Municípios não estão preparados para uma antecipação do pico da Covid-19, afirma presidente da Famurs

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O presidente da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e prefeito de Palmeira das Missões, Eduardo Russomano Freire (PDT), alerta que os municípios “não estão preparados para uma antecipação do pico [de casos da Covid-19]. Se tivermos um pico antecipado ou um surto nos nossos municípios nos próximos 10 dias, com certeza não conseguiremos dar a resposta”.

O presidente explica que os municípios não estão prontos porque faltam recursos. “O governo do Estado está ampliando seus leitos de UTI, mas estes leitos de UTI funcionarão apenas em maio. Estamos aguardando equipamentos de proteção e estes equipamentos de proteção ainda não chegaram aos municípios. Os municípios que estão adquirindo estão tendo grande dificuldade. Uma máscara cirúrgica, que era pago de R$ 0,08 a R$ 0,12 três meses atrás está sendo cobrado, no mínimo, R$ 3,00”, exemplifica.

Segundo ele, os municípios precisam ganhar tempo para montar as estruturas de atendimento, para que cheguem os equipamentos como respiradores e sejam instalados e para que as equipes recebam os cursos preparatórios e equipamentos de proteção. “São estes os principais motivos pelos quais defendemos o isolamento social”, aponta.

A manutenção do isolamento social divide opiniões até entre os prefeitos, porém, Freire afirma que a maioria dentro da Famurs defende a medida e este tem sido o posicionamento da entidade. “Consideramos que é essencial o isolamento social. Ele é o principal instrumento, a principal vacina, ou a única vacina, que nós temos neste momento, efetiva contra o coronavírus. Isso já ficou demonstrado em diversos países. Países que conseguiram fazer o isolamento, que as pessoas respeitaram, conseguiram achatar a curva de contágio e o sistema de saúde não entrou em colapso”, afirma. Por outro lado, afirma que países que demoraram a tomar as medidas tiveram um grande crescimento dos casos, com colapso dos sistemas de saúde e milhares de mortes.

Segundo ele, é preciso ter firmeza quanto a isso, e “fazer com que as pessoas tenham consciência de que o isolamento é importantíssimo. Todos os órgão de saúde apontam para isso”. O prefeito pondera que o problema econômico também é gravíssimo. “Esse vírus causa uma crise no sistema econômico, no sistema social, no sistema de saúde, no sistema emocional das pessoas. É uma situação que as pessoas nunca viveram antes, ao menos a nossa geração nunca viveu, uma situação pior do que um estado de guerra. Não é fácil conciliar opiniões, mas mantemos nosso opinião baseada na ciência, baseada na saúde, baseada nos exemplos de outros países e nas carências que os municípios têm”, avalia.

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