Atual campeão do TeutoFight, Adolpho Luis Pereira encarou o desafio de lutar no Jungle Fight com cansaço acumulado, defesa afiada e frieza para suportar as investidas de André Fischer.
A vitória na noite do sábado (25/4), durante o maior evento de MMA da América Latina confirma o bom momento do gaúcho, que segue com portas abertas na organização e mira novas oportunidades.
A caminhada de Adolpho até a vitória não foi simples. Depois de um corte de peso desgastante, o atleta admitiu que entrou no cage no limite físico. O processo, inclusive, foi mais complicado do que o habitual.
“Meu peso travou nos 78 quilos e não baixava mais de jeito nenhum. O corte me desgastou bastante”, revela.
Ele conta que chegou à pesagem ainda acima do limite e precisou insistir até os últimos momentos para bater o peso. Ainda assim, conseguiu manter o plano traçado pela equipe e suportar um confronto que exigiu resistência do início ao fim.
Durante a luta, André Fischer insistiu em buscar a finalização, sobretudo no chão. Adolpho reconheceu que o rival tentou o tempo todo encontrar uma brecha, mas garantiu que a preparação foi decisiva para neutralizar o perigo.
“Treinamos muito essas posições. Então, tinha certeza que ele não ia me pegar”, afirma.
Se por cima a atuação foi segura e dominante, por baixo a história foi de superação. Pereira revela que, em alguns momentos, chegou a “dar espaços” ao adversário apenas para conseguir respirar.
A estratégia mostra o quanto o combate foi exigente fisicamente. Mesmo assim, ele conseguiu manter a frieza e não se desesperar diante da pressão.
“A calma e a certeza que fizemos tudo que tinha que fazer na academia” foram, segundo o lutador, fundamentais para atravessar os momentos mais delicados.
O gaúcho explica que já havia treinado com atletas mais pesados e, por isso, sabia como reagir quando Fischer tentava apertar a luta no chão.
Lição para o futuro
A vitória também expôs uma reflexão importante para o próprio Adolpho. Ele relata que, até aqui, se preocupava mais em defender do que em atacar nas situações de chão.
Por ter perdido a primeira luta de MMA por finalização, desenvolveu uma postura mais cautelosa. Agora, depois de vencer um adversário perigoso nesse setor, ele enxerga espaço para evoluir.
“Me preocupei muito em defender. Daqui a pouco é trabalhar um pouquinho mais essa parte de finalização que já vou conseguir evoluir”, diz.
Na luta, segundo ele, surgiram várias chances de atacar o pescoço e até de encaixar um arm lock, mas faltou o instinto de concluir. A autocrítica mostra um lutador que vence, mas também enxerga o que ainda precisa lapidar.
Ao fim do combate, a sensação foi de dever cumprido. Exausto, Adolpho disse que só queria chegar em casa e descansar. Mas a vitória teve peso especial, foi conquistada em um palco de enorme visibilidade, diante de um adversário considerado uma das promessas da categoria até 77 quilos.
A atuação foi suficiente para consolidar sua presença no evento e agradar a organização. Conforme ele, houve sinalização de que seguirá ligado ao Jungle Fight, mesmo que não entre imediatamente na disputa pelo chamado “Fight do Milhão”.
“O patrão gostou bastante da nossa participação. Mesmo se eu não lutar agora, estou credenciado. Terei outras lutas e mais oportunidades”. Comenta.
Depois da luta, o retorno à rotina também trouxe reconhecimento interno. Já de volta a Balneário Camboriú, onde vive e treina, Adolpho ouviu dos técnicos que eles “perderam cinco anos de vida” enquanto acompanhavam a emoção do combate. A resposta, no entanto, foi de confiança em todo o trabalho realizado.
Ele valoriza a preparação física conduzida por Marcelo Dallastra, que tem um trabalho forte e amplo, inclusive com base em conhecimentos do futebol americano. Para Adolpho, isso ajudou a sustentar os momentos de alta intensidade e a recuperar energia durante os rounds.
“Tem um trabalho bom de preparação física aqui. Isso deixa a gente sempre disposto para tudo”, afirma.
Guaporé, repercussão e novas portas
A vitória também teve forte eco em Guaporé. Adolpho diz que recebeu uma enxurrada de mensagens de apoio, inclusive de pessoas com quem já não falava havia tempo. “Não sabia que tinha tanta gente que gostava de mim”, confessa.
O lutador destaca o significado da campanha. Com cinco vitórias consecutivas pela via rápida e apenas uma derrota na carreira, ele acredita que a performance contra Fischer reforça seu nome no cenário nacional e amplia as possibilidades de futuro.
“Vivo um momento bom na minha vida. Vamos torcer para que continue assim e melhore ainda mais”, almeja.
Entre a frieza no combate, o desgaste do corte de peso – que chegou a travar nos dias finais – e a força mental para resistir às tentativas de finalização do adversário, Adolpho Pereira transformou a luta em uma afirmação.
O gaúcho venceu não apenas um oponente duro, mas também o próprio limite físico. Com isso, saiu do Jungle Fight com algo que, em MMA, costuma valer tanto quanto a vitória: resistência.
Crédito: Arquivo Pessoal
