De CLT a protagonista: a jornada da revendedora Dejanira Black

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Dejanira Catiúcia Ricardo Black / Crédito: Luciana Brune

A transição de uma carreira de mais de 18 anos no regime CLT para o empreendedorismo exclusivo não é um passo simples. Mas, para Dejanira Catiúcia Ricardo Black, conhecida como “Deja”, foi uma verdadeira virada de chave. Atuando há cerca de 7 anos no ramo de pedras naturais e semijoias com a sua marca “Eu recebo e agradeço”, a empresária de Lajeado compartilha os bastidores de um negócio construído com muita fé, planejamento e, acima de tudo, suor.

Sua história traz uma transformação profunda na forma de encarar a vida, em que Dejanira estabeleceu novos pilares norteadores. Deja deixou para trás a versão que chamava de “vítima e mimizenta” para assumir as rédeas da própria vida.

Deus, família e negócio

O alicerce da vida de Dejanira e de sua carreira se resume a três palavras que definem sua ordem de prioridade: Deus, família e negócio. Após ler o livro “O Milagre da Manhã” durante a pandemia, ela percebeu que precisava mudar sua mentalidade e assumir a responsabilidade pela própria vida. Movida por esse novo propósito e ao se aproximar dos 40 anos, decidiu que não queria chegar ao fim da vida arrependida pelo que não tentou fazer. Foi com esse foco e com o forte apoio do marido, Ismael Black, que decidiu traçar seu caminho rumo à independência.

Todo dia é uma folha em branco

Uma das maiores vantagens da vida de empreendedora, segundo Deja, é a liberdade de escolha diária. “O gostoso é que todo dia de manhã a gente tem uma folha em branco que Deus nos dá”, reflete a empresária. Ela destaca ser um privilégio poder decidir o que escrever nessa folha e quais clientes visitar a cada nova jornada. Apesar de prospectar muitos clientes pelo WhatsApp e redes sociais, ela defende o poder da relação olho no olho, quando se constrói a confiança e amizade e a venda acaba sendo uma consequência.

Números e dados para tomada de decisão

Mas a transição de carreira não foi feita de forma irresponsável. Pelo contrário, exigiu muita estratégia. Para Dejanira, os números e dados são fundamentais, pois não mentem. Antes de pedir demissão da empresa onde trabalhou por 18 anos e 4 meses, ela se planejou durante 1 ano e meio. Todo mês, ela guardava o lucro de suas vendas paralelas e conseguiu acumular R$ 26 mil. Só com esse respaldo financeiro e o apoio do marido é que ela decidiu dar o passo definitivo. Ela alerta outras mulheres para não tentarem calçar um sapato de outra ou que não lhes serve e para planejarem com os pés no chão.

O poder do movimento nos resultados

A fé de Dejanira é inabalável, mas ela é enfática ao afirmar que a espiritualidade precisa vir acompanhada de atitude. Para ela, “orar sem ação não adianta”, pois a oração exige movimento. A empresária defende que Deus abençoa o movimento; portanto, ficar sentada esperando as oportunidades caírem do céu não traz resultados. É preciso ir até os clientes, construir laços autênticos, tomar um café e fazer o verdadeiro networking.

A casa sabota empreendedoras

Empreender exige estratégias até contra nós mesmos. Logo que saiu do emprego formal, Dejanira sentiu o choque de perder a rotina de “bater o crachá”. Ela percebeu rapidamente que a casa sabota empreendedoras, pois sempre há alguma distração doméstica. A solução que encontrou foi criar a história de ir na mãe: todos os dias, às 7h30, ela ia para a casa de sua mãe apenas para simular que estava “saindo para trabalhar”. Ela exigia que a mãe não fizesse chimarrão para que ela pudesse focar em organizar sua agenda e prospectar clientes. Dejanira alerta que revendedoras e empreendedoras de diferentes ramos precisam tomar cuidado com a armadinha do home office.

Meu maior inimigo sou eu mesma

Dejanira não romantiza a vida de dona do próprio negócio; ela garante que o empreendedorismo é difícil e solitário. Para vencer as barreiras, o antídoto é a disciplina para lidar com os dias em que não há vontade de trabalhar. Ela lembra sempre que vêm os boletos e que há sonhos a realizar. Na busca por foco e produtividade, ela adotou a regra do “se não soma, some”. Isso se aplica até mesmo ao conteúdo que consome nas redes sociais e às amizades, já que ela prioriza não perder tempo e focar naquilo que traz evolução.

Não é que deu certo, não desistimos um do outro”

A perseverança de Dejanira também se reflete em sua vida pessoal. Mãe aos 17 anos, ela e o marido Ismael construíram uma vida do zero: terminaram o Ensino Médio juntos, ambos se graduaram e hoje colhem os frutos dessa parceria de décadas. Quando as pessoas olham para o sucesso do casal, com dois filhos, ela faz questão de corrigir: “Não é que deu certo, nós não desistimos um do outro”. Essa mesma resiliência é aplicada na forma como ela enxerga o mundo dos negócios.

Projeto 2040

Pensando no futuro, a empresária criou o Projeto 2040, uma meta de longo prazo focada em como ela deseja estar daqui a 14 anos. Para garantir saúde para viajar e até mesmo participar da Corrida de São Silvestre, ela incluiu idas diárias à academia em sua rotina rigorosa. Seja nos treinos, no casamento ou nas vendas, a desistência não faz parte de seu vocabulário. Quando ouve histórias de pessoas que fracassaram nos negócios, sua visão é categórica e serve como uma grande lição final: “Não existe ‘não dá certo’, existem pessoas que desistem”.

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