Paixão que mantém o amador vivo

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O futebol amador transforma a vida dos amantes do esporte. Criar histórias e cultivar lembranças, deixar legado para os filhos, amar o clube do interior. Esses são alguns dos benefícios proporcionados. No campo ou na torcida, na cozinha ou na organização. Integrar equipes e comunidades para um bem maior é o seu significado.

Quando se trata de amor ao clube, Danilo Rückert (79), mais conhecido como Biguá, veste a camiseta da equipe do SER Gaúcho de Teutônia. O pai e o sogro lhe passaram o legado. Com 13 anos iniciou sua trajetória no Gaúcho, jogando como ponta direita no segundinho. Com 16 anos, subiu para o Titular.

Quando era necessário improvisar em outra posição, era logo lembrado devido a sua entrega e garra. Ali, surgiu outro apelido, “Pavão Vermelho”. Era um jogador de marcação ofensiva.

O título mais marcante é a conquista do Municipal de Estrela, em 1967. “O que mais tinha em Estrela era times bons. Tinha gente boa. Naquela época, o Municipal de Estrela era praticamente toda região que participava”, avalia.

Ele destaca a mudança no futebol amador. “No nosso tempo a gente brigava, não comia direito para jogar bola e não ganhava nada. Hoje em dia, a gurizada não se interessa mais pelo futebol”, desabafa.

Biguá também auxiliou as equipes do Gaúcho como treinador. Mas para ele, o que mais o marcou foi a época que presidiu o clube, entre 1978 e 1979. Para manter a entidade, faziam diversas atividades. Lembra que para jogar de noite precisavam ensebar as bolas para não deixar a umidade penetrar. “Eu ia lá colaborar porque eu gostava de futebol e gostava do Gaúcho. Era uma paixão”, ressalta.

O bairrismo e clubismo eram muito fortes, mas a rivalidade era só dentro de campo. Após as partidas, se reuniam e confraternizavam. “Éramos praticamente uma comunidade só. Vivíamos sempre juntos”, explica.

Biguá deseja que o futebol amador continue, com times se respeitando. “Isso é a coisa mais linda que tem. Não entrar em campo para brigar, mas sim para jogar futebol”, finaliza.

Biguá com o troféu e faixa de campeão do Municipal de Estrela, em 1981 / Crédito: Arquivo pessoal

Trajetória regional

Diferente de Biguá, Paulo Guilherme Beckmann (58), mais conhecido como Paulinho, jogou em diversos clubes da região. Com 14 anos iniciou sua caminhada no futebol amador, atuando no segundinho do Cruzeiro de Teutônia. Como ponteiro direito, fez três gols logo no primeiro jogo. Jogou no clube até 1985. Em 1986, migrou para Flamengo da Westfália, onde atuou em cinco campeonatos municipais e cinco regionais. Sua posição era no meio de campo.

Seu primeiro título, foi em 1994, com equipe Águia Azul de Bom Retiro do Sul pelo Campeonato Municipal na categoria Titulares. Lá estreou como quarto zagueiro. Jogou campeonatos municipais e regionais pelo clube. Também foi campeão Municipal com o Ecas de Imigrante, Concórdia de Roca Sales e campeão regional com o Juventude de Colinas.

Outra recordação, é que integrou a primeira equipe teutoniense a vencer o Aberto de Verão Da Languiru, na categoria Força Livre. “Sempre fica na história”, destaca.

Além de jogador, foi presidente de dois clubes: Cruzeiro e Boa Vista. Também foi presidente da Liga do Campeonato Municipal de Westfália em três edições. Atuou também como treinador. “É bem trabalhoso e complicado, mas foi uma experiência”, explica.

Para Paulinho o que marca são as amizades construídas nas comunidades que passou. Para ele, o futebol amador proporciona conhecer pessoas dos mais diversos lugares. “São amizades que se conquistam e que ficam pra sempre. A cada contato são lembradas e recordadas”, ressalta.

Para Paulinho, a diferença entre o futebol amador e o profissional é a força física. Recordando sua época, avalia que o amador perdeu um pouco a competitividade e a qualidade. Outro ponto é a questão do jogador atuar onde quiser, não ser limitado. “Muitas vezes um bom jogador fica no banco ou acaba desistindo por não ter a oportunidade local, e também não pode buscar em outros clubes”, avalia.

Paulinho e seu filho Guilherme com o troféu do Municipal de Colinas pelo Juventude / Crédito: Arquivo pessoal

Futuro do Amador
Antigamente, cada localidade tinha um time, hoje a situação está precária, com diversos clubes fechados e sem equipes para jogarem nas competições. Após anuncio de que o Municipal de Teutônia voltará e que sete clubes já demonstram interesse, Biguá comemora. “Tomara que volte, é um incentivo”, destaca. Para Biguá, o futebol amador engrenará aos poucos, com incentivo aos mais jovens.

Para o amador continuar e não perder sua essência, precisa que jovens assumam cargos de organização e ajudem na formação de equipes. “Uma equipe de organização precisa ter mais pessoas para não pesar para um lado”, destaca Paulinho.

Participação feminina

A mulher ganha cada vez mais espaço na sociedade, mas em alguns casos, tem pouco participação. Como é o caso do futebol, principalmente o amador. Nas comunidades elas estão nas diretorias, trabalham na cozinha e algumas são mesárias. Alguns casos mais específicos são presidentes ou vices de clubes, ou fazem parte da liga que organiza o campeonato.

É o caso de Juliana Da Silveira (31). Desde muito cedo o amador fez parte de sua vida. Seu avô foi o responsável pelo seu amor ao futebol, por levá-la aos jogos.

Para Juliana, o principal diferencial entre o amador e o profissional é a questão financeira, os patrocínios, altos salários e investimentos na área.

Na sua visão, em todas as comunidades, os jogadores vão jogar não é por amor à camiseta, mas sim por dinheiro. “Se continuarmos nesse caminho o futebol vai acabar. Pois cada vez mais o campeonato tem menos times e a cada competição os times pagam mais por jogadores e não possuem ajuda de patrocinadores”, avalia. Isso faz com que os clubes do interior não tenham condições de competir com os do centro.

Juliana com o troféu da Super Copa 2019 pelo Atlético Gaúcho / Crédito: Arquivo pessoal
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