Coleta de dados de 2025 aponta menos chuva e reforça importância do registro

Tarcísio Herbert acompanha o clima há 21 anos em Poço das Antas

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Pluviômetro instalado na casa de Tarcísio - Crédito: Arquivo Pessoal

Poço das Antas encerrou o ano de 2025 com 2.279 milímetros de chuva, volume inferior ao registrado em 2024, quando o acumulado chegou a 2.834 milímetros. Os dados fazem parte de um levantamento climático mantido há 21 anos por Tarcísio Herbert. O morador do município realiza o acompanhamento detalhado das chuvas, temperaturas e eventos extremos de forma voluntária.

Janeiro foi o mês menos chuvoso do ano, com apenas 59 milímetros, enquanto junho se destacou como o período de maior precipitação, com somatória de 372 milímetros.

Apesar de um volume anual elevado, o total confirma que 2025 foi menos chuvoso que o ano anterior, com uma diferença de 555 milímetros.

Segundo Tarcísio, a motivação para manter o controle climático vai além da curiosidade pessoal. Ele destaca que todos os dados estão registrados e arquivados, o que permite consultas futuras sobre volumes de chuva, períodos de seca, frio intenso ou ondas de calor.

“Fica tudo armazenado. Um dia, se alguém quiser saber quanto choveu há 10 anos, quanto frio ou calor fez, está tudo arquivado. São dados que ficam para os nossos filhos e netos. É uma coisa que eu faço por ‘amor à camiseta’”, afirma o poçoantense.

O trabalho começou de maneira simples, a partir de conversas informais entre amigos e vizinhos. “Sempre falamos sobre o tempo. Certa vez, um senhor comentou que era uma pena ninguém anotar as quantidades de chuva, mês por mês, ano por ano. Aquilo me marcou, e foi ali que decidi começar”, lembra Herbert.

Ele também enaltece que faz tudo por vontade própria e desejo em ajudar. “Faço isso com muito amor e carinho. São informações que ajudam a entender o que já passamos e o que vivemos”, acrescenta.

Precisão de dados

Para assegurar a confiabilidade das informações, Herbert utiliza um sistema duplo de medição, que combina pluviômetros físicos e uma estação meteorológica instalada em casa. Os equipamentos seguem critérios técnicos, posicionados longe de construções e árvores, para evitar interferências externas.

“Controlo em casa de forma dupla. Tenho pluviômetros bem instalados e uma estação meteorológica. Às vezes, ela pode falhar se faltar energia ou internet, então confiro sempre com o pluviômetro. É uma conferência constante”, explica ele.

Esse cuidado garante mais precisão nos registros, especialmente em eventos intensos, como o temporal de 26 de fevereiro, quando foram registrados ventos de 69,2 quilômetros por hora e 65 milímetros de chuva em apenas 10 minutos em Poço das Antas.

Tarcísio ressalta que o histórico acumulado se tornou uma referência para moradores interessados em compreender eventos passados, principalmente diante das mudanças climáticas recentes no estado.

“Há pessoas que ainda hoje me perguntam sobre anos de seca e quanto choveu naquele período. Nos 4 anos recentes, passamos por três secas aqui no Rio Grande do Sul e, no ano passado retrasado, a maior enchente da história do estado”, destaca.

Além das chuvas, o levantamento aponta extremos de temperatura em 2025. Em Poço das Antas, o dia mais quente foi 10 de fevereiro, com 39,6 °C, enquanto o mais frio ocorreu em 2 de julho, quando os termômetros marcaram -1,2 °C.

Tarcício ainda lembra da forte onda de calor entre os dias 20 de fevereiro e 8 de março, ou seja, calor diretor por 17 dias, com média de 36,7 ºC.

Já no estado, o dia mais quente do ano foi em 4 de fevereiro, quando Quaraí registrou 43,8 º C. Por outro lado, em 2 de julho, em Pinheiro Machado fez -9,1 ºC.

Ao longo de mais de duas décadas, o trabalho voluntário se consolidou como uma referência sobre o comportamento do clima em Poço das Antas e região. O registro contínuo desses dados se torna uma ferramenta importante não apenas para consulta, mas também para a preservação da memória climática do município.

Tarcísio destaca que, a cada ano, o verão fica mais quente e temporais, tornados e ciclones são registrados com mais frequência do que no passado. “Converso com muita gente e também controlo. Há anos, nada disso acontecia como agora, é algo preocupante, principalmente se pensarmos no futuro”, projeta.

Chuva em Poço das Antas em 2025
MêsMilímetros
Janeiro59
Fevereiro223
Março67
Abril130
Maio270
Junho372
Julho92
Agosto175
Setembro291
Outubro162
Novembro130
Dezembro308
TOTAL ANO2.279
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