Profissionais e estudantes da área da Saúde compartilharam conhecimentos e descobertas recentes sobre os impactos do sono na qualidade de vida da população no fim de semana (11 e 12/9), em Lajeado.
Ao longo de dois dias, o 3º Simpósio do Sono do Vale do Taquari – Sonovat apresentou diversos efeitos em cadeia causados pela má qualidade do sono, que vão muito além do cansaço percebido pelo paciente.
Entre os principais distúrbios relacionados, destacou-se a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos). Os especialistas abordaram a evolução tecnológica dos exames diagnósticos e dos tratamentos. O sucesso terapêutico foi apresentado como um processo multidisciplinar e personalizado, que integra tecnologia, suporte emocional e mudanças no estilo de vida.
Também foram abordados os impactos do sono em crianças e adolescentes: a maturação do sono na infância a partir do desenvolvimento dos ritmos circadianos já durante a gestação e seus impactos no metabolismo da mãe e do bebê, bem como causas futuras que envolvem desde alterações otorrinolaringológicas a fatores como rotina familiar, higiene e qualidade do sono. Estes têm relação direta com rinites e sinusites e alterações no comportamento, como irritabilidade e falta de atenção.
Sob a ótica da psiquiatria, tratou-se ainda sobre como a privação do sono favorece episódios depressivos ou de mania em pacientes com Transtorno do Humor Bipolar.
Do ponto de vista cardiovascular, um dos destaques foi a relação entre a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos) e o aumento do risco de arritmias cardíacas e hipertensão arterial sistêmica.
No funcionamento motor, foi debatida a relação entre a privação de sono e o surgimento ou agravamento de dores crônicas, bem como ao aumento de lesões físicas, o que reforça o papel do descanso adequado na recuperação e no desempenho corporal.
Sono como prioridade e diagnóstico como investigação
Um dos consensos entre os palestrantes foi a defesa de que dormir precisa ser tratado como prioridade na vida do paciente, e não como um item secundário frente a rotinas de trabalho, estudo ou cuidados familiares.
Nesse sentido, o Simpósio reforçou que cabe aos profissionais de todas as áreas da Saúde perguntar ativamente a seus pacientes sobre a qualidade do sono, bem como investigar de forma mais aprofundada antes de analisar o tipo de conduta a ser tomada. As discussões também reforçaram a análise dos casos com base no conjunto de informações sobre o paciente.
Outro ponto abordado foi a identificação de fatores individuais para além de fatores genéticos, muitos deles ligados a hábitos cotidianos modificáveis, como qualidade do sono, prática de exercícios físicos e alimentação adequada.
Cuidado interdisciplinar
O 3º Sonovat reforçou a importância da atuação interdisciplinar em Saúde. Para os palestrantes, o cuidado ao paciente com distúrbios do sono exige diálogo constante entre especialidades como pneumologia, cardiologia, psiquiatria, odontologia, fisioterapia, ginecologia e pediatria, entre outras.
O evento teve o apoio de Apsen Farmacêutica, OfWork Espaços Compartilhados, WM CPAP e Torrent Pharma. Mais informações sobre o Sonovat podem ser acompanhadas pelo Instagram @sono_vat.
