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Rudibar transforma união, planejamento e identidade em mais um título

Elenco levantou a taça do campeonato - Crédito: Divulgação

Elenco levantou a taça do campeonato - Crédito: Divulgação

O término dos 90 minutos no Estádio dos Eucaliptos confirmou aquilo que era construído desde muito antes da bola rolar no Campeonato Municipal de Bom Retiro do Sul.

A vitória por 2 a 0 do Rudibar sobre o Laranjeiras apenas colocou fim em uma trajetória marcada por organização, comprometimento e uma relação cada vez mais forte entre clube, torcida e comunidade.

O título municipal de 2026 coroou um trabalho que, conforme os próprios protagonistas, não se passou apenas pelos resultados de campo.

Em uma competição que voltou a reunir grandes forças do futebol amador, o Rudibar reafirmou sua condição de protagonista.

O clube retornou com um projeto estruturado, que apostou na parceria com o treinador Nilson Roberto da Rosa e no trabalho desenvolvido ao lado do auxiliar Daniel Marcos dos Santos.

A comissão técnica não queria apenas montar uma equipe competitiva, mas buscou criar um ambiente capaz de reunir atletas experientes, jovens promessas e lideranças naturais dentro de um mesmo propósito.

“Escolher os atletas certos é fundamental, especialmente os jogadores comprometidos com o clube e projeto. Começamos o campeonato com 25 nomes e terminamos com os mesmos. Isso mostra muito do grupo que foi formado”, destaca Nilson.

Título construído no vestiário

Para Nilson e Daniel, a principal conquista da temporada talvez nem tenha sido a taça levantada no domingo (21/6), mas a capacidade de formar um elenco unido em um cenário onde o futebol amador frequentemente convive com mudanças, ausências e conflitos.

Daniel lembra que, nos primeiros compromissos da competição, precisou assumir funções ainda maiores à beira do campo enquanto Nilson resolvia compromissos profissionais. O desafio fortaleceu ainda mais a parceria.

“O professor passava toda a estrutura do trabalho e eu executava no campo. O que combinamos desde o início foi que todos teriam oportunidade. E isso aconteceu. Nenhum atleta reclamou por ficar fora, não teve problema de vestiário. Foi um ambiente muito leve”, afirma.

Enquanto em muitos clubes o foco está exclusivamente nos titulares, o Rudibar valorizou cada integrante do elenco. Tanto que uma das poucas lamentações após a final foi justamente não conseguir colocar dois jogadores em campo nos minutos que encerraram a decisão.

Experiência para liderar, juventude para crescer”

Se o Rudibar teve atletas acostumados a decisões, também abriu espaço para uma nova geração do futebol de Bom Retiro do Sul.

A presença de jovens de apenas 16 anos chamou atenção ao longo da campanha. Para Daniel, o processo exigiu cuidado. “Existe uma responsabilidade muito grande com os mais novos. Eles ainda estão em formação. Não adianta colocar um atleta de 16 anos em qualquer situação e achar que vai resolver tudo sozinho. Tem que proteger, orientar e encaixar no momento certo”, explica.

A estratégia foi cercar os garotos de lideranças experientes. Em determinados jogos, a comissão reorganizava setores inteiros da equipe para dar mais segurança aos garotos que entravam.

Segundo Nilson, o objetivo nunca foi apenas conquistar o campeonato. A ideia também era deixar um legado.

“Precisamos dar oportunidades para essa gurizada. Eles são o futuro do amador. Quando os enxergamos dentro de campo e as crianças na torcida ou ao jogar bola no intervalo, dá uma satisfação enorme. É isso que mantém o futebol vivo”, acredita o treinador.

Papel dos veteranos

Se os jovens representavam o futuro, os atletas mais experientes foram fundamentais para sustentar o presente. Entre eles, um nome ganha notoriedade: Edinilson Oliveira, o “Tanque”.

Artilheiro, líder dentro do grupo e personagem constante das resenhas do clube, ele se transformou em uma espécie de elo entre comissão e elenco.

Daniel recorda que bastava uma conversa rápida para que o atacante entendesse exatamente o que precisava ser executado em campo.

“Ele é um cara diferenciado. Tem muita experiência, mas continua extremamente humilde. Toda vez que levávamos alguma análise ou orientação, recebia rapidamente o que precisava fazer”, relata.

Mas o treinador faz questão de dividir os méritos. Além de Tanque, atletas como Cambraia, Kevin, Pereira, Jeff, Márcio e outros cascudos ajudaram a criar o equilíbrio necessário para que os mais jovens se desenvolvessem durante a competição.

O resultado foi uma equipe que terminou o campeonato com números expressivos: 36 gols marcados e apenas oito sofridos.

Fortalecer a cidade

Embora o título tenha ficado com o Rudibar, a avaliação é que o maior vencedor da temporada foi o próprio futebol de Bom Retiro do Sul.

Os dois elogiam a organização da competição, o nível dos participantes e o comportamento das torcidas. Para Nilson, o Municipal mostrou que a modalidade continua como uma das principais expressões esportivas do município.

“Foi um campeonato muito bom. Teve disputa forte, mas dentro dos limites. Sempre existe uma situação ou outra, mas foi uma competição muito organizada e bastante tranquila”, analisa Rosa.

Daniel reforça a avaliação e destaca a postura dos torcedores do Rudibar. “A nossa torcida foi exemplar. Levou instrumentos, apoiou o tempo todo, mas sem provocar ninguém. Participou do campeonato inteiro da forma que o futebol precisa”, comenta Santos.

Ainda, a realização de partidas pela manhã, acompanhadas de almoço nos clubes, foi apontada como uma das iniciativas que mais aproximaram as famílias da competição.

Segundo os campeões, a proposta fez com que pessoas de diferentes comunidades permanecessem o dia inteiro nos campos.

Bom Retiro do Sul possui uma das histórias mais ricas do futebol amador regional. Hoje, a comissão acredita que a cidade vive um momento importante de renovação.

A presença de escolinhas, o crescimento do futebol feminino, o fortalecimento das categorias de base e a participação dos jovens são vistos como caminhos para garantir a continuidade dessa tradição.

Daniel defende, inclusive, mecanismos que ampliem ainda mais o espaço para os atletas da casa. “Quanto mais oportunidades os jovens tiverem, melhor será para o campeonato. Isso faz os clubes olharem para dentro das comunidades e investirem na formação”, ressalta.

Além da taça

A lembrança da convivência entre todos do clube é o que ficará marcado após o encerramento da temporada, Nilson e Daniel não falam apenas de gols, das vitórias ou dos troféus.

As conversas durante a semana, análises dos adversários, brincadeiras no vestiário, os vídeos produzidos pelo clube e a sensação de pertencimento construída ao longo dos meses sentimentalizam a conquista.

“Quando terminou o campeonato, eu pensei: e agora? Acabou. Não tinha mais a próxima análise para fazer, o próximo jogo para planejar. Criamos uma rotina muito boa”, conta Daniel.

Talvez seja essa a principal explicação para o sucesso do Rudibar. Em uma época em que o futebol amador enfrenta desafios para manter suas estruturas e renovar seus participantes, o clube encontrou na união entre gerações, no envolvimento e no respeito ao próprio ambiente uma fórmula que resultou em mais um capítulo vitorioso de sua história.

O título de 2026 ficará registrado. Mas, para quem viveu a campanha por dentro, a maior conquista parece ter sido a construção de algo que não cabe em uma taça: um grupo que se transformou em família.

Assista à entrevista:

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