
A direção do 8º Núcleo do Sindicato das Professoras(es) e Funcionárias(os) de Escola do RS (CPERS) iniciou nesta semana uma caravana por escolas do Vale do Taquari. A atividade integra mobilização estadual organizada pelo sindicato e prevê visitas aos 42 núcleos da entidade, com o objetivo de debater a defesa da escola pública e as condições de trabalho dos profissionais da educação.
De acordo com a diretora-geral do 8º Núcleo, Luzia Hermann, o roteiro inclui escolas de Taquari, Tabaí, Lajeado, Cruzeiro do Sul, Santa Clara do Sul, Teutônia, Paverama, Bom Retiro do Sul, Fazenda Vilanova e Estrela. “É uma caravana em defesa da escola pública e da democracia”, afirma.
Segundo ela, a situação do setor provoca preocupação devido à precarização, ao excesso de burocracia e à falta de valorização dos profissionais. “O sindicato tem recebido relatos de sobrecarga de trabalho, aumento de tarefas administrativas e dificuldades para atender a demandas pedagógicas”, alerta.
Conforme Luzia, professores relatam que parte do tempo é consumida com preenchimento de planilhas, relatórios e sistemas, o que reduz o tempo dedicado ao planejamento das aulas.
Outro ponto citado é o número elevado de alunos por turma e a falta de profissionais de apoio para atender estudantes com necessidades específicas. “Há escolas com vários alunos com laudo e poucos monitores. Isso tem causado muito adoecimento, com casos de ansiedade, estresse e afastamentos”, relata.
A dirigente também critica a aplicação de recursos na rede estadual. Segundo ela, há investimentos em itens administrativos enquanto faltam melhorias estruturais e pedagógicas.
Piso salarial e enchentes
Outro tema recorrente nas reuniões é a situação salarial da categoria. O sindicato sustenta que mudanças no plano de carreira reduziram conquistas históricas. Conforme Luzia, o modelo de subsídio implantado pelo governo estadual teria incorporado vantagens antigas em parcelas que não geram aumento real.
Segundo ela, o reajuste anunciado não chegou para todos, pois há aposentados sem paridade e funcionários que recebem valores muito baixos. “Defendemos que o índice do piso nacional seja aplicado a toda a categoria, sem distinção”, afirma.
O sindicato também aponta falta de concursos e aumento de terceirizações em funções de apoio, como merenda e limpeza, além de dificuldades para reposição de servidores.
Durante a caravana, a entidade também cobra a recuperação de prédios escolares atingidos pela enchente de 2024. Mesmo quase 2 anos após os eventos climáticos, ainda há escolas funcionando em espaços provisórios no Vale do Taquari.
Plenária debate direitos das mulheres
O 8º Núcleo do CPERS Sindicato organiza para o dia 10 de março uma plenária regional alusiva ao Dia Internacional das Mulheres. O encontro ocorre no auditório da Escola Estadual de Ensino Básico (EEEB) Érico Veríssimo, em Lajeado, e reúne professores, funcionários e representantes de entidades de classe.
A atividade terá como palestrantes a delegada Márcia Bernini Colembergue, da Delegacia Especializada de Proteção à Mulher, a psicóloga e psicanalista Mariana Brandão e a professora Maria Andreia Oliveira de Andrade, integrante da direção central do sindicato. Segundo a organização, a proposta é discutir temas como violência contra a mulher, saúde mental, condições de trabalho e participação feminina nos espaços de decisão.
Interessadas em participar podem entrar em contato com o sindicato para inscrição e orientações sobre horário e local do evento. “Queremos ampliar o debate e envolver a comunidade. A valorização das mulheres e dos profissionais da educação faz parte da nossa luta em todo o estado”, conclui Luzia.

