À frente de empreendimentos que marcaram o desenvolvimento recente do Vale do Taquari, como o 386 Business Park e o Urban Center Conventos, José Carlos “Juca” Richter construiu sua trajetória no setor imobiliário com foco em planejamento urbano, integração de serviços e visão de longo prazo. Com mais de três décadas de atuação no setor, ele lidera o Richter Gruppe, empresa que já começa a expandir os negócios para além da região, apostando em projetos estruturados e alinhados às transformações do mercado.
Em entrevista para o programa Inteligência Empresarial da Rádio Popular, Juca Richter aborda os conceitos que orientam os projetos, os impactos das enchentes no mercado e a diversificação na esfera do futebol. Também aborda os planos da empresa, como expansão para Nova Santa Rita e Pelotas, além do Litoral gaúcho e Santa Catarina.
Grupo Popular – Qual a origem do empreendedor Juca Richter?
José Carlos Richter – Sou nascido em Canudos do Vale, na época pertencente a Lajeado, filho de Valdemar e Olinda Richter. Meu pai foi prefeito de Forquetinha, vereador, professor e historiador, deixando um legado de gestão pública correta. Saí de casa aos 15 anos para trabalhar durante o dia em troca do almoço e estudar à noite no “Castelinho”, em Lajeado. Essa base familiar e a convivência com a gestão pública me deram visão para os negócios. Atuo no mercado imobiliário há 32 anos.
GP – Como foi o teu ingresso no setor?
Richter – Minha história começou com Pedrinho Altmann, da Imobiliária Antares. Ele “inventou” Lajeado como é hoje, atraindo investimentos de famílias que prosperaram fora da região. Era uma pessoa que ia ao Rio de Janeiro, São Paulo e voltava com negócios feitos, assinado em guardanapos. Trabalhei com ele, depois tive outra sociedade na área, até que fundei o Richter Gruppe, que tem hoje 13 anos de história.
GP – Porque a decisão de abrir uma empresa e quais conceitos você trouxe para o Richter Gruppe?
Richter – Trouxemos o sobrenome para honrar o legado de transparência do meu pai. O diferencial é que o projeto precisa ter propósito e sinergia, não focamos apenas em números. Um exemplo é o Caminho de Colinas, onde entendemos a cultura local e preservamos uma casa centenária que hoje abriga um café. Todos os estudos são conectados à cultura local.
GP – Qual foi o primeiro empreendimento do Richter Gruppe?
Richter – Foi no Bairro Universitário, focado em um loteamento industrial perto da Iveco. Ele conectou o distrito industrial de Lajeado à BR-386, dando visibilidade e acessibilidade a uma área que não estava sendo utilizada. É um empreendimento que está praticamente hoje todo construído.
GP – Um empreendimento de destaque foi o Urban Center Conventos. Como surgiu essa proposta?
Richter – A ideia surgiu em conversas com Valdir Bündchen, pai da Gisele Bündchen, que nos sugeriu estudar cidades inteligentes. Pesquisamos o Quartier, de Pelotas, e compactamos o conceito de bairro planejado para um grande boulevard. Trouxemos a área pública para o meio do empreendimento, integrando negócios, lazer e serviços como bancos, farmácias e academia, para descentralizar o centro urbano. É um sucesso e se tornou um ponto de encontro no bairro. É um modelo pioneiro que pode ser replicado em qualquer cidade.
GP – O 386 Business Park veio logo depois?
Richter – Sim. A ideia foi criar um ecossistema de negócios e um ponto de parada e destino na rodovia. A primeira empresa a se instalar foi a Medical San. Hoje temos a STW, de robótica, um posto de combustível, o restaurante Parrileiro, o Strip Mall e o banco Sicredi. O entorno se desenvolveu muito com a chegada do Mercado Livre, Passarela e CCR. Tornou-se uma referência nacional de endereço para negócios. Hoje, a comunidade utiliza o local e marcas de fora, como de São Paulo, demonstram interesse em se instalar ali.
GP – Vocês também fizeram um empreendimento no Bairro Bom Pastor, em Lajeado. Como foi a ideia?
Richter – Sempre tive a percepção de que o Bom Pastor seria o novo centro de Lajeado. Convenci o Sicredi a abrir uma agência lá antes mesmo de começarmos a empreender. Hoje o bairro tem supermercado, farmácias e academia, desenvolvendo-se de forma organizada. Como empreendedor, temos o dever de olhar para o que vai acontecer, não simplesmente entregar terrenos. Precisamos pensar em algo que potencialize a região.
GP – O quanto a enchente impactou o mercado?
Richter – Felizmente, nenhum empreendimento nosso foi atingido, pois somos cautelosos na pesquisa das áreas. Mas a tragédia mudou o mercado. Muitas empresas buscaram o Business Park por segurança e visibilidade, como a STW, que foi inundada na antiga sede. Agora, as empresas priorizam locais seguros para funcionários e patrimônio. Muitas outras empresas que sofreram com as enchentes querem segurança para elas e para os funcionários.
GP – O Richter Gruppe projeta atuar em outras regiões?
Richter – Temos trabalhado muito aqui na nossa região, fortalecendo as nossas pernas e os nossos braços de negócios. Mas estamos expandindo para outras cidades. Temos um empreendimento em andamento na parte de documentação em Nova Santa Rita, perto do Velopark. Estamos com um projeto em Pelotas também e perspectivas, tanto no Litoral gaúcho como em Santa Catarina.
GP – Como surgiu a atuação como empresário de jogador de futebol?
Richter – Temos o projeto social Craque Solidário, que já trouxe o Zico para a região e apoia a Apae. No braço de investimentos, faço mentoria para atletas como Gabriel, da Chapecoense, Léo Gaúcho, do Operário, e Pedro, do Novo Hamburgo. Auxilio na caminhada profissional e psicológica, tratando o futebol como um negócio.
GP – Qual a projeção de futuro do Richter Gruppe?
Richter – Vejo a empresa crescendo de forma pontual e assertiva. Construímos uma base sólida e temos autoridade para empreender. Queremos expandir para outras cidades, sempre entregando algo que melhore a vida da comunidade e fortaleça o Vale do Taquari como um polo reconhecido fora da região.


