“Um anjo que salvava vidas”: luto e homenagens marcam despedida de bombeiro

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Tarja preta nos nomes e carros dos Bombeiros Voluntários em Teutônia

Um cortejo solene e emocionado percorreu as ruas de Teutônia na tarde desta quinta-feira (15) para a despedida do bombeiro voluntário Douglas Rafael Silva da Silva, de 35 anos, vítima de um assassinato. O caixão, conduzido sobre um caminhão do Corpo de Bombeiros Voluntários, simbolizou o respeito e a dor de colegas de várias corporações, familiares e amigos. O sepultamento ocorreu às 17h no Cemitério da Vila Popular.

A despedida foi carregada de simbolismo. Ao chegar à câmara mortuária, o caixão foi recebido por um corredor humano formado pelos companheiros de farda, numa homenagem silenciosa que falou mais que palavras sobre o reconhecimento ao trabalho e à dedicação de Douglas.

Tamires Borgelt, amiga de Douglas, lamenta a perda do bombeiro que ajudava comunidade. Créditos: Anderson Lopes

O relato da culpa e da bondade

Em meio à dor coletiva, o depoimento da amiga próxima Tamires Borgelt revelou o impacto pessoal e devastador da perda. Em entrevista na capela mortuária, Tamires compartilhou um sentimento angustiante de culpa. Ela havia sido convidada por Douglas para a festa onde a tragédia ocorreu, mas decidiu não ir devido ao mau tempo.

“Antes de ir pra festa a gente tava conversando… e aí que bate a culpa, né? Se talvez eu tivesse ido, ele não teria ido na festa. A gente não sabe”, relatou, emocionada. “A gente até conversou lá, ‘tá vindo temporal, não, não vamos ir pra festa’. E eu fiquei crente que ele não iria… Só fui saber no dia seguinte, quando voltava do trabalho”.

Ao descrever o amigo, Tamires pintou o retrato de um homem extraordinariamente bondoso. “Ele não tinha maldade. Ele não tinha maldade nenhuma. Tava sempre disposto a ajudar”, afirmou. Ela destacou especialmente a atuação heroica de Douglas durante as enchentes recentes na região. “Para ele, não queria parar enquanto salvasse todo mundo. Ele era… é um anjo. É o que a gente falou hoje. Ele era um anjo em pessoa”.

A homenagem da corporação

Do ponto de vista institucional, o presidente dos Bombeiros Voluntários de Teutônia, Genir Pithan, falou sobre a perda irreparável para a corporação e a comunidade. “Douglas foi um baita companheiro nosso desde 2019. É uma pessoa querida por todos. E a comunidade perde um baita profissional”, disse Pithan.

Ele confirmou o caráter altruísta do voluntário, já destacado por Tamires. “Ele ajudou na enchente e nos vendavais. Ele tava em todas [as situações], né? Onde precisava, ele não escolhia cor, não escolhia religião, ele ia para ajudar mesmo as pessoas. Uma perda que vai fazer falta”.

O presidente também lembrou da rotina dedicada de Douglas. “Ele fazia sempre os plantões comigo na segunda-feira, e ele sempre chegava… a gente fazer os treinamentos também, e ele tava sempre pronto para ajudar o próximo”. Sobre a tragédia, Pithan resumiu: “Ele tentando socorrer os outros assim e levou a pior… Todo mundo tá triste, porque a gente se dava muito bem com ele, e dá para ver o carinho que ele tinha por nós e nós por ele também”.

Legado de um anjo

As palavras de Tamires e do presidente Genir convergem para o mesmo ponto: a imagem de Douglas Rafael Silva da Silva como um homem de coração puro, cuja vida foi dedicada ao próximo, tanto na formalidade do uniforme quanto na simplicidade da amizade. Se o cortejo e o corredor de fardas honraram o bombeiro, os depoimentos emocionados eternizam o “anjo” que, para quem o conhecia, habitava a mesma pessoa sempre disposta a salvar vidas. A tragédia roubou uma vida, mas as memórias compartilhadas reforçam um legado de altruísmo que a comunidade de Teutônia leva consigo no luto.

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