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Amvat celebra 65 anos de associativismo e união regional

Prefeitos e ex-presidentes da entidade se reuniram no Clube Tiro e Caça para celebrar os 65 anos da Amvat / Crédito: Anderson Lopes

A capacidade de deixar divergências políticas em segundo plano para construir soluções coletivas está entre os principais legados da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), que completou 65 anos de associativismo, na quarta-feira (6/11). A trajetória da foi celebrada em um encontro que reuniu prefeitos, ex-prefeitos e antigos dirigentes da entidade no Salão Panorâmico do Clube Tiro e Caça (CTC), em Lajeado.

A presidente da Amvat e prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, destacou o orgulho de integrar a instituição. A associação é a segunda entidade municipalista mais antiga do Brasil. “A longevidade demonstra que a cooperação entre as administrações municipais não é apenas uma alternativa, mas uma ferramenta fundamental para enfrentar desafios e conquistar avanços”, disse. A experiência das enchentes que atingiram o Vale do Taquari nos últimos anos tornou essa necessidade ainda mais evidente.

Embora tenha deixado marcas profundas na região, a tragédia também revelou a força da articulação entre os gestores públicos. A mobilização conjunta permitiu compartilhar dificuldades, buscar alternativas e ampliar a capacidade de resposta diante de problemas que ultrapassam os limites territoriais de cada município.

Outro aspecto destacado por Gláucia é a maturidade política regional. Mesmo prefeitos e ex-presidentes que estiveram em lados opostos em disputas eleitorais conseguem manter o diálogo e encontrar objetivos comuns quando o assunto é o futuro do Vale.

Conquistas municipalistas

Entre os participantes da comemoração estava o ex-prefeito de Muçum e ex-presidente da Amvat, Humberto José Chittó, que compartilhou episódios de sua passagem pela entidade e destacou uma das principais conquistas municipalistas articuladas naquele período, a mudança no modelo de distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Chittó assumiu a Prefeitura de Muçum pela primeira vez em 1976, aos 26 anos. Jovem em meio a um cenário político formado por lideranças com mais experiência, encontrou no associativismo uma oportunidade de ampliar a participação nas discussões sobre o desenvolvimento dos municípios. Naquele período, também passou a atuar na Associação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), levando a experiência regional para o debate estadual.

Anos depois, retornou à presidência da Amvat em um momento de mobilização pela revisão da forma como os recursos do ICMS eram repassados às administrações municipais. O sistema anterior fazia com que o imposto arrecadado nos municípios fosse encaminhado ao Estado e posteriormente devolvido, com um atraso de aproximadamente 40 dias.

O intervalo representava perdas significativas para as prefeituras em um período de inflação elevada, que, segundo Chittó, chegava a 90%. A entidade trabalhou para modificar esse mecanismo, em uma articulação que exigiu negociação política e continuidade institucional.

A articulação teve repercussão para além do Vale do Taquari e se tornou uma referência no movimento municipalista gaúcho. Pelo trabalho desenvolvido, Chittó recebeu o reconhecimento dos prefeitos do Estado com o título de Municipalista do Ano.

Para ele, essa conquista representa uma das contribuições mais importantes da Amvat à administração pública municipal. A mudança na distribuição do ICMS demonstrou como uma associação regional pode participar de discussões estruturais e influenciar políticas que alcançam todos os municípios.

Ao recordar a experiência, o ex-presidente também ressalta a importância de uma entidade que, ao longo de décadas, aproximou administrações públicas e outras organizações da sociedade. Mais do que representar interesses individuais de cada prefeitura, a associação ajudou a construir espaços de integração e articulação regional.

Cooperação que atravessa gerações

A comemoração dos 65 anos evidencia a permanência de um princípio que orientou a criação da Amvat, a compreensão de que os municípios compartilham problemas e, por isso, precisam construir respostas em conjunto.

Da articulação por recursos estaduais às mobilizações diante das enchentes, a história da entidade acompanha transformações econômicas, políticas e sociais do Vale do Taquari. A presença de diferentes gerações de gestores no encontro reforça essa continuidade.

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