Golpes financeiros se sofisticam com uso de engenharia social

Entre as fraudes mais comuns está o golpe da falsa central de atendimento.

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Crédito: RDNE Stock project Donate / Divulgação

Os golpes financeiros no país têm evoluído não apenas na execução tecnológica, mas principalmente no aspecto comportamental. A ação explora emoções como medo, urgência e confiança para induzir o erro das vítimas. De acordo com pesquisas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 36% dos brasileiros já foram alvo de tentativas de golpe, com cerca de 76 tentativas por minuto.

 A engenharia social tornou-se um dos métodos mais disseminados. Ela consiste em manipular o indivíduo para que ele acredite em cenários inexistentes e, a partir disso, forneça informações ou execute ações favoráveis ao criminoso.

De acordo com Luís Felipe Strazzabosco, gerente de Serviços Compartilhados da Sicredi Ouro Branco RS/MG, no campo preventivo, as instituições financeiras passaram a investir em soluções tecnológicas para impedir que o golpe se concretize. 

“Hoje temos sistemas que identificam automaticamente o comportamento financeiro do associado. Quando ocorre uma movimentação fora do perfil, como compras de alto valor sem histórico, a conta ou o cartão pode ser bloqueado preventivamente para evitar prejuízos maiores. Isso dá tempo para o associado procurar a agência e entender o que aconteceu”, afirma. 

Segundo Strazzabosco, o erro mais comum das pessoas é não agir rapidamente. “Ao suspeitar de um golpe, a orientação é parar o contato imediatamente, não fornecer mais informações, procurar sua agência ou instituição financeira para iniciar os procedimentos de segurança e registrar um boletim de ocorrência”, complementa.

Além dos alertas emitidos por especialistas em segurança digital, a Brigada Militar também reforça orientações à população sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial por criminosos. A corporação aponta que os golpistas recorrem à tecnologia para simular vozes, criar conversas automatizadas e produzir mensagens mais convincentes, dificultando a identificação por parte das vítimas. 

A instituição orienta que qualquer suspeita seja comunicada às autoridades e ressalta a importância de não compartilhar dados sensíveis, mesmo diante de contatos que aparentem autenticidade.

Brasil lidera números e reforça alerta

Além da Febraban, pesquisas recentes indicam que o perfil das vítimas de golpes no Brasil é mais amplo do que o imaginado, alcançando diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade. Embora idosos sejam frequentemente considerados os principais alvos, levantamentos de 2024 e 2025 mostram que a maior parte das vítimas de crimes virtuais está entre 16 e 29 anos, faixa composta por jovens e adultos economicamente ativos.

Entre as fraudes mais comuns está o golpe da falsa central de atendimento, no qual golpistas se passam por colaboradores de instituições financeiras e afirmam que houve um problema na conta da vítima. A partir dessa narrativa, convencem o consumidor a realizar transferências, instalar aplicativos ou fornecer dados sensíveis, como senhas e informações bancárias.

Outro esquema recorrente envolve a clonagem de WhatsApp e outras redes sociais. Ao acreditar estar conversando com um familiar ou amigo, a vítima realiza transferências, paga boletos ou envia valores para supostos pedidos emergenciais. 

Também são frequentes os casos de falsos anúncios de venda de veículos, imóveis e eletrônicos, nos quais o criminoso utiliza perfis clonados para transmitir credibilidade e obter vantagem financeira.

Para tentar coibir as fraudes, o setor bancário brasileiro adota uma postura cada vez mais proativa no enfrentamento aos golpes financeiros. As estratégias combinam o uso de tecnologia, mecanismos de bloqueio e melhorias no atendimento ao consumidor, especialmente após a popularização do Pix. 

Sinais de alerta

  • Contato por números desconhecidos;
  • Solicitação de dados pessoais ou financeiros (o Sicredi não solicita esse tipo de informação);
  • Pedido para instalar aplicativos ou acessar links enviados;
  • Solicitação de “transferência teste”;
  • Discurso de urgência exagerada e pressão para agir rápido.
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