Possamai projeta exportação de cachaças

Projeto familiar iniciado durante a pandemia aposta na diversificação e no controle total da produção para ampliar mercados

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Alex e Renata Possamai / Crédito: Thiago Maurique

Projeto iniciado em meio à pandemia de covid-19, a Cachaçaria Possamai surgiu como alternativa de renda da propriedade rural familiar. Com formação técnica em Química e Cervejaria, Alex Possamai avaliou os custos elevados para implantar uma cervejaria e, junto com a família, optou pela produção de cachaça a partir da cana-de-açúcar cultivada na própria área.

O sucesso do projeto tem participação decisiva de Renata Possamai, responsável pelas operações agrícolas. Após 2 anos de mercado, a cachaçaria projeta a ampliação da atuação para outros estados e planeja iniciar a exportação, com foco nos Estados Unidos, apostando na rastreabilidade, na identidade da marca e na valorização da cachaça de qualidade.

Grupo Popular – Quando surge a ideia de iniciar o negócio?

Alex Possamai – O projeto começou em meio à pandemia, entre 2020 e 2021. Sempre trabalhei na área de bebidas, sou formado pela Univates como técnico em Química, depois fiz técnico em Cervejaria. Meu sonho sempre foi ter uma cervejaria. Quando voltei para casa, em 2020, pensei em iniciar uma na propriedade. Eu já produzia cerveja em pequena escala, mas me deparei com o custo dos equipamentos. Foi aí que sentei com o meu pai e começamos a pensar em outras formas de viabilizar um negócio que tivesse relação com a minha área. Nesse processo, surgiu a ideia da cana-de-açúcar e da produção de cachaça.

GP – Desde o início, a proposta foi plantar a própria cana?

Alex – Nós já tínhamos um pouco de cana na propriedade e conseguimos viabilizar o início do projeto com um custo bem menor do que o de uma cervejaria. A cerveja exige mais etapas de produção, enquanto a cachaça tem processos mais simples e a matéria-prima pode ser produzida na própria propriedade. Em 2021, começamos a estruturar o projeto, inclusive buscando financiamento. Foi nesse momento que também trouxemos a minha irmã, a Renata, para participar.

GP – A família segue com as atividades tradicionais do agro?

Alex – Sim. Hoje, meu pai e minha mãe seguem com a produção de leite e com frango de corte, que sempre foram as atividades principais da propriedade. Eu saí cedo de casa, comecei a trabalhar fora aos 18 anos. A Renata também saiu, como acontece com muitos jovens do meio rural, que buscam estudar e trabalhar fora por falta de oportunidades ou estrutura no campo. Isso tem mudado ao longo do tempo, com mais investimentos e linhas de crédito para os jovens permanecerem no meio rural, o que me incentivou a voltar. Hoje, seguimos com o gado de leite, um pouco de frango de corte e, agora, a produção de cachaça.

GP – Qual o papel da diversificação para as famílias rurais?

Renata – É essencial. Nunca se sabe como vai estar o preço do leite, por exemplo, que hoje está bastante baixo. É importante ter outras fontes de renda para compensar. Muitas famílias trabalham com frutas, hortaliças ou outras atividades. Não é mais possível depender de uma única produção. É importante entender que o meio rural também é uma empresa. Além de acordar cedo e do trabalho manual, é preciso sentar, planejar e pensar estrategicamente. Isso vale para todos os setores dentro da propriedade rural.

GP – Quais foram os principais desafios do início da cachaçaria?

Alex – O primeiro desafio foi, sem dúvida, o investimento. Procuramos vários bancos em busca de linhas de crédito e recebemos muitos “nãos”. Tivemos que reduzir bastante o projeto inicial para conseguir viabilizar financeiramente. O segundo desafio foi a contabilidade e a parte tributária. No início, contratamos uma contabilidade sem experiência no setor de bebidas e enfrentamos dificuldades até encontrarmos uma assessoria especializada que nos desse o suporte adequado.

GP – O que vocês diriam para quem encontra essas mesmas barreiras?

Renata – O fato de sermos quatro irmãos ajuda muito, porque cada um contribui com o conhecimento da sua área. Ele é fundamental, por isso, é importante conversar com outras pessoas, trocar experiências, buscar informação. A gente não sabe tudo. Nós nos preparamos o máximo possível para que, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) chegasse para a vistoria, estivesse tudo 100% organizado.

Alex – Desde o início nos preocupamos em criar e registrar a marca. O registro é fundamental para não perder todo o trabalho depois. A cachaça sempre foi um produto um pouco desvalorizado, então queríamos uma apresentação à altura da qualidade que entregamos. Criamos um conceito de brasão da família. O rótulo e a garrafa são a primeira impressão do cliente; se não forem atrativos, ele fica receoso até de experimentar o produto.

GP – Quais as projeções para o futuro da Possamai?

Alex – Temos apenas 2 anos de mercado e ainda muito a percorrer. Queremos ampliar a atuação para outros estados e iniciar a exportação, especialmente para os Estados Unidos. Hoje, produzimos cerca de 10 mil litros por ano, em uma área de 4,5 hectares de cana. Praticamente não temos funcionários. Em janeiro, vamos lançar dois novos licores, de limão siciliano, no estilo limoncello, e de amora. Também lançaremos a segunda cachaça da linha Descendências, em homenagem a João Possamai. A ideia é conquistar novos mercados, sempre com os pés no chão.

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