Inteligência Artificial ganha espaço no dia a dia

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A área da Ciências de Dados, que engloba o estudo e a análise de dados, estruturados ou não, que auxiliam na tomada de decisões, tem crescido e ganhado cada vez mais visibilidade com tecnologias que fazem parte do nosso dia a dia. Essa área de estudos utiliza conceitos e técnicas de Inteligência Artificial, por exemplo, que podem ser encontrados em aplicativos, nos serviços de assistentes pessoais e nos chatbots, entre outras tecnologias.

De acordo com o professor Evandro Franzen, que ministra a disciplina Inteligência Artificial do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (Cetec), no senso comum a IA é associada a um software. “Na verdade é uma área que iniciou suas atividades na década de 1950 com o objetivo de criar sistemas inteligentes e todas as iniciativas que envolvem as máquinas imitarem ou se aproximarem da capacidade humana”, explica. 

Franzen informa que uma das IA mais conhecidas são os chatbots, os robôs que interagem com humanos por meio de canais de comunicação. “Esse é apenas um tipo dessa tecnologia, baseado no Processamento de Linguagem Natural, a PLN. Ou seja, é criado um sistema em que um robô consegue se comunicar com uma pessoa por meio de um bate-papo. Esse tipo de inteligência artificial está relacionado com Machine Learning, uma área em que os algoritmos são utilizados para que a máquina identifique padrões e aprenda sobre o comportamento de quem está interagindo. Assim, as novas interações se tornam mais automatizadas, não dependendo da programação humana”, explica o professor. 

Outro produto de IA bastante difundido atualmente são as assistentes pessoais, como Cortana, Siri e Google Now. Além disso, a inteligência artificial já é bastante utilizada para prever a compra de produtos associados ao comportamento do consumidor a partir da mineração de dados.

Inteligência Artificial made in Vale do Taquari

Na Univates, a temática é explorada na disciplina ministrada por Franzen, na qual os estudantes realizam análises de dados públicos para gerar conhecimento. “Estamos iniciando um projeto que irá contribuir com o Pacto pela Paz, que está sendo desenvolvido no  município de Lajeado. Uma ideia que surgiu foi analisar dados relacionados aos estudantes da rede pública para tentarmos encontrar um padrão que possa adiantar situações de reprovação ou desistência’, exemplifica ele.

A partir dessa abordagem, o assunto também já está pautando Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), que têm buscado resolver problemas de organizações do Vale do Taquari com uso da IA. Um exemplo é do diplomado em Sistemas de Informação Bruno Neumann, que utilizou um algoritmo e a IA para criar um aplicativo que pudesse ajudar produtores rurais a analisar manchas em folhas de soja para identificar doenças na planta.

Já o diplomado Henrique Brancher Schmitt utilizou a inteligência artifical em seu TCC para analisar dados de pacientes internados no Hospital de Arroio do Meio. A ideia foi estabelecer uma relação entre sintomas e tempo de internação, para prever se um paciente iria evoluir para uma internação. Para isso, Schmitt realizou três experimentos com base nos dados coletados. Um dos resultados aponta que o custo dos atendimentos tem 65,1% de chance de ser baixo nos casos em que o paciente não apresenta problemas de pressão arterial durante seu atendimento.

Maiquel Jardel Ludwig usou a Inteligência Artificial com o objetivo de identificar o contexto emotivo de pequenos textos da internet para, desta forma, efetuar o treinamento de um algoritmo capaz de detectar comportamentos agressivos de usuários de internet e, assim, permitir que esse perfil de usuário pudesse ser conscientizado.

Voltado para questões de crédito no comércio, Augusto Alves da Silva trabalhou no desenvolvimento de uma aplicação Web API que auxilie lojistas na avaliação para concessão de crédito ao consumidor. Já o TCC de Lucas Medeiros Hart aborda o desenvolvimento de uma API (Interface de Programação de Aplicações) para chatbots de venda e gestão de seguros que contribua para atendimentos nesse setor. Todos esses estudos exemplificam como a IA pode ser utilizada no dia a dia.

Dados e questões éticas

A base da IA são os dados, informações brutas que geramos a todo momento quando utilizamos aparelhos tecnológicos, como o celular que está na palma da sua mão. Esses dados são analisados por sistemas inteligentes que buscam padrões e associações e os seus usos podem ser os mais variados possíveis, desde o auxílio para ajudar a prevenir epidemias como para oferecer produtos enquanto você navega nas redes sociais depois de ter feito uma pesquisa na internet. Mas por trás disso está uma questão bastante humana: a ética. Será que esses dados estão sendo bem utilizados? Será que as pessoas se dão conta que geram dados e que eles estão sendo utilizados?

É nessa seara que entram discussões sobre a transparência do uso de dados e leis específicas que ajudam a proteger a privacidade das pessoas. Conforme Evandro, o Google é um grande exemplo desse impasse. “Todo mundo utiliza o buscador, mas ele apresenta resultados diferentes para uma mesma busca dependendo de quem a fez. É aí que entram as questões éticas, pois não há transparência sobre os critérios adotados para sabermos como funciona essa busca. Não sabemos, por exemplo, se há influência de resultados pagos que não aparecem na forma de anúncio”, aponta ele.

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