
A programação da Westfália em Festa foi palco para a estreia de uma iniciativa que busca aliar preservação ambiental, inovação no campo e oportunidades econômicas para agricultores da região. A ONG Sistema Vetiver Brasil foi fundada em Ilópolis, no Vale do Taquari, no dia 20 de março, com o objetivo de difundir o uso do vetiver (Chrysopogon zizanioides), uma planta de origem indonésia que tem ganhado destaque por suas múltiplas aplicações.
De acordo com o biólogo e vice-diretor administrativo da entidade, Leonardo Santi Bazanella, a proposta surge com foco em parcerias com municípios, empresas e produtores rurais.
O vetiver chama atenção por suas características únicas. Trata-se de um capim que não se espalha de forma invasiva, já que sua reprodução ocorre apenas por meio do replantio de suas raízes. Essa característica o torna seguro para o meio ambiente, ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades de uso.
Um dos principais benefícios do vetiver está na sua capacidade de contenção de solo. Com raízes profundas e resistentes, a planta é considerada uma aliada no combate à erosão e na estabilização de encostas, margens de rios e áreas próximas a rodovias. “Ele é o capim mais utilizado do planeta para salvar as barrancas de rios”, afirma Bazanella.
Após os eventos climáticos recentes no Rio Grande do Sul, soluções como essa passam a ser ainda mais necessárias para a recuperação de áreas degradadas. Além disso, o vetiver contribui para a retenção de água no solo, o que ajuda a manter a umidade e a proteger os recursos hídricos.
Uso na indústria e no tratamento de efluentes
Outro destaque está na versatilidade da planta. O vetiver pode ser utilizado na indústria química, farmacêutica e alimentícia, especialmente na extração de óleos essenciais a partir de suas raízes.
Também há aplicações no tratamento de efluentes industriais e domésticos. A planta pode ser inserida em sistemas de filtragem natural para auxiliar na remoção de nutrientes e na melhoria da qualidade da água. “Hoje, usamos ela em Estações de Tratamento de Água (ETAs), piscinas de efluentes de indústrias”, explica Leonardo.

Sistema de contenção com a planta vetiver / Crédito: Deflor Bioengenharia – Divulgação
Alternativa de renda no campo
Além dos benefícios ambientais, o cultivo do vetiver também se apresenta como uma oportunidade econômica para produtores rurais. A proposta da ONG é incentivar a diversificação das atividades no campo, especialmente entre pequenos agricultores, com uma cultura adaptável a diferentes climas e de baixo risco ambiental.
A produção pode ser feita em pequena escala, de forma a agregar valor à propriedade e contribuir para uma fonte de renda complementar aliada à preservação do meio ambiente.
Parcerias e expansão
A ONG está em busca de apoio de instituições, pesquisadores e empresas. A intenção é ampliar o conhecimento sobre o vetiver e implementar projetos práticos de recuperação ambiental em diferentes localidades.
A entidade também se coloca à disposição de municípios e interessados para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas, com foco na sustentabilidade e na inovação no uso de recursos naturais.
Com a proposta de integrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, o Sistema Vetiver Brasil inicia sua trajetória apostando em uma solução natural com potencial de impacto significativo no cenário regional.
O sistema já tem a parceria de entidades como a Embrapa e Sociedade, Confederação e Associações de Agronomia e de engenheiros agrônomos do estado.
