Pesquisa sobre coronavírus aponta desaceleração da pandemia no Rio Grande do Sul

Última etapa do estudo no RS estima um caso real de infecção a cada 72 habitantes

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Coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, reitor Hallal, e Vânia, intérprete de Libras, durante a transmissão nesta quinta / Crédito da foto: reprodução

A última etapa do estudo Epidemiologia da Covid-19 no RS (Epicovid-RS), pesquisa do governo do Estado coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aponta desaceleração no ritmo de crescimento da prevalência de coronavírus no Rio Grande do Sul. Os resultados foram divulgados pela coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, e pelo reitor da UFPel, Pedro Hallal, por meio de transmissão ao vivo nesta quinta-feira (10/9).

“Esse trabalho excepcional e essa parceria com a nossa comunidade científica nos dão segurança e nos ajudam a lidar com a pandemia. Esse é o verdadeiro antídoto. A pesquisa é um dos parâmetros que usamos, além de outros acompanhamentos que são feitos diariamente pelo governo do Estado e pelo Gabinete de Crise”, detalhou Leany Lemos.

A oitava etapa da pesquisa estima que a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 é de 1,38% no Estado (de 1,06% a 1,76%, pela margem de erro), o que corresponde a um total de 156.753 (variação de 120.362 a 200.559) pessoas que têm ou já tiveram coronavírus na população gaúcha. A proporção é de um caso real de infecção por coronavírus a cada 72 habitantes do RS.

“Com a evolução dos estudos sobre o coronavírus, pudemos interpretar de outra forma esse resultado. Antes, tínhamos a sensação de que essa testagem captaria as pessoas que foram expostas ao vírus em qualquer momento. A ciência descobriu que os anticorpos não duram tanto assim em uma intensidade capaz de ser detectada pelo teste. Na prática, uma pessoa que foi exposta em março ou abril pode dar resultado negativo, porque a quantidade de anticorpos não é suficiente para aparecer no teste. É um resultado novo da literatura. Não vemos mais como o total de pessoas que teve exposição ao vírus, e sim como o total de pessoas que teve exposição recente ou grave o suficiente para manter anticorpos detectáveis até hoje”, detalhou o reitor.

Na testagem anterior, havia um caso positivo a cada 55 gaúchos. Na sexta etapa, um caso positivo a cada 104 gaúchos. Na quinta, havia um caso positivo a cada 214 pessoas; na quarta, um a cada 562 pessoas; na terceira, um a cada 454 pessoas; na segunda, um a cada 769; e na rodada inicial, um a cada 2 mil.

Os resultados apontam crescimento menor da proporção de casos em relação ao registrado entre as fases anteriores de coleta de dados. A prevalência estimada pela pesquisa saltou de 0,47%, em junho, para 0,96%, em julho, atingiu 1,22%, em agosto, e teve o menor aumento relativo registrado na etapa realizada neste final de semana, com percentual de 1,38%.

“Temos uma desaceleração da pandemia, que continua avançando no Estado, mas em um ritmo menor do que enxergamos em outro momento, especialmente durante o mês de julho. A pesquisa também reflete o que vemos nos nossos boletins diários, o que é bom porque mostra que temos várias maneiras de aferição da evolução da pandemia”, acrescentou Leany Lemos.

Para a coleta dos dados, profissionais da área da saúde realizaram 4,5 mil entrevistas e testes rápidos para o coronavírus, entre os dias 4 e 7 de setembro, em nove cidades (Pelotas, Porto Alegre, Canoas, Santa Maria, Uruguaiana, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Caxias do Sul). Os pesquisadores chamam a atenção para a concentração de casos em Canoas – dos 62 testes com resultado positivo, 19 são do município da Região Metropolitana. Passo Fundo teve dez testes positivos, Porto Alegre, nove, e Santa Cruz do Sul, seis. Caxias do Sul e Pelotas tiveram cinco testes positivos em cada cidade, Santa Maria e Uruguaiana tiveram três testes positivos cada, e Ijuí, dois positivos.

Para o reitor, os resultados da oitava etapa reforçam que a ampliação da testagem no Estado reduziu a quantidade de casos não notificados pelas estatísticas oficiais. Para cada caso real de infecção, a pesquisa estima que exista 1,1 não registrado oficialmente.

“Podemos dizer com tranquilidade que o RS é o lugar que mais tem acompanhamento epidemiológico do coronavírus em todo o mundo. A prevalência no Estado já passou de 1%, estamos em 1,4%, e recomendamos a ampliação da testagem, com busca ativa das pessoas positivas”, lembrou o reitor. Hallal destacou como preocupante a situação da cidade de Canoas nesta oitava fase.

A oitava etapa do Epicovid19-RS é a quarta e última da segunda fase de aplicação de testes rápidos que estabeleceu um intervalo maior entre uma rodada e outra. A pesquisa seguiu com a mesma metodologia das etapas anteriores. O resultado da sétima etapa, realizada entre os dias 15 a 17 de agosto, foi divulgado em 20 de agosto.

O governo do Estado – por meio das secretarias de Planejamento, Governança e Gestão e da Saúde – está em tratativas para que a pesquisa seja renovada para pelo menos mais duas fases.

Distanciamento Controlado

Quando comparados à sétima etapa da pesquisa, os dados da oitava etapa mostram que o número de pessoas que está seguindo as orientações de distanciamento social apresentou leve queda: 12,7% informou estar sempre em casa. No final de agosto, eram 12,8% dos entrevistados.

O número de pessoas que saem diariamente cresceu. Eram 32,6% dos entrevistados no final de agosto e, agora, foram 33,2%.

A quantidade de pessoas que sai para cumprir atividades essenciais, porém, diminuiu: 54,1% dos entrevistados saem com essa finalidade. No final de agosto, eram 54,6% dos entrevistados.

Em retrospecto, o período em que os entrevistados se mantiveram em casa foi quando do resultado da primeira etapa da pesquisa, no começo de abril: 21,1% dos entrevistados alegaram estar sempre em casa. A partir daí, foi possível observar uma tendência de queda na permanência no lar.

O inverso ocorreu com as pessoas que alegavam sair diariamente: eram 20,6% no começo de abril. Já a quantidade de pessoas que saíam para atividades essenciais diminuiu: eram 58,3% em abril.

A pesquisa

O Epicovid19 é coordenado pelo governo do Rio Grande do Sul e pela UFPel, mobilizando uma rede de 12 universidades federais e privadas: Imed Passo Fundo, Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade de Passo Fundo (UPF), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade La Salle (Unilasalle-Canoas) e Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí).

As duas fases do estudo somam investimentos de R$ 2,1 milhões, com apoio da Unimed Porto Alegre, do Instituto Cultural Floresta, também da capital gaúcha, do Instituto Serrapilheira, do Rio de Janeiro, e do Banrisul.

• Clique aqui e acesse o estudo completo da oitava fase da Epicovid19

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