Empresa com mais de quatro décadas de história, a Metalúrgica Wagner envia equipamentos industriais de Westfália para todo o Brasil. Em entrevista ao Inteligência Empresarial, a diretora Carina Wagner e filho, Rafael Wagner, representantes da 2ª e 3ª gerações da família, detalharam a trajetória da empresa, fundada em 1º de abril de 1980 pelo empresário Arcelo Wagner.
A empresa iniciou de forma artesanal, em um espaço improvisado junto à residência da família, com produção voltada a itens domésticos e ferramentas para o meio rural, apoiada na experiência prévia do fundador no setor metalúrgico.
Ao longo dos anos, o negócio passou por uma mudança estratégica que ampliou seu alcance. A partir dos anos 2000, com o desenvolvimento e adaptação de equipamentos industriais, especialmente voltados à transformação de plásticos, a empresa conquistou mercado fora da região e começou a atender clientes em nível nacional.
Hoje, a Metalúrgica Wagner atua em três frentes: equipamentos industriais, soluções para fábricas de ração e linhas de reciclagem. A empresa mantém a produção integral em Westfália e uma gestão familiar voltada ao crescimento gradual e à continuidade do legado iniciado há quase 46 anos.
Grupo Popular – Qual a origem da Metalúrgica Wagner?
Carina Wagner – Sou filha do proprietário e fundador, Arcelo, e da Liselote. Nós estamos em Westfália desde 1º de abril de 1980. A empresa começou quando eu tinha 5 anos, então acompanhei toda a trajetória, todo o crescimento, pedra por pedra, tijolo por tijolo, desde criança. É maravilhoso poder participar e estar junto no desenvolvimento regional e municipal, sendo hoje uma empresa com o nome pelo Brasil e mostrando com qualidade aquilo que a gente faz.
GP – Como nasceu a empresa?
Carina – Meu pai é de 1952 e trabalhou sempre no ramo metalúrgico. O meu avô veio para Westfália para trabalhar na área da funilaria na época, para fazer enxada, baldes, aquela coisa antiga. Meu pai abraçou isso e trabalhou durante 6 anos em outra empresa metalúrgica. Em 1980, ele decidiu que queria ter a sua empresa. Começou do zero absoluto, sem capital ou matéria-prima. Lembro da nossa casinha de dois cômodos e um puxadinho de 3×4 metros nos fundos, que era a lavanderia da minha mãe. Ali meu pai colocou duas mesas e começou a Wagner. Ele tinha muitos amigos que emprestaram bigorna, martelo, carro. Sempre foi de que a palavra e a amizade é o que vale. Começamos com ferramentaria para o lar: chaleiras, baldes, chuveiros, foices e rodas de carroça. Aos poucos, foi crescendo.
GP – Qual é a tua experiência com a metalúrgica?
Rafael Wagner – A Metalúrgica Wagner não tem uma atuação regional tão forte, mas a gente produz aqui, nossos produtos são daqui e as pessoas que trabalham são daqui. Tenho 23 anos e estou lá dentro desde os 5 ou 6 anos. Como trabalho fixo, faz 6 anos que estou na empresa e passei por todos os setores: qualidade, almoxarifado, montagem, e hoje a gente está à frente do negócio, dando um apoio comercial e na parte financeira.
GP – O que fez a metalúrgica crescer ao longo desse tempo?
Rafael – As coisas começaram a variarlá pelos anos 2000. O meu avô desenvolveu um misturador que serviria para o agro, para fabricação de ração. O dono da Calçados Azaléia viu o equipamento e falou: “isso aqui pode funcionar na nossa parte industrial de plásticos”. Modificamos o projeto e colocamos na fábrica dele. Ali, a Wagner mudou do agro para o plástico e a transformação. Demos o salto, porque alcançamos mais clientes e passamos a ter abrangência nacional. Em 2003, construímos a primeira linha de moagem e lavagem de plástico para um cliente em Jardinópolis (SP). Hoje, a empresa é dividida em três partes: misturadores e secadores, fábricas de ração e linhas de reciclagem de plástico.
GP – Qual o desafio de manter o legado da empresa?
Rafael – É uma missão difícil, mas acontece naturalmente por estarmos em família. Honramos tudo o que foi iniciado. Somos muito pé no chão com investimentos, porque não gostamos de correr riscos, afinal, 55 famílias dependem de nós. Hoje, nosso principal cliente é o estado de São Paulo, mas 100% da fabricação é feita aqui em Westfália, nossa fábrica é 100% verticalizada. Temos um desafio sério de mão de obra na região, que se agravou com as enchentes de 2024, gerando sequelas psicológicas e transtornos de trânsito.
GP – Como a empresa trabalha para contratar e reter talentos?
Carina – Como a mão de obra é escassa, criamos uma escola interna. 90% das nossas contratações são pessoas sem experiência; o pré-requisito é ter vontade de aprender. Temos uns 20 jovens com menos de 25 anos. A tecnologia, como pontes rolantes e corte CNC, tirou o esforço físico bruto da metalurgia. Também conversamos com o poder público para cursos de capacitação para alunos do Ensino Médio, para manter o jovem no município.
GP – Por que se manter em Westfália se o principal mercado consumidor está em São Paulo?
Rafael – Pela qualidade de vida. Passo uma semana por mês em São Paulo comercialmente é ótimo, mas a qualidade de vida aqui é inexplicável. No Natal passado, colaboradores de São Paulo ficaram chocados ao ver pessoas assistindo a um show a céu aberto com segurança e tranquilidade.
Carina – Em Westfália as casas não têm grades e as pessoas deixam as portas abertas. Esse senso de comunidade nos segura lá. Já existiram convites para sair, mas o foco é ver Westfália crescer e mostrar o nome do município para o mundo.
GP – Como vocês enxergam o futuro da Metalúrgica Wagner?
Carina – Vejo a Wagner num patamar ainda maior, com a terceira geração consolidada e já pensando nos futuros netos. É gratificante ver o Rafael, uma pessoa centrada e com visão aberta, puxando a frente.
Rafael – O objetivo é crescer gradativamente sem perder o controle das operações nem o relacionamento com as pessoas. Estamos expandindo nosso administrativo de 100 para 500 metros quadrados para receber melhor os clientes. Não faremos aventuras, vamos crescer com o pé no chão, honrando o compromisso social e o legado.

