Esporte amador promete calendário cheio em 2026

Após a temporada de crescimento em 2025, a próxima deve ser ainda melhor

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Temporada pode ser um divisor de águas para o esporte amador - Crédito: Luis Augusto Huppes

O futebol e as demais competições amadoras da região chegam em 2026 embalados por um ciclo de crescimento vivido ao longo de 2025. A avaliação de dirigentes, organizadores e da arbitragem é praticamente unânime: foi um ano fora da curva, com aumento expressivo no número de competições, a crescente na “profissionalização” dos eventos e um calendário que já começa o novo ano praticamente desenhado.

Para o presidente da Associação de Clubes Amadores de Teutônia (Acat), Jair Roberto Welter “Pivi”, o momento é de consolidação. “Se olharmos 2025 pelo lado do esporte, foi um ano fantástico. Teve muita competição, serviço para todo mundo, e isso é o que interessa”, avalia.

Ao mesmo tempo, o cenário traz desafios importantes, especialmente ligados aos custos e à sustentabilidade das equipes. A temporada que ficou para trás deixou números que ajudam a explicar o otimismo. Apenas na área da arbitragem, houve um salto significativo. De 27 competições atendidas em 2024, a Pivi Arbitragem abraçou cerca de 44 em 2025.

O crescimento reflete não só a retomada definitiva do esporte amador após períodos de incerteza, mas também, a grande oferta de campeonatos em municípios, modalidades e categorias diferentes.

O calendário de 2026 praticamente não deu trégua entre um ano e outro. O tradicional Aberto de Verão chegou em sua 45ª edição, iniciou em 2025 e tem sequência prevista até 20 de março, desde que o clima colabore.

Na sequência, duas competições de peso já estão alinhadas no futsal. A Copa Transcitrus e a Copa Rota da Serra, com previsão de início em 27 de março. Reuniões devem ocorrer já no começo de janeiro, inclusive para confirmar representantes dos municípios e alinhamento de detalhes.

O Intermunicipal, uma das principais vitrines do futebol amador da região, tem data-base prevista para 22 de fevereiro. Antes da bola rolar, a organização ainda fará reuniões internas e, depois, encontros com as equipes para definição de regulamento e sorteio dos confrontos, para permitir que clubes e atletas se programem com antecedência.

Além disso, os municipais também aparecem, sem falar do Regional e da possibilidade de outras competições surgirem ao longo do ano.

Arbitragem qualificada

Pivi afirma que um dos pontos mais destacados para 2026 é o nível da arbitragem, especialmente no futsal. A região se consolidou como referência estadual, tendo árbitros que integram o quadro nacional e atuam em competições de alto nível, como a Liga Nacional de Futsal. Esse intercâmbio eleva o padrão dos campeonatos amadores e contribui para a formação de novos profissionais.

Além disso, cresce o número de árbitros, anotadores e cronometristas formados na região, fruto de cursos e parcerias com as comunidades. A busca por qualificação deixou de ser diferencial e passou a ser exigência, tanto no futsal quanto, gradualmente, no futebol de campo.

No Intermunicipal de 2026, por exemplo, a arbitragem não será centralizada em uma única empresa. Está prevista uma parceria com profissionais de fora da região, muitos deles vinculados à federação. Isso amplia o leque de opções e aumenta a disponibilidade de árbitros no primeiro semestre, período em que competições estaduais de grande porte ainda não estão em andamento.

“Temos árbitros de campeonatos de grande porte, são o ‘top do top’ do futsal. Isso eleva muito o nível das competições amadoras, traz segurança, confiança e responsabilidades”, disse.

Lições e desafios

Episódios polêmicos registrados em 2025 reforçaram a importância da organização e do cumprimento rigoroso dos regulamentos. Experiências do futsal – como controle mais rígido das substituições, atuação integrada de mesários e uso de comunicação por rádio – servem de exemplo para o futebol de campo, que ainda enfrenta dificuldades em alguns campeonatos.

A tendência para 2026 é de mais atenção a esses detalhes, com regulamentos mais claros e fiscalização reforçada, justamente para evitar controvérsias que desviam o foco do jogo.

Se dentro de campo o nível técnico cresce, fora dele o principal desafio está no bolso. A inflação nos valores cobrados por atletas preocupa dirigentes e organizadores. Pagamentos por jogo, bônus por gols, assistências, metas individuais e até exigências de material esportivo se tornaram cada vez mais comuns, inclusive entre jogadores jovens.

Esse cenário já provoca reflexos diretos. Algumas equipes avaliam se conseguem, de fato, participar de competições tradicionais em 2026. Há municípios que repensam formatos de campeonatos, com a redução de categorias ou novos modelos alternativos para manter o futebol ativo sem comprometer os cofres.

Com isso, Pivi faz um alerta direto sobre o cenário: “Os jogadores cobram para jogar, assinar, por gol, por assistência. Isso inflaciona muito as competições”.

Resta agora equilibrar a paixão pelo jogo com a responsabilidade financeira, para que o crescimento visto em 2025 não seja apenas um pico isolado, mas a base de um futebol amador mais organizado, sustentável e competitivo nos próximos anos.

Assista à entrevista:

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