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Acesso a Imigrante terá área de escape

Com rampa ascendente e caixa de agregados, estrutura será instalada em trecho de descida com 9% de inclinação na RSC-453 / Crédito: Anderson Lopes

A combinação de uma descida acentuada, curvas e histórico de acidentes, inclusive com mortes, exige muita atenção para quem trafega pelo Acesso 9130, rodovia que liga o Centro de Imigrante à RSC-453 (Rota do Sol), em Linha Berlim – Westfália. Para reduzir os riscos, está em construção uma área de escape destinada a caminhões, ônibus e veículos de grande porte que apresentem falhas no sistema de frenagem. Com uma rampa ascendente e uma caixa preenchida por materiais especiais, a estrutura permitirá desacelerar veículos desgovernados e oferecer uma alternativa para evitar acidentes graves.

A obra ficará no lado direito da pista, no sentido Westfália-Imigrante, entre os quilômetros 3,56 e 3,85, em uma descida contínua com aproximadamente 9% de inclinação, que começa próximo ao quilômetro 0,9.

A área de escape integra o contrato de requalificação de 4,39 quilômetros da rodovia, executado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), com previsão de conclusão em dezembro de 2026. O projeto executivo foi concluído em agosto e os trabalhos já estão em andamento. Conforme o cronograma, os serviços de drenagem e contenção em gabião estão previstos para novembro, enquanto a implantação da caixa de agregados, a pavimentação do acesso e a sinalização devem ocorrer em dezembro. O prazo, no entanto, poderá sofrer alterações em razão das condições climáticas.

Funcionamento

Quando apresentar problemas de frenagem, o motorista poderá deixar a pista principal por um acesso auxiliar que conduz a uma rampa ascendente com inclinação de 5%. A estrutura será aterrada em rocha e contará com muros de gabião para contenção.

Na sequência, o veículo entrará na caixa de agregados, composta por uma base de brita e uma camada superficial de argila expandida, conhecida como cinasita. Leve e solto, o material aumenta a resistência ao rolamento, fazendo com que os pneus afundem parcialmente e o veículo perca velocidade rapidamente.

Na extremidade da caixa, 56 tambores de 200 litros preenchidos com água funcionarão como atenuadores de impacto, conforme a NBR 15.486. O conjunto terá ainda um muro de gabião e uma barreira de concreto pré-moldada, que oferecem proteção adicional em situações extremas, inclusive quando o veículo ingressar no dispositivo a velocidades superiores a 140 km/h. Uma pista paralela também permitirá a remoção segura dos veículos que utilizarem a estrutura.

Histórico de acidentes

A implantação busca reduzir os riscos em um trecho onde falhas de frenagem podem ter consequências graves. Em descidas prolongadas, o aquecimento excessivo compromete a eficiência dos freios, principalmente em automóveis de grande porte, dificultando o controle da velocidade e aumentando as chances de colisões e saídas de pista. A preocupação é reforçada pelo fluxo de veículos pesados: uma contagem realizada em dezembro de 2025 registrou aproximadamente 97 ônibus e caminhões por dia no local.

A área de escape faz parte de um conjunto de melhorias voltadas à segurança. Entre as intervenções estão a correção de uma curva entre os quilômetros 1,98 e 2,32, a aplicação de uma camada porosa de atrito no pavimento, que melhora a aderência e facilita a drenagem da água, além da instalação de defensas metálicas e sinalização vertical e horizontal. Um pórtico indicará a aproximação da saída de emergência, enquanto um espaço seguro no quilômetro 2,16 permitirá que os motoristas parem para verificar as condições dos freios antes de chegar ao ponto de maior risco.

O Daer aponta que a eficácia da estrutura também depende da decisão do condutor de utilizá-la no momento adequado. Por isso, a sinalização e a orientação aos motoristas de caminhão são consideradas fundamentais. O órgão também reforça que é imprescindível manter a manutenção dos veículos em dia, especialmente dos sistemas de frenagem.

Investimento e conservação

O contrato de requalificação prevê investimento superior a R$ 14 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Desse montante, aproximadamente R$ 1,49 milhão será destinado à área de escape, incluindo terraplenagem, aterro da rampa, contenções, drenagem, pavimentação do acesso e sinalização.

Para manter a eficiência do dispositivo, a caixa deverá conservar o material de preenchimento solto e com pequenos montículos. Como a argila expandida sofre compactação e desgaste com o uso e a passagem do tempo, será necessário regularizar a superfície e repor o material após cada ocorrência, além de reabastecer os tambores de água sempre que necessário. Os serviços farão parte das ações de conservação rotineira da rodovia.

A drenagem também recebeu atenção no projeto para evitar que a água da chuva comprometa o funcionamento da estrutura. Os muros de gabião são permeáveis e permitem a passagem da água, enquanto uma camada de geotêxtil fará a separação entre o solo e os agregados. Também estão previstos o prolongamento de dois bueiros, com tubos de 80 centímetros, dissipadores de energia nas saídas, caixa coletora e sarjetas. Conforme a avaliação técnica, o local escolhido não apresenta associação com instabilidades geológico-geotécnicas.

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