Quem conhece o acesso que liga a RSC-453 (Rota do Sol) à BR-386, no Bairro Boa União, em Estrela, já sabe onde precisa reduzir a velocidade e desviar. Para quem passa pelo local pela primeira vez, porém, os buracos podem surgir como uma armadilha, especialmente à noite ou em dias de chuva. O problema, segundo moradores, comerciantes e motoristas ouvidos pela reportagem, se repete há pelo menos uma década.
A situação não é nova, mas continua provocando reclamações. Os relatos apontam para buracos que reaparecem mesmo após intervenções de manutenção. Alguns entrevistados afirmam ter conhecimento de casos de pneus estourados e veículos danificados no trecho. A principal crítica é de que os reparos pontuais não resolvem a causa do problema.
O microempreendedor e motorista Valdir Tenn Pass conhece bem o acesso. Justamente por circular frequentemente pela região, aprendeu a identificar os pontos mais críticos. Para ele, o problema maior é enfrentado por quem não conhece a estrada. “Eu já conheço os lugares onde os buracos estão, mas o problema é que quem paga o pato é o pessoal de fora que não conhece”, relata. Valdir já presenciou situações de veículos com rodas danificadas, principalmente durante a noite e sob chuva.
Na avaliação dele, a solução não passa por novos remendos. “Não adianta esse tapa-buraco. O certo era arrancar essa base velha, que isso ali já está há anos se estendendo, e fazer uma coisa nova”, defende.
Problema que se repete
A mesma percepção é compartilhada pelo motorista Marcelo Freitas, que morou por 22 anos em Estrela e atualmente reside em Lajeado. Ele afirma passar quase diariamente pelo local e considera necessária uma intervenção mais profunda. “Tem que ser tirado fora e fazer uma nova base por baixo e aí fazer o novo asfalto em cima. Aí resolve. Se ficar daquele jeito ali, não. Um dia assim, outro dia igual os buracos”, resume.
Além das condições do pavimento, Freitas chama atenção para a dificuldade de identificar quem deve ser procurado para reclamar. Durante muito tempo ele acreditou que a responsabilidade poderia ser da Prefeitura de Estrela. “Já vi o pessoal da prefeitura tapando ali. Achava que era do município”, relata. Para o motorista, falta uma comunicação mais clara para que os usuários saibam a quem recorrer quando o problema aparece.
O comerciante Maicon Franz, morador do Bairro Boa União, também convive com a situação. Os motoristas precisam escolher entre desviar dos buracos ou correr o risco de cair neles. “Sempre tem buraco. Ou tu desvia ou tu acaba caindo neles”, afirma. Propõe uma manutenção frequente para evitar que as crateras permaneçam abertas.
Marcelo Freitas e Valdir Tempas afirmam que já conhecem os locais dos buracos e sempre desviam / Crédito: Anderson Lopes
10 anos de reclamações
O comerciante Elias Adriano Lindemann trabalha há mais de 30 anos em Estrela e mantém um estabelecimento na região desde 2018. Como os demais, já conhece os pontos onde precisa redobrar a atenção. “A gente já desvia. A gente já sabe: ou pela direita ou pela esquerda. Está sempre cuidando”, explica.
O problema é recorrente e se agrava após as chuvas. Ele estima que a situação seja observada há cerca de 10 anos. “Cada chuva abre o buraco”, afirma.
Embora não tenha presenciado pessoalmente um acidente causado pelos buracos, diz que são frequentes os comentários de motoristas que tiveram prejuízos. “A gente vê comentários: ‘entrei no buraco, rasgou pneu’. É comum, bem comum”, relata.
A dificuldade de identificar o responsável também contribui para a sensação de abandono. “A gente não sabe nem para quem reclamar”, resume.
Pavimento deteriorado exige atenção redobrada dos condutores. Moradores afirmam que os buracos reaparecem mesmo após serviços de tapa-buracos / Crédito: Kenller Eduardo
Nascente antiga, problema recorrente
Morador da região há 47 anos, o eletricista aposentado Jorge Luiz Vognach também aponta a repetição dos problemas. Os buracos costumam aparecer nos mesmos pontos e retornam poucos dias depois dos reparos. “Tapa um buraco e três dias depois é outra cratera. E sempre nos mesmos lugares”, afirma.
Jorge Luiz Vognach mora há 47 anos no local e afirma que há uma nascente no local e por isso os buracos são sempre nos mesmos locais / Crédito: Anderson Lopes
Vognach relata ainda um episódio em que um conhecido teve dois pneus estourados durante a madrugada. Como o veículo ficou impossibilitado de seguir viagem, moradores precisaram ajudar na troca.
O aposentado também considera que a solução precisa ser estrutural. Ele levanta a hipótese de que problemas relacionados à drenagem possam contribuir para a deterioração do pavimento, mencionando a existência de antigas nascentes de água na área. A afirmação, porém, é um relato de morador e não foi confirmada por avaliação técnica.
“Falta drenagem melhor. Não adianta só botar tapa-buraco. Tem que cavar mais, fazer uma drenagem”, afirma. Por conhecer a região, desvia dos pontos críticos. “Eu já sei a manha. Até hoje consegui desviar todos eles”, conta.
CCR ViaSul responde
A dúvida sobre a responsabilidade pela manutenção aparece em praticamente todos os depoimentos. A reportagem procurou a CCR ViaSul para esclarecer e questionar as medidas na conexão da RSC-453 à BR-386. A concessionária informou que o trecho integra sua área de atuação. Após identificar as condições do pavimento, foram realizadas intervenções de manutenção para melhorar a trafegabilidade. “A concessionária segue acompanhando a região e realizando inspeções periódicas para avaliar a necessidade de novas ações.”
