À frente da Vincere Construtora e da Teutoaço, o engenheiro civil Eduardo Gravina consolidou sua atuação no setor da construção civil no Vale do Taquari a partir de uma trajetória marcada pelo empreendedorismo familiar e crescimento orgânico dos negócios. Eleito presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) na semana passada, o empresário projeta desafios na condução da entidade, especialmente em um ano que combina a realização da Expovale + Construmóbil e o cenário eleitoral. Em entrevista ao Inteligência Empresarial, Gravina aborda sua caminhada corporativa, o cenário da construção civil na região e as prioridades à frente da entidade.
Grupo Popular – Como começa a tua trajetória no empreendedorismo?
Eduardo Gravina – É oexemplo que tenho de casa. Meu pai foi empreendedor a vida inteira, desde que saiu da faculdade, engenheiro civil como eu. Minha mãe também sempre teve essa veia, mesmo atuando como advogada para grandes empresas, sempre manteve o escritório próprio. É uma característica familiar que remonta aos meus avós. Hoje todos os meus irmãos são empreendedores, cada um na sua área. Então, desde a faculdade, quando fiz estágios e trabalhei em empresas, ao me formar já busquei o caminho do empreendedorismo, com muito incentivo de casa.
GP – De que forma nasce a Vincere Construtora?
Gravina – Quando me formei, abri um escritório de projetos e comecei com algumas obras menores. Depois de cerca de 2 anos, percebi que precisava de alguém para compartilhar as responsabilidades. Convidei o meu sócio hoje, o Diogo Dickel, de Teutônia. Ele trabalhava em outra empresa, estava prestes a ser pai, mas topou o desafio. Em 2017, nos unimos e criamos a Vincere. Começamos com projetos e obras menores, mas rapidamente avançamos para obras maiores e concorrências mais relevantes.
GP – Quando a Teutoaço entra nesse processo?
Gravina – A Teutoaço surgiu em 2021, ainda no contexto da pandemia. Estávamos com dificuldade para conseguir material para nossas obras. Decidimos investir em máquinas para produzir o aço que precisávamos. Com isso, começaram a surgir oportunidades de negócio. A empresa foi crescendo aos poucos, inicialmente atendendo nossa própria demanda, e, depois, ampliando atuação. Hoje, ainda tem a Vincere como principal cliente, mas já tem outros sócios e atua de forma independente. Existe preferência comercial, mas cada empresa segue seu caminho.
GP – Como você avalia o setor da construção civil no Vale do Taquari?
Gravina – Eu não atuo na incorporação, mas me chama atenção a quantidade de empreendimentos e como o mercado segue aquecido. Há muitos projetos novos em cidades como Lajeado, Teutônia e Estrela. Ao mesmo tempo, existe preocupação com os juros, que impactam principalmente quem precisa de financiamento. No setor público, há muitas obras por causa das enchentes, com reconstruções e ampliações. Já no setor privado, grandes empresas continuam a investir, mas pequenos e médios enfrentam mais dificuldades por conta do custo do crédito.
GP – Como foi assumir o desafio de presidir a Acil?
Gravina – É uma entidade com mais de 100 anos de história. O principal desafio de quem assume a Acil, ou mesmo de quem participa da diretoria, é manter esse legado, essa caminhada centenária, construída a partir de pautas muito relevantes. Um exemplo clássico é a BR-386. Ela não era para passar por Lajeado, e isso aconteceu por uma atuação muito forte da Acil. Hoje, o desenvolvimento da cidade está diretamente ligado a essa decisão. Quem estava envolvido naquela época talvez não imaginasse o impacto que isso teria.
Essa conexão também vem de casa. Quando entrei na diretoria, antes mesmo da galeria de presidentes ser retomada após a enchente, descobri que meu avô foi presidente da ACIL, algo que eu não sabia. Isso ajuda a explicar muita coisa da vivência familiar. O exemplo do empreendedorismo e do voluntariado sempre esteve presente.
GP – Quais os benefícios de integrar uma entidade empresarial?
Gravina – Minha mãe participou por muitos anos da diretoria da OAB, sempre envolvida com a entidade. Meu pai também teve atuação no Crea, ajudou a fundar o Seavat no Vale do Taquari e foi presidente do Hospital Bruno Born por vários anos. Na época, dentro de casa, a gente até questionava essa dedicação, mas hoje eu entendo o motivo. Existe um retorno, mesmo que não financeiro. O cargo não tem remuneração, mas proporciona visibilidade, relacionamento e a oportunidade de contribuir com pautas coletivas. O principal é poder participar de discussões que impactam a comunidade como um todo, não só o meio empresarial, mas desde o cidadão mais simples até os maiores empresários.
GP – O que esperar do 2026 da Acil?
Gravina – O desafio é grande, especialmente em um ano que reúne feira e eleições. Em relação às feiras, temos a Expovale + Construmóbil em novembro, com um trabalho intenso, reuniões semanais da comissão e uma mobilização significativa. Já no contexto eleitoral, o desafio é pautar os candidatos, e não ser pautado por eles. A entidade precisa levar suas demandas estruturais, logísticas e do ambiente de negócios, para que os candidatos assumam compromissos. A Acil promoverá encontros, como reuniões-almoço, com todos os candidatos ao governo do Estado, que serão convidados a apresentar suas propostas e a responder às diretrizes definidas pela entidade.
GP – Como você projeta o futuro dos dois negócios?
Gravina – Nos negócios, a gente sempre buscou crescimento de forma orgânica, sem forçar a barra. A ideia é continuar nessa caminhada. Sou muito grato ao meu sócio pelo empenho e também por permitir que eu possa me afastar um pouco das atividades para me dedicar à Acil. A expectativa é manter essa linha nos dois negócios, com simplicidade, humildade e foco no relacionamento. A gente costuma dizer que não se trata de fazer uma obra para um cliente, mas a primeira obra para fazer a segunda. É assim que conduzimos, com pé no chão e buscando consistência.

