Vale do Taquari recorre da bandeira vermelha e avalia ação judicial contra o modelo de distanciamento

Associação destaca que região está sendo prejudicada por mudança de regras que tira peso da capacidade hospitalar

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Celso Kaplan, presidente da Amvat

A Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) enviou, na tarde deste sábado (01/08), um ofício de 15 páginas ao Comitê de Dados do Sistema de Distanciamento Controlado do RS. O documento pede a revisão da bandeira vermelha para o Vale do Taquari, que pretende se manter na bandeira laranja. No documento, a associação questiona as mudanças de regras sem prévia formalização e destaca que a região, novamente, está sendo prejudicada por uma mudança que tira peso da capacidade hospitalar.

“Mudar aos 48min do segundo tempo o modelo, alguns indicadores que nem decreto tinha nem conhecimento ninguém tinha, é complicado né? Isso deixa todo mundo desanimado”, resume o presidente da Amvat e prefeito de Imigrante, Celso Kaplan, que assina o ofício. Para o Grupo Popular, Kaplan disse que será avaliada uma ação judicial contra o modelo de distanciamento controlado.

Entre os questionamentos da região, Kaplan ressalta o trabalho com leitos e leitos de UTI, que estão dentro da normalidade; testagem; o número de óbitos está entre os menores índices do Estado. “Tem várias coisas que a gente argumentou”, comenta Kaplan. A equipe da Prefeitura de Lajeado e do Hospital Bruno Born, especialmente do diretor-executivo Cristiano Dickel, foram fundamentais para conseguir a base de informações a região e da macrorregião. “Isto faz todo o diferencial”, observa.

Ação judicial é estudada

O presidente da Amvat, Celso Kaplan, também informou que vai convocar uma assembleia de urgência para a próxima segunda-feira (03/08), quando pretende avaliar medidas judiciais contra o modelo de distanciamento controlado. “Estamos muito conscientes, se não forem aceitos estes argumentos, vamos procurar ações judiciais para tomar posição mais forte frente a este modelo”, anuncia.

Kaplan sustenta que os prefeitos “pediram, com sugestões, autonomia e mais participação, mas ainda não o tivemos. Não vamos esperar entrar numa bandeira vermelha ou agravar a situação para a nossa região. Esta é uma posição muito clara”, enfatiza.

O presidente da Associação Regional lamenta “perder quinta, sexta, sábado e domingo, e ainda segunda se preocupando e os outros descansando. Mas, vamos lá, vamos ter fé!”. Celso Kaplan finaliza: “dessa semana não passa mais”.

Os argumentos do Vale do Taquari

Conforme o ofício, o Vale do Taquari é exemplo prático de que a manutenção da bandeira laranja não acarreta, necessariamente, em aumento da circulação do vírus. Após ingresso da região na bandeira laranja, em 18 de maio, a região apresentou considerável melhora nos seus indicadores. Isso pode ser comprovado pelos índices de casos ativos de forma sustentada nas semanas após flexibilização das regras.

A piora observada na últimas semanas se explica, em grande parte, por questões que extrapolam a região, principalmente o agravamento da situação estadual. Em relação ao “Histórico Diário Hospital Bruno Born”, observam que há uma estabilidade da ocupação hospitalar nas últimas semanas. Cabe destacar que esta estabilidade acontece de forma concomitante à adoção das medidas da bandeira laranja vigentes desde a metade do mês de maio no município e na região.

A Amvat informa, ainda, que a região apresenta taxa de letalidade de 1,35%, o que representa a terceira menor letalidade entre as 20 regiões do Estado e menos do que a metade da média estadual (2,70%). Além disso, apesar de a região ter a maior taxa de incidência de casos por 100 mil habitantes, o mesmo não se observa na taxa de mortalidade por 100 mil habitantes.

Em relação à capacidade hospitalar, a associação reforça que 22 dos 47 pacientes internados nas UTIs da região dos Vales são oriundos de outras macrorregiões. Isso corresponde a 46,8% das internações, o que, somado ao fato da disponibilidade de leitos, reafirma a plena capacidade hospitalar da região. O Vale apresenta estabilidade nos leitos disponíveis no último mês, tendo, atualmente, 51 leitos disponíveis, o que corresponde a mais de 35% da capacidade de UTIs da macrorregião e se apresenta com a segunda menor taxa de ocupação do Estado.

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