Teutonienses se destacam no Enart

Diego de Oliveira e Pablo Nunes chegaram na etapa finalíssima

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Teutonienses se destacam no Enart
Diego (e) e Pablo dançaram juntos no CTG Felipe Portinho / Crédito: Arquivo Pessoal

A 38ª edição do Encontro de Arte e Tradição Gaúcha (Enart) reuniu cerca de 60 mil espectadores e 4 mil artistas no fim de semana passado (21 a 23/11) em Santa Cruz do Sul. Considerado o maior festival de arte amadora da América Latina, o evento voltou a mostrar a força da cultura gaúcha – e também deu espaço para que os teutonienses Diego de Oliveira e Pablo Eduardo Nunes vivessem momentos marcantes em suas trajetórias dentro do tradicionalismo.

Com mais de 20 anos dedicados à dança, Oliveira descreve 2025 como uma das edições mais intensas que já viveu. Ele acompanhou a estreia do Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) Noel Guarany, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Força A, entidade que defendeu por muitos anos e onde construiu laços afetivos importantes.

Além disso, ele subiu ao tablado como representante do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Felipe Portinho, de Marau, para dividir apresentação com um ex-aluno da invernada juvenil do CTG Rincão das Coxilhas, o teutoniense Pablo Nunes.

“Este ano foi o mais gratificante para mim. Poder ver uma entidade que marcou minha vida pisar na Força A pela primeira vez, e ainda dançar ao lado do Pablo, foi especial demais”, afirma. Ele também reforça que o Enart é resultado de anos de muita entrega. “Agora é juntar forças para que a Adulta do Rincão das Coxilhas se consolide e esteja nas próximas edições”, almeja.

Ele deixa um recado aos jovens que sonham em entrar no meio tradicionalista. “Quem pensa em dançar no CTG precisa ter força de vontade. Lá dentro, é muito provável que vivam as maiores emoções da vida”, aponta Oliveira.

A quem mira o palco do Enart, resume em uma palavra. “Dedicação. Eu, mesmo a 180 quilômetros da minha cidade, dei o máximo para estar com ‘os meus’ e realizar esse sonho”, reflete o professor, que torce para que jovens de Teutônia se engajem no tradicionalismo.

200 quilômetros para ensaiar

Enquanto Diego tem anos de experiência, o Enart de 2025 marcou a estreia de Pablo no

Festival. A rotina, no entanto, começou muito antes do tablado. Desde fevereiro, ele viaja semanalmente de Teutônia até Marau para ensaiar no CTG Felipe Portinho – um trecho que, se somado ida e volta, passa facilmente dos 200 quilômetros.

“Havia vezes que chegava no ensaio às 23h, dançava até 3h e voltava para Teutônia. Domingo tinha ensaio de novo. Era cansativo, mas sempre buscava por mais”, conta. Desde de agosto, conseguiu manter presença fixa em todos os treinos, numa preparação que ele descreve como a resposta para uma pergunta simples: “quanto vale um sonho?”.

“Falamos muito sobre isso. Mas confesso que pagaria muito mais para passar pelo que vivi. Assistia todos os anos àqueles 40 grupos no sábado, 20 no domingo, e pensava: como eles conseguem? Agora pude entender. Tu te desprende de tudo, família, lazer, descanso e só ensaia”, reflete.

Pela primeira vez no Enart, Nunes não apenas subiu ao tablado – ele chegou à finalíssima de domingo, ao lado de um grupo que o acolheu de maneira que considera determinante para sua evolução.

“O CTG me recebeu de forma incrível. Lá dentro tu não sente peso, pois faz o que gosta, cultua a tradição e cria amizades para a vida. Passar para o domingo com esses amigos é uma das coisas mais gratificantes que já vivi”, agradece ele, que almeja voltar para o Enart em 2026.

O teutoniense destaca que o momento da apresentação carrega uma mistura de adrenalina e surpresa. “É o ano inteiro com esse momento na imaginação e a pensar no que vai fazer lá dentro. Mas, quando entro no tablado, não passa nada pela cabeça. Os 20min voam, chega até ser estranho, pois passa rápido”, brinca Nunes.

Evento é um dos mais tradicionais no Rio Grande do Sul / Crédito: Arquivo Pessoal

Tradição renovada

O Enart reforçou mais uma vez a importância da cultura gaúcha, com a união da música, dança, declamação, trova e outras expressões artísticas, além da Chama Crioula. O evento teve apoio da Lei de Incentivo à Cultura e presença de autoridades estaduais, com destaque para o papel das entidades tradicionalistas na formação de valores e no fortalecimento da identidade regional.

Para Teutônia, fica o orgulho de ver representantes em um dos maiores palcos da cultura gaúcha. Diego e Pablo carregam a certeza de que dedicação, estrada e paixão pela tradição são os verdadeiros pilares que sustentam o sonho de pisar no tablado do Enart.

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