Engenheiro Sílvio Brune relembra o debate pelo traçado da Via Láctea

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Crédito: Lucas Leandro Brune

Em 1981, lideranças dos bairros Teutônia, Languiru e Teutônia – por iniciativa de Elton Klepker, então presidente da Cooperativa Languiru e virtual candidato a prefeito do recém emancipado município de Teutônia – reuniram-se com engenheiros do Daer na sede social do Grêmio Recreativo Canabarrense. Tomei conhecimento da reunião e do assunto: traçado da Via Láctea.

Acompanhado dos finados Anselmo Buhl e Derli Wolf, fui até o local para tentar participar da reunião, porque suspeitava que se tratava de uma reunião articulada para interesses duvidosos.

Portas fechadas, acessei o bar. Insisti em entrar, mas fui barrado num primeiro momento.

Fui lá porque era o primeiro e único engenheiro civil de Teutônia e queria sustentar o meu ponto de vista… Afinal, estava preocupado com o planejamento urbano de Teutônia (tinha obtido nota máxima na disciplina de Urbanismo na UFSM e carregava minhas convicções).

Depois de muita insistência, Milton Schneider, Elimar Schaeffer e um dos engenheiros do Daer me conduziram e deram assento à mesa.

O teor das tratativas daquela reunião fechada chegara previamente ao meu conhecimento. Sabiam que eu estava lá para contestar o traçado da Via Láctea.

Tentativa de mudar o traçado

Colocaram a palavra à minha disposição e eu entrei com os argumentos técnicos para modificar o traçado.

Meus argumentos:

* Lançar o traçado depois – a Oeste – da CCGL (hoje Lactalis) para tirar o fluxo do Bairro Languiru, principalmente de caminhões pesados;

* Lançar o traçado após os cemitérios do Bairro Alesgut, para evitar o conflito de trânsito nos horários de velório;

* Fazer a interseção da Via Láctea com a Rota do Sol na altura das Esquadrias Baiana, ou seja, seguir pelo divisor de águas;

* Lançar a ponte sobre o arroio Boa Vista depois da CCGL;

* Evitar a ponte no encontro (foz) do Arroio Harmonia com Arroio Boa Vista. Pelo conhecimento de Mecânica dos Solos e Hidrologia, isto é de alto risco;

* Evitar a curva na ponte.

Decisão política e econômica

Tinha eu muita convicção na minha sustentação… Era o primeiro engenheiro civil do interior de Estrela com escritório em Teutônia, com notas máximas na cadeira de Urbanismo. Sonhava com um modelo de planejamento urbano e via que ali os interesses políticos e econômicos se sobrepunham aos fundamentos técnicos.

Perguntei aos engenheiros do Daer: o que vocês me dizem diante da minha argumentação? A resposta: tecnicamente você está coberto de razão, mas a decisão é político-econômica e prevalecerá.

Muitos daquela mesa não sabiam para onde olhar… Só teve uma pessoa que deu uma “gaitada” característica, como quem diz: “Você é um guri metido que aqui não tem voz e vez”.

Óbvio que eu não engoliria aquele desaforo e não tive dúvidas em denunciar e afirmar, naquela mesa: “Este traçado, com curva na ponte, tão próximo ao Bairro Languiru, é para beneficiar ao proprietário do Posto, este senhor que costuma dominar a todos com suas risadas cínicas e humilhar e perseguir aqueles que lhe contrariavam.

Silêncio de 40 anos

Fui convidado a me retirar da reunião. Alguns me acompanharam até a porta de saída pelos fundos; outros me procuraram dias depois; outros anos depois; alguns poucos, nunca.

Fui derrotado, mas tive e tenho razão.

Entrei e saí como intruso na reunião.

Talvez algum desses engenheiros do Daer ainda esteja vivo e se lembre do episódio.

Curvei-me para não ser rotulado de ser contra a Via Láctea e contra o desenvolvimento de Teutônia. Por isso, publicamente, nunca mais toquei no assunto.

Sílvio BruneEngenheiro Civil

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