Uma mesa com toalha rendada, bolo decorado em tons de rosa e um cartão que anunciava: “Feliz Aniversário – 91 anos”. A cena poderia retratar apenas mais uma comemoração de aniversário, não fosse pelo que aconteceu entre duas das convidadas: Selmira Bauer e Irma Gravina Pereira da Silva se reencontraram após mais de cinco anos sem se verem. O momento aconteceu na tarde desta sexta-feira (13/6) no lar Opa Haus, em Teutônia, onde o aniversário foi celebrado. Selmira atualmente mora no Novo Lar, também em Teutônia, e foi levada até o encontro pela equipe de cuidados.
O reencontro foi articulado pela professora Sônia Lúcia de Souza Gomes, que acompanha as duas em suas respectivas instituições e se sensibilizou com a história de amizade entre elas. O pedido para o reencontro veio de Selmira, que ansiava por rever a sua amiga “de casa”. “Nunca vou esquecer dela”, repetiu Irma ao ver a amiga à sua frente, com quem dividiu mais de três décadas de convivência.
Laços que vieram da vida
Selmira e Irma se conheceram já adultas, por volta dos anos 1990, quando se tornaram vizinhas em Santana, localidade do interior de Paverama. Ambas com mais de 60 anos à época, dividiam a vida rural: tiravam leite, limpavam pasto, cuidavam da horta e faziam comida no fogão a lenha. “A amizade nasceu do dia a dia, da ajuda mútua. Quando Irma cozinhava, Selmira ganhava um prato feito com carinho. E o chimarrão nunca faltava: era desde de manhã até o fim da tarde”, contam.
Irma lembra com detalhes de quando o marido de Selmira, Arlindo, adoeceu. “Ela estava sempre lá com a gente. Trazia apoio, palavra amiga, nunca se afastou”. Com o passar dos anos, os caminhos mudaram. Irma, viúva, passou a morar com o filho e depois foi acolhida no lar Opa Haus. Selmira também deixou a casa em Santana após o falecimento do marido e, posteriormente, do companheiro com quem conviveu. Morou com os filhos em diferentes cidades, como Canabarro e Paverama, até ser acolhida no Novo Lar, onde vive atualmente.
Vidas que se entrelaçaram
Ivani Bauer, filha de Selmira, acompanhou a amizade desde o início. “Elas moravam uma ao lado da outra. Eram como irmãs. Depois que cada uma seguiu seu caminho, ainda se visitavam sempre que podiam. Mas com o tempo, as visitas rarearam, a memória ficou falha, e foi ficando mais difícil. Por isso, esse reencontro foi tão especial.”

Ao se verem novamente, Selmira e Irma se emocionaram, trocaram lembranças, elogios, carinhos e riram como antigamente. Sentadas lado a lado, de mãos dadas, relembraram momentos vividos em Santana, dos tempos de lavoura e da convivência quase familiar. “Essa vó aqui, eu adoro ela. Nunca vou esquecer”, declarou Selmira, com os olhos brilhando. “A comida dela era muito boa. Eu lembro de tudo.”
Presente de aniversário
Selmira, ao saber que Irma estava no Opa Haus, desejou revê-la. Mas a vida, com suas rotinas e limitações, adiou o encontro. A surpresa organizada por Sônia transformou o aniversário de 91 anos em um momento histórico para ambas as famílias. “Foi o melhor presente que eu podia ganhar”, disse Selmira, emocionada.

Entre abraços e sorrisos, a tarde seguiu com bolo, fotos e memórias partilhadas. A presença de Irma trouxe alegria não apenas para Selmira, mas para todos que testemunharam o poder de uma amizade que resistiu ao tempo, à distância e à fragilidade da memória.
O gesto simples de rever uma amiga revelou algo essencial: laços verdadeiros não se rompem com o tempo. Eles apenas esperam o momento certo para florescer outra vez.