novembro de 2026. A previsão consta no prognóstico elaborado pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Universidade do Vale do Taquari (Univates), com base na análise de diferentes modelos climáticos. O cenário é influenciado pela atuação de um El Niño de intensidade elevada, que favorece mudanças nos padrões de circulação atmosférica e de precipitação na Região Sul do Brasil.
As projeções semanais do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), atualizadas em 31 de outubro, apontam anomalias positivas de precipitação em três dos quatro períodos avaliados para novembro. A maior possibilidade de chuva acima da média está prevista para os intervalos entre os dias 2 e 9 e de 16 a 30. Já entre 9 e 16 de novembro, a tendência é de volumes próximos aos padrões históricos.
O prognóstico mensal do sistema C3S Multi-System, ligado ao Copernicus Climate Change Service, também indica maior probabilidade de precipitação acima da faixa normal no Vale do Taquari e em áreas da bacia hidrográfica Taquari-Antas. A possibilidade de acumulados no tercil superior da climatologia é apontada pelo modelo, embora o sinal seja menos expressivo na região em comparação com outras áreas do Sul do Brasil, especialmente no Uruguai e em setores próximos do Rio Grande do Sul.
A avaliação conjunta dos modelos indica um mês com possibilidade de chuva acima da média ou próxima dos padrões climatológicos. No entanto, ainda há incertezas sobre os volumes acumulados e a distribuição das precipitações ao longo das semanas. O NIH destaca que a indicação de anomalias positivas não significa que haverá chuva intensa ou contínua durante todo o mês. Os volumes podem se concentrar em episódios específicos de instabilidade, alternados com períodos de tempo firme.
El Niño
Novembro começa sob a influência de um episódio de El Niño já estabelecido e de intensidade elevada. Segundo o Painel El Niño 2026–2027, as condições relacionadas ao fenômeno foram confirmadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em junho de 2026. Desde então, o aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial Central e Leste apresentou intensificação progressiva.
Dados atualizados em 26 de outubro registraram anomalias positivas superiores a 3 °C em áreas de referência do Pacífico Central e Leste. As projeções dos centros mundiais de meteorologia indicam que o fenômeno poderá persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, com intensidade entre forte e muito forte. Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, a NOAA aponta condições favoráveis à ocorrência de um El Niño muito forte.
No Brasil, a previsão climática sazonal elaborada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) também indica maior probabilidade de chuva acima da faixa normal na Região Sul entre novembro e janeiro.
Apesar da influência do El Niño, o fenômeno não determina sozinho os volumes de precipitação em cada município. A frequência, a intensidade e o deslocamento dos sistemas meteorológicos continuam sendo fatores importantes para definir onde e quanto vai chover.
Na região, a passagem de frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas convectivos poderá provocar episódios de chuva intensa e temporais. As instabilidades podem vir acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e eventual queda de granizo.
Temperaturas
Para novembro, a previsão também indica temperaturas próximas da climatologia no Vale do Taquari, com possibilidade de pequenas oscilações para cima ou para baixo durante o mês. Em Lajeado, a média histórica de novembro é de 22,4 °C, considerando os registros da estação meteorológica da Univates entre 2004 e 2023.
As projeções semanais do ECMWF apontam temperaturas próximas da média entre os dias 2 e 16. Na segunda metade do mês, principalmente entre os dias 16 e 30, existe possibilidade de marcas ligeiramente superiores à climatologia, mas sem sinal de aquecimento intenso e prolongado.
Já o prognóstico mensal do C3S Multi-System indica maior probabilidade de temperaturas abaixo da faixa normal em áreas do sul e sudoeste do Rio Grande do Sul. Nas regiões mais ao norte, os sinais favorecem temperaturas acima da climatologia. O Vale do Taquari está localizado em uma área de transição entre essas tendências, sem predominância clara de uma condição.
Com isso, a primavera deve continuar apresentando variações nas temperaturas, com períodos mais quentes intercalados por quedas temporárias, especialmente durante a passagem de frentes frias e a atuação de massas de ar com características diferentes.
Bacia Taquari-Antas
A possibilidade de chuva acima da média em novembro também chama a atenção diante do histórico hidrológico recente da região. O Painel El Niño 2026–2027 aponta que o Sul do Brasil registrou volumes expressivos de precipitação nos meses anteriores, acompanhados de elevações recorrentes nos níveis dos rios e episódios de inundação.
Na bacia do Taquari, foram registrados eventos de inundação durante setembro em municípios como Santa Tereza, Muçum, Encantado, Estrela, Lajeado, Bom Retiro do Sul, Porto Mariante e Taquari.
O boletim também apresenta previsões sazonais que indicam maior possibilidade de vazões acima da média e risco elevado de cheias na Região Sul. Apesar disso, as projeções representam tendências regionais e não permitem antecipar se haverá novas inundações na bacia Taquari-Antas, nem determinar a dimensão de possíveis ocorrências.
Diante desse cenário, o acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas permanece importante ao longo de novembro, especialmente em razão da possibilidade de novos episódios de chuva e da resposta dos rios aos volumes acumulados.
