Na terça-feira (18/2) faleceu Helma Welp Schwarz. Residente no Bairro Languiru, membra da Comunidade Evangélica Martin Luther, Helma completou seus 100 anos no dia 25 de janeiro. Segundo o pastor Márcio Franck, ela era a membra mais idosa da Paróquia Teutônia Centro (Martin Luther e Bethânia) dentre cerca de 2.700 pessoas.
Teve sete filhos; desses, três ainda vivos: Ivone, Célio e Silvio, enquanto quatro já faleceram: Otávio, Claia, Iva e Glaci. No dia 23 de dezembro de 1969, Helma se mudou para o Bairro Languiru, onde acrescentou mais 55 anos de vida.
Questionada sobre a bênção e os ingredientes diferenciados para viver 100 anos, a filha Ivone resumiu: AMOR – CARINHO – DISCIPLINA – HARMONIA E ALIMENTAÇÃO NATURAL.
Para a filha Ivone, a mãe é sinônimo de amor e determinação, e relata: “Em meio a uma vida simples e marcada por uma alimentação natural, lembro com carinho e emoção os momentos que passei ao lado da minha mãe. Naquela época, comíamos arroz, feijão, carne de porco, toresmo… era tudo natural. O óleo nem existia… era na base da banha de porco; muitas frutas, verduras e poucos alimentos processados”.

Nos últimos anos, Helma não tinha mais condições de frequentar os cultos na Igreja. As visitas do pastor com integrantes da comunidade eram sempre esperadas com fé e gratidão. Nos últimos meses, sua memória foi se apagando.
Convivia com depressão desde jovem e, mais tarde, somaram-se as complicações cardíacas, mas tudo ela superou com disciplina alimentar, amor, carinho, companhia. Graças, principalmente, à dedicação e à cooperação dela, poucos remédios químicos foram ministrados e consumidos pela dona Helma.
“Mesmo enfrentando os desafios da idade, ela sempre teve meu cuidado incondicional”, pondera Ivone. “Eu me sinto assim… acho que vou sentir muita falta dela porque vou estar sozinha dentro de casa.”
Seu amor e dedicação foram tão grandes que, ao tentar colocá-la em um lar de idosos por um curto período, não suportou a distância. “Depois de 14 dias, fiquei tão ruim que tremia as pernas e o estômago. Não conseguia comer. Então, decidi pegá-la de volta, mesmo tendo pago um mês de estadia, trouxe minha mãe para casa e senti paz novamente”.
Ao olhar para trás, é grata pelos anos de convivência e pelos momentos de aprendizado ao lado dela.
O filho Célio Schwarz, 73 – o mais velho dentre os vivos – ressaltou o monitoramento firme que a mãe exercia na família para que todos respeitassem as pessoas, principalmente as mulheres… jamais envergonhar a família diante da comunidade. Lembra o quanto a mãe se dedicava nas atividades do lar, lavando roupas e preparando refeições para todos.
O filho Silvio Schwarz considerou que o momento serve para rebobinar um filme de muitas histórias, lições, dificuldades e superações. “É uma estranha sensação de perda e dolorida despedida combinada com a partida em paz da nossa mãe.”
A filha Ivone traduz enfaticamente que a longevidade da mãe Helma teve como base amor, carinho, serenidade, alimentação saudável. Ela era muito exigente na conduta dos filhos. O maior bem que ela deixa é um legado de simplicidade e respeito entre filhos, netos e bisnetos. Ela foi uma heroína na criação dos filhos.

A acolhida da Comunidade Martin Luther
Conduzida pelo Pastor Márcio Franck, a cerimônia religiosa de despedida ocorreu no dia 19 de fevereiro a partir das 16h30, com sepultamento no Cemitério Evangélico Martin Luther do Bairro Alesgut – Teutônia. Neste âmbito, destaca-se a extraordinária virtude e capacidade do pastor Márcio Franck em trazer à luz os ensinamentos da passagem da vida para a morte.
Igualmente, cumpre enaltecer a acolhida, guarida e apoio diferenciado de membros da diretoria da Comunidade Martin Luther.

A seguir, transcrevemos alguns pontos extraídos da mensagem do Pastor Márcio.
“Diante da morte, não sabemos o que pensar ou o que falar, pois só sentimos, e o que sentimos não é bom porque machuca. Mas, quando estamos assim, a palavra de Deus é sábia.
Jesus Cristo diz: ‘Vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei’ (Mt 11.28).
Sempre que nos reunimos como Comunidade, junto com uma família enlutada, para a despedida de alguém que morreu, somos confrontados com muitas perguntas. E muitas das nossas perguntas ficam sem resposta na hora da morte. Muitas perguntas devem ser feitas durante a vida, porque a morte nos impõe um silêncio, um silêncio que nos confronta com a nossa limitação.
A morte é um momento de Deus para nos mostrar nossa fraqueza. Deus nos traz aqui, hoje, para nos lembrar que Ele é o Senhor da vida e da morte. Mesmo assim, vivemos desorientados, inseguros em relação à hora da nossa morte. Queremos viver sem nos lembrar, sem nos preparar para o momento da morte, que é certa para cada um e cada uma de nós. Vivemos como se fôssemos eternos ou, pelo menos, como se soubéssemos que a hora da nossa morte está muito longe… E viver assim, sem contar com a certeza da morte, é como não ter fé. É como não acreditar que, também na morte, é Deus que está presente com aqueles que pedem por ele, na vida e na morte.
Que a fé os ajude a superar o sofrimento, a dor, as dúvidas que a morte provoca. Que a fé lhes dê descanso após mais esta perda. Os ajude a ter sempre novo ânimo para descobrir a cada novo dia como Deus quer que vocês vivam”.