Estrela monitora um caso positivado em teste rápido e duas suspeitas de dengue

Cidade registrou aumento de 100% no número de ovos encontrados entre outubro e novembro de 2025

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Administrações municipais da região intensificam ações com inseticidas / Crédito: Prefeitura de Estrela - Divulgação

O município de Estrela contabiliza um teste rápido positivo e dois casos suspeitos de dengue. O primeiro caso ainda aguarda confirmação do Laboratório Central do Rio Grande do Sul (Lacen). A paciente, idosa e moradora do Bairro Imigrantes, adquiriu a comorbidade fora do município. A paciente está em tratamento médico, em casa, sem sinais graves.

Os outros dois casos em suspeita são dos bairros das Indústrias e Boa União e tiveram testes rápidos negativados.

A confirmação dos casos de dengue ocorre por meio de dois testes. O teste rápido é realizado de forma imediata nos primeiros dias dos sintomas. A partir do quinto dia, há outro exame, avaliado pelo Lacen, que confirma se é realmente a doença.

O cenário ocorre após um período crítico no município. Em 2024, Estrela chegou a registrar mais de mil casos confirmados. No ano passado, foram 274 casos, a maioria do sorotipo 2 e com grande incidência no Bairro Boa União e no Distrito de Costão.

Apesar da redução, houve um aumento significativo na quantidade de ovos do mosquito. De setembro para outubro, o crescimento foi de 300%, seguido por outro aumento de 100% em novembro, com aproximadamente 800 ovos. A análise de janeiro ainda não está disponível.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Estrela, Carmen Hentschke, destaca a importância de usar repelente. “As pessoas precisam usar. É muito difícil saber qual mosquito está no nosso entorno, se é da dengue, se é uma fêmea contaminada ou uma fêmea não contaminada ou se é um mosquito de outra espécie”, afirma.

O recomendado é usar repelente mesmo se for contaminado. “As pessoas que estão com sintomas, com suspeita de dengue, precisam reforçar o uso do repelente, para que outros mosquitos não se contaminem”, explica ela.

Ainda na área da prevenção, há os inseticidas, aplicados pelo Município em pontos estratégicos da cidade. Segundo Carmen, a eficácia do fumacê é muito baixa, já que extermina apenas o mosquito que está voando. “Eu costumo fazer uma analogia: se soltar o mosquito dentro de um local e tentar matar ele com inseticida, é mais difícil, por isso o foco sempre é evitar criadouros. O mosquito vive em torno de 30 dias. Se não nascessem mais mosquitos, em março nós não teríamos mais esses insetos”, afirma.

Apoio dos moradores

O secretário de Saúde, Silas Alves, pede que proprietários de casas alugadas e imobiliárias colaborem com a fiscalização de piscinas e pátios, pois nem sempre os agentes podem entrar nas residências.

“Nós fizemos um mutirão de limpeza nos bairros. Fizemos um roteiro, avisávamos os moradores e recolhíamos o lixo. Infelizmente, o caminhão recolhia na segunda e na quarta-feira já tinha entulhos novamente”, ressalta ele.

“O ciclo do mosquito é de 7 dias, por isso, a responsabilidade de cuidar do pátio é do morador, pois não há funcionários para visitar todas as casas todas as semanas. Essa responsabilidade é do próprio morador”, disse Carmen.

Com relação às áreas atingidas pelas enchentes, enfatiza-se que o mosquito só permanece onde há pessoas num raio de 150 metros. No entanto, pode haver larvas de outras espécies.

Pico em Lajeado

Na cidade ao lado foram registradas 625 notificações de dengue e 85 casos confirmados em 2025. Esse ano, há 19 notificações em investigação. O monitoramento por armadilhas revelou cerca de 174 ovos em novembro e mais de 3 mil em dezembro.

Por isso, a Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde (Sesa) intensifica as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti por meio da aplicação de inseticidas, monitoramento por armadilhas e visitas domiciliares. O inseticida residual passou a ser aplicado em pontos estratégicos, como cemitérios, borracharias e recicladores. Em janeiro, a ação foi ampliada para imóveis com grande circulação de pessoas, com agendamento pelo site do município.

Prevenção em Teutônia

Preocupada com o crescente número de ovos do mosquito da dengue encontrados nas ovitrampas, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Teutônia executa um cronograma reforçado de aplicação do larvicida biológico BTI, especificamente o produto VectoBac 12 AS, em locais estratégicos do município. A ação tem caráter preventivo e emergencial.

A aplicação ocorre em pontos de água parada que não podem ser eliminados, como valas, córregos e áreas alagadiças, com o objetivo de interromper o ciclo do mosquito de forma segura, antes que as larvas se desenvolvam. O produto é inofensivo para humanos, animais domésticos e a fauna aquática.

Enquanto em 2024 foram 1.640 casos suspeitos, 468 confirmados e um óbito, em 2025 foram 1.108 casos suspeitos, 325 confirmados e nenhum óbito.

“Essa diminuição no número de casos entre um ano e outro pode gerar uma falsa sensação de que o problema está resolvido. Mas é crucial entender que a redução temporária de casos não significa redução do risco”, alerta o secretário Eloir Rückert.

Atendimento

Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos e manchas vermelhas na pele. Caso haja sintomas, o recomendado é ir para uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O paciente só deve se direcionar ao hospital se notar algum sangramento ou tiver vômitos.

O atendimento é de extrema importância e o paciente não deve se automedicar, visto que há drogas contraindicadas para a doença. O teste rápido pode ser feito na unidade de saúde e é gratuito para todos os munícipes.

Vale lembrar que exitem quatro sorotipos da doença. Quem já teve dengue por um tipo pode adoecer novamente pelos outros três.

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