Adolpho Pereira: “Quero fazer meu nome, ganhar lutas e dar uma vida melhor para a família”

De Guaporé, "Gaúcho" pretende fazer bonito no maior evento de MMA da América Latina.

Natural de Guaporé, na Serra Gaúcha, Adolpho Luis Pereira, conhecido como “Gaúcho”, chega a um momento decisivo na carreira neste sábado (25/4).

Atual detentor do cinturão do TeutoFight, o lutador integra o card do maior evento de Artes Marciais Mistas (MMA) da América Latina, o Jungle Fight. Adolpho encara André Fischer, de Brasília, pela categoria até 77 quilos, no Ginásio do Ibirapuera Mauro Pinheiro, em São Paulo.

A oportunidade surge após um cenário turbulento. Escalado inicialmente para outra luta no evento, Pereira viu o adversário não comparecer nem à pesagem.

A frustração deu lugar a uma nova chance para encarar a chamada “Selva”. “Foi bem complicado, porque me preparei muito. Mas agora é focar, oportunidades como essa não podem ser deixadas para trás”, afirma.

Além do Jungle Fight, Adolpho também carrega uma forte ligação com o Vale do Taquari. Na edição de 2025 do TeutoFight, conquistou o cinturão e ganhou projeção estadual. A vitória foi um marco na trajetória, tanto pelo desempenho quanto pela visibilidade.

Ele lembra a passagem por Teutônia com carinho, quando fez parte da preparação e recebeu apoio da comunidade. “Fui muito bem recepcionado. A cidade, o pessoal e a estadia foram nota 10. Respeito muito esse lugar”, recorda.

Pereira não descarta retornar para a defesa do cinturão na 8ª edição, mas provoca o organizador, Dirlei Broenstrup “Mão de Pedra”: “Se tiver uma proposta boa e o evento precisar, eu vou. O cinturão é meu e estou pronto para defendê-lo.” Na ocasião, o lutador venceu Leonardo Rodrigues no 1º round.

Longe de casa, Adolpho carrega também o desafio emocional da distância. Filho de pais separados, ele cresceu com responsabilidades dentro da família, especialmente como referência para a irmã mais nova.

Deixar Guaporé para seguir a carreira foi uma decisão difícil, mas necessária. “É complicado sair de casa para viver algo incerto, mas é isso que motiva. Quando volto, vejo que estou no caminho certo”, destaca.

Aos 29 anos, ele sabe que vive um momento decisivo na carreira. O foco está em aproveitar cada oportunidade e buscar espaço em eventos maiores.

Ele também sonha em disputar premiações importantes dentro do Jungle Fight e, quem sabe, alcançar organizações internacionais. “Quero fazer meu nome, ganhar lutas e dar uma vida melhor para a família. Trabalho intensamente todos os dias para isso”, aponta ele.

Evolução e mudança

A história no esporte começou ainda na infância, em Guaporé. O primeiro contato com as lutas veio dentro de casa, com um professor da própria família. O que era brincadeira virou compromisso e, aos 17 anos, ele fez a estreia em competições de full contact.

Mesmo com talento, o caminho esteve longe de ser fácil. Como acontece com a maioria dos lutadores no Brasil, Adolpho precisou interromper os treinos em alguns períodos para trabalhar e ajudar na renda da família.

Chegou a atuar como mecânico antes de retomar a rotina esportiva com a qual tanto sonhava. “A luta nunca é vista como trabalho no começo. A família quer que a gente tenha algo mais seguro, e isso é normal. Mas eu sempre quis voltar a lutar e viver nesse mundo, é meu sonho desde pequeno”, conta.

A virada veio durante a pandemia, quando passou a treinar com mais regularidade e encontrou uma nova perspectiva de carreira no MMA.

Realidade dos lutadores no Brasil

Hoje, Adolpho vive em Balneário Camboriú (SC) e conseguiu dar um passo importante: dedicar-se integralmente ao esporte. Em 2026, ele recebeu o Bolsa Atleta, conquistado nos Jogos Abertos de Santa Catarina. Isso permitiu focar exclusivamente nos treinos.

Ainda assim, ele faz questão de destacar a realidade dura da profissão. “É preciso correr atrás de patrocínio e se virar. Às vezes, até trabalhar em paralelo. Não é fácil viver da luta aqui no Brasil, ainda mais para quem está no começo”, diz.

A rotina inclui treinos diários, muitas vezes em dois períodos, além de preparação física, dieta controlada e recuperação. Para ele, o maior desafio está fora do cage. “É o momento de aproveitar e se soltar. O difícil é antes, na hora do treino, dieta e o corte de peso. Isso que define o resultado e como vou me sair dentro do octógono”, explica ele.

Fora de competição, Adolpho pesa entre 92 e 94 quilos. Para bater os 77, o processo exige disciplina extrema e, muitas vezes, sacrifícios intensos.

Na preparação mais recente, ele precisou perder cerca de 8 quilos em poucos dias. “O corpo sofre muito. Não é só perder peso, mexe com tudo. Tem que saber bem o limite para não causar problemas maiores”, avalia.

Esse controle impacta até mesmo momentos simples, como visitar a família. Recentemente, Adolpho esteve em Guaporé para passar a Páscoa, após percorrer todo o trajeto de motocicleta. Mesmo assim, a alimentação teve restrições rígidas. “Não dá para relaxar. Qualquer erro pode comprometer toda uma carreira e eliminar possibilidades interessantes”, acrescenta o lutador.

A ida para o estado catarinense foi determinante na evolução do atleta. Integrante da Astra Fight Team, Adolpho treina com lutadores profissionais e sob o comando de Marcelo Brigadeiro, referência nas artes marciais.

Versatilidade

O ambiente de alto rendimento contribuiu para ampliar seu repertório dentro do MMA. Conhecido pela preferência pela trocação, ele desenvolveu também o jogo de chão e o wrestling, o que o tornou um atleta mais completo. “Se quiser trocar, sou striker. Caso tenha que ir para o chão, também estou pronto. Me considero um lutador completo e preparado”, afirma.

Ele também destaca a transformação do esporte ao longo dos anos. “Antigamente, o MMA era quem aguentava mais pancadas. Hoje, é estratégia e inteligência. Estudamos os adversários, assistimos onde erram e trabalhamos em cima disso”, relata Pereira.

Entre sacrifícios, disciplina e sonhos, o lutador de Guaporé chega ao Jungle Fight com a missão de transformar mais uma oportunidade em afirmação. Dentro do cage, leva não apenas técnica, mas a história de quem aprendeu, desde cedo, a lutar em situações que vão além dos golpes.

Assista à entrevista:

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