Douglas Fensterseifer: “É fruto de anos dedicados à arbitragem”

Árbitro roca-salense ganhou prêmio de Revelação da Liga Gaúcha de Futsal.

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Roca-salense é um dos principais na arbitragem gaúcha - Crédito: Arquivo pessoal

O futsal gaúcho tem um novo nome em ascensão na arbitragem. Natural de Roca Sales, Douglas Fensterseifer foi eleito árbitro revelação da Liga Gaúcha. O reconhecimento coroa uma trajetória construída com dedicação, estudo e uma forte ligação com o esporte.

A premiação chega após alguns anos de atuação na arbitragem e representa, para ele, o resultado de um trabalho consolidado de cerca de 5 anos. “É muito gratificante. Neste ano, consegui colher os frutos”, afirma.

Antes de trocar as luvas pelo apito, Fensterseifer era conhecido nas competições regionais como goleiro. Defendeu equipes tradicionais do futebol amador do Vale do Taquari e participou de diversos campeonatos, experiência que se tornou um diferencial quando passou a atuar como árbitro.

Segundo ele, ter vivido o jogo dentro de campo facilita a leitura das partidas e ajuda na forma de lidar com as situações que surgem durante os confrontos. “Faz muita diferença. Tu consegue fazer a leitura do jogo e entender quando o jogador tenta te levar para um lado ou para o outro”, explica.

Com bom humor, Douglas lembra que, quando ainda atuava como goleiro, não era exatamente um atleta tranquilo em relação à arbitragem. Ele admite que costumava reclamar bastante e hoje encara a situação como uma espécie de retorno do destino. “Eu era muito chato com a arbitragem. Hoje brinco que pago meus pecados”, comenta ele.

Escolha e preparação

Quando iniciou a trajetória como árbitro, tinha a intenção de seguir carreira, principalmente no futebol de campo, modalidade que fez parte da maior parte de sua vida como jogador.

Com o tempo, percebeu que precisaria direcionar seus esforços para evoluir de forma mais consistente e acabou por escolher o futsal, modalidade que oferece calendário mais intenso e oportunidades frequentes de atuação.

“Em certo momento, vi que precisava escolher entre os dois. O futsal também permite atuar por mais tempo e tem muitas competições durante o ano”, afirma. Mesmo assim, ele não abandonou completamente o futebol de campo e segue em competições amadoras da região.

Por trás da atuação dentro das quadras existe uma rotina intensa de preparação. Para acompanhar o ritmo das partidas e manter o desempenho exigido em competições de alto nível, Douglas mantém disciplina na parte física e dedica tempo ao estudo das regras.

“Hoje, corro cerca de 12 quilômetros por dia para manter o condicionamento. O futsal exige muito da parte física e, se tu não estiver bem, perde em todos os sentidos”, relata.

Além disso, participa de cursos e reciclagens promovidos pela arbitragem, nos quais são discutidas atualizações e mudanças nas regras do esporte. Esse processo de aprendizado é essencial, já que alterações nas normas exigem adaptação, tanto dos árbitros quanto dos próprios atletas.

Deixar o jogo fluir”

Dentro das quadras, Douglas tem um estilo de arbitragem que busca valorizar o jogo em movimento. Ele prefere permitir que a partida flua sempre que possível e evita interrupções desnecessárias.

“Eu gosto do jogo jogado. Claro que falta desleal precisa ser marcada, mas nem todo contato precisa parar o jogo”, explica.

Segundo ele, atletas que gostam de futebol normalmente preferem partidas com menos interrupções e mais intensidade. “O boleiro quer jogar, ver a bola correr rápido e em um ritmo intenso”, acrescenta.

A mentalidade vem de algumas referências da região. O Vale do Taquari possui tradição na formação de árbitros que alcançam destaque no cenário estadual e nacional.

Douglas reconhece que exemplos próximos ajudaram a inspirar sua caminhada. Entre eles está o também roca-salense Leandro Pedro Vuaden. “Ter exemplos próximos faz diferença. Posso ver que é possível chegar lá e me motivo ainda mais”, comenta.

Responsabilidade e educação

Com o reconhecimento recebido na Liga Gaúcha, Fensterseifer entende que sua responsabilidade também aumenta. Ele explica que árbitros mais jovens passam a observá-lo como referência, e isso exige cuidado redobrado com postura e comportamento.

“A galera da nova geração começa a olhar para a gente como exemplo. Então, precisamos cuidar da postura, da forma como chegamos no ginásio e de como tratamos as equipes”, afirma.

Essa responsabilidade, segundo ele, vai além da atuação dentro das quatro linhas e envolve também a forma como o árbitro se posiciona fora das quadras, inclusive nas redes sociais.

Nas competições de base, a atuação do árbitro assume um papel ainda mais importante. Douglas acredita que, nesses jogos, a arbitragem também tem função educativa. “Muitas vezes, o atleta é novo e os pais estão muito emocionados na arquibancada. Precisamos ajudar a orientar para o jogo acontecer da melhor forma”, relata.

Em algumas situações, inclusive, ele já precisou interromper partidas para conversar com torcedores e pedir mais calma nas arquibancadas.

Jogo a jogo

Mesmo com o reconhecimento recente, Douglas sabe que a carreira na arbitragem é construída passo a passo. Diferente de outras funções no esporte, o árbitro depende diretamente da avaliação de cada atuação para seguir escalado. “O que garante o próximo domingo é ter ido bem na semana anterior”, resume.

Com dedicação, disciplina e a experiência acumulada ao longo dos anos dentro do esporte, o árbitro de Roca Sales amplia seu espaço nas quadras do futsal gaúcho, agora com o título de revelação da LGF e a expectativa de novos capítulos em sua trajetória.

Assista à entrevista:

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