
Farmacêutico formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ramatis Birnfeld de Oliveira é mestre em Bioquímica (UFRGS), doutor em Fisiologia Humana (University of Newcastle – Austrália) e tem cinco pós-doutorados.
Além disso, é suplente de vereador de Lajeado pelo Partido Liberal. Ao longo de 2025, assumiu a cadeira de Luis André Benoitt, que estava como secretário municipal de Meio Ambiente. Ramatis ganhou notoriedade regional com sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras de Lajeado.
Apesar de esta ser sua primeira experiência na política, ele já projeta um novo desafio: neste mês, anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual.
Grupo Popular: Como tem sido a experiência na Câmara de Lajeado?
Ramatis Birnfeld de Oliveira: Fui eleito para suplente com 579 votos, sendo o primeiro do PL. Assumi a cadeira por cerca de 1 ano, durante o afastamento do titular, Luís Benoitt. Agora, retorno em momentos específicos por conta da CPI das Obras. É uma experiência intensa, principalmente nesse primeiro ano, marcado por muito trabalho.
GP: Como começou a sua trajetória na política?
Ramatis: A primeira vez que concorri foi em 2024. Brinco que o resultado foi quase um milagre, porque, normalmente, há toda uma construção anterior. Sou natural de Piratini, mas vim para Lajeado em 2014 por conta da Univates, onde sou professor e um dos fundadores do curso de Medicina. Em 2016, recebi um convite do médico Fábio Fraga para participar mais ativamente da política. Comecei nos bastidores, na parte de apoio, até que surgiu a oportunidade de disputar a eleição.
GP: O que motivou a decisão de se lançar pré-candidato?
Ramatis: Foi um movimento natural. Após o primeiro ano de atuação, recebi incentivo de lideranças e de pessoas da comunidade. Avalio que posso ampliar esse trabalho em nível estadual. Como disse um deputado parceiro, existem dois caminhos: ou a gente se elege ou fortalece o nome. Então, é uma oportunidade de crescimento político.
GP: O Vale não possui um representante na Assembleia. Como avalia isso?
Ramatis: Esse é o problema. O Vale do Taquari é uma potência econômica e precisa de presença direta dentro da Assembleia. Boa parte da economia do estado vem da nossa região e, por exemplo, não tínhamos ninguém para falar por nós sobre os pedágios. Dependemos de parlamentares de outras regiões para trazer recursos e discutir pautas. Precisamos de alguém que conheça as peculiaridades e as demandas locais e defenda temas regionais com a propriedade de quem é daqui.
GP: Quais as suas principais bandeiras?
Ramatis: Temos pautas macro e microrregionais. Entre elas, a questão dos pedágios, infraestrutura, saúde e abastecimento de água. Na saúde, defendo mudanças na gestão para reduzir filas e dar mais autonomia aos municípios. Especialmente com o Sistema de Gerenciamento de Consultas (Gercon), que, para mim, é o maior “câncer” do nosso sistema de saúde. Enquanto não devolvermos o poder de decisão para os municípios, vamos depender do estado e filas quilométricas. Outra coisa é o apoio ao empresariado, o médio e o pequeno produtor. O incentivo que eles precisam é justamente a gente trabalhar em legislação para diminuir o custo. Se não formos competitivos ou se vem um produto de fora muito mais barato, a gente vai quebrar. Estamos pagando mais barato? Sim, mas aí quanto de desemprego a gente tem? No fim, estamos por pagar um pouquinho mais barato, gerando miséria. O modal rodoviário é outro exemplo. Vamos pagar mais que o dobro do custo por quilômetro rodado com o free flow. Dobra o custo da matéria-prima que chega no empresário, da ração para o produtor, do produto que sai dali e assim vai indo.
GP: Por que apostar em um nome novo na política para representar a região?
Ramatis: Porque grande parte da política que decepciona a população ainda está ligada a práticas antigas. Não quer dizer que não existam bons políticos de carreira – eles estão aí, mas em minoria. Acredito que práticas como troca de favores, conchavos e irregularidades precisam ser superadas pelo voto. A proposta é renovar, trazer novas ideias e uma forma diferente de fazer política. Não se trata de idade, mas de atitude. A ideia é representar a região, dar voz às demandas locais e buscar soluções concretas. É um desafio grande, mas necessário.
