A ONG Floco Azul, de Teutônia, realizou a 2ª Caminhada e Circuito da Inclusão em prol do autismo no domingo (30/3). O evento integrou a comunidade e reuniu cerca de 150 pessoas, entre famílias e profissionais, que percorreram as ruas do município pelo tema “Informação gera empatia e empatia gera respeito”. O trajeto iniciou na Rua Coberta, no Bairro Languiru, seguiu pela Rua Senhor dos Passos até a Avenida 1 Leste e encerrou no Centro Cívico, na Prefeitura de Teutônia.
Além da caminhada, houve um momento de concentração, com falas e animação do público. Durante o percurso, ocorreu a formação do circuito, palavras que, juntas, formam o tema do evento. “As instituições que atendem nossas famílias carregaram as partes/palavras dessa frase e, simbolicamente, definiram a união das mesmas para que a inclusão em todos os espaços aconteça e seja possível em tantos outros também”, explica Luisa.
Ao fim, ocorreu um discurso da psicopedagoga e psicomotricista Magali Griebeler, alongamento com a instrutora de zumba e a presidente Luisa agradeceu os presentes pela participação.
Outras instituições participaram do movimento, como o Hospital Ouro Branco, Rotaract Club Teutônia, Sicredi Ouro Branco RS/MG, Colégio Teutônia e Grupo Popular.
O grupo Doar Faz Bemtrouxe sua mascote para encantar as crianças, e o grupo Mãos Solidárias distribuiu sementes de girassol ao final da celebração. A flor foi escolhida por simbolizar as deficiências não visíveis, como o autismo.
No ano passado, o evento não ocorreu em razão das adversidades climáticas, mas, segundo a presidente Luisa Müller, esse ano o grupo retorna com “mais força, clareza e preparação”. A entidade atende cerca de 70 famílias entre crianças, adolescentes e adultos no município.
Como o autismo afeta as famílias
A ONG trabalha com o objetivo de informar e auxiliar as famílias com membros afetados pelo transtorno. “Lutamos por tratamentos cientificamente validados, capacitação para pais, educadores e profissionais da saúde, que são, sem dúvida, a forma mais econômica e eficiente para tratarmos as demandas do autismo”, diz Luisa.
Ela aponta que, de todos os desafios, a única maneira de alterar o cenário atual das filas de espera, diagnósticos tardios e ausência de tratamentos adequados é a capacitação de profissionais, pais e cuidadores.
O nível de estresse em mães de pessoas com autismo assemelha-se ao estresse crônico apresentado por soldados combatentes, segundo estudo feito com famílias norte-americanas e divulgado no Journal of Autism and Developmental Disorders. “Não fomos preparadas para viver uma maternidade atípica, não recebemos nenhum manual de instruções, não somos super-heroínas incansáveis, nem seres super evoluídos de luz. Somos simplesmente mulheres, mães, seres humanos e queremos o que todos querem: amor, paz, respeito, compaixão, empatia, tanto para nós quanto para nossos filhos”, diz Michelle Carvalho, mãe de Enzo, autista.
Atente-se para os sinais
Poliana Cunha Paiva Steincke, voluntária e mãe de autista, alerta os pais sobre o desenvolvimento dos filhos. “Na Caderneta de Vacinação, a depender do modelo, tem páginas sobre o desenvolvimento infantil e do que pode acontecer nesse processo. Precisamos usar esse documento para acompanhar a evolução dos nossos filhos”, explica.
“Caso haja algum sinal diferente, mesmo sendo o primeiro filho, não devemos vedar os olhos. Essa negação do diferente pode atrapalhar a vida deles, o futuro fica comprometido”, afirma.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a intervenção precoce e intensiva pode ter o potencial de impedir a manifestação completa do autismo, por coincidir com um período do desenvolvimento em que o cérebro é altamente plástico e maleável.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta alguns sinais comuns, por mais que cada indivíduo tenha comportamentos únicos. Alguns alertas são dificuldades na comunicação, comportamentos repetitivos, sensibilidade sensorial, dificuldade com mudanças e interesses específicos.
“Caso haja algum sinal diferente, não devemos vedar os olhos. Essa negação do diferente pode atrapalhar a vida deles, o futuro fica comprometido” Poliana Steincke, Voluntária e mãe de autista