ONG visa à recuperação ambiental e geração de renda

Sistema é baseado em planta considerada aliada no combate à contenção do solo

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Biólogo Leonardo Santi Bazanella apresentou o sistema pela primeira vez na Westfália em Festa / Crédito: Rafaela Zappaz

A programação da Westfália em Festa foi palco para a estreia de uma iniciativa que busca aliar preservação ambiental, inovação no campo e oportunidades econômicas para agricultores da região. A ONG Sistema Vetiver Brasil foi fundada em Ilópolis, no Vale do Taquari, no dia 20 de março, com o objetivo de difundir o uso do vetiver (Chrysopogon zizanioides), uma planta de origem indonésia que tem ganhado destaque por suas múltiplas aplicações.

De acordo com o biólogo e vice-diretor administrativo da entidade, Leonardo Santi Bazanella, a proposta surge com foco em parcerias com municípios, empresas e produtores rurais.

O vetiver chama atenção por suas características únicas. Trata-se de um capim que não se espalha de forma invasiva, já que sua reprodução ocorre apenas por meio do replantio de suas raízes. Essa característica o torna seguro para o meio ambiente, ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades de uso.

Um dos principais benefícios do vetiver está na sua capacidade de contenção de solo. Com raízes profundas e resistentes, a planta é considerada uma aliada no combate à erosão e na estabilização de encostas, margens de rios e áreas próximas a rodovias. “Ele é o capim mais utilizado do planeta para salvar as barrancas de rios”, afirma Bazanella.

Após os eventos climáticos recentes no Rio Grande do Sul, soluções como essa passam a ser ainda mais necessárias para a recuperação de áreas degradadas. Além disso, o vetiver contribui para a retenção de água no solo, o que ajuda a manter a umidade e a proteger os recursos hídricos.

Uso na indústria e no tratamento de efluentes

Outro destaque está na versatilidade da planta. O vetiver pode ser utilizado na indústria química, farmacêutica e alimentícia, especialmente na extração de óleos essenciais a partir de suas raízes.

Também há aplicações no tratamento de efluentes industriais e domésticos. A planta pode ser inserida em sistemas de filtragem natural para auxiliar na remoção de nutrientes e na melhoria da qualidade da água. “Hoje, usamos ela em Estações de Tratamento de Água (ETAs), piscinas de efluentes de indústrias”, explica Leonardo.

Alternativa de renda no campo

Além dos benefícios ambientais, o cultivo do vetiver também se apresenta como uma oportunidade econômica para produtores rurais. A proposta da ONG é incentivar a diversificação das atividades no campo, especialmente entre pequenos agricultores, com uma cultura adaptável a diferentes climas e de baixo risco ambiental.

A produção pode ser feita em pequena escala, de forma a agregar valor à propriedade e contribuir para uma fonte de renda complementar aliada à preservação do meio ambiente.

Parcerias e expansão

A ONG está em busca de apoio de instituições, pesquisadores e empresas. A intenção é ampliar o conhecimento sobre o vetiver e implementar projetos práticos de recuperação ambiental em diferentes localidades.

A entidade também se coloca à disposição de municípios e interessados para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas, com foco na sustentabilidade e na inovação no uso de recursos naturais.

Com a proposta de integrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, o Sistema Vetiver Brasil inicia sua trajetória apostando em uma solução natural com potencial de impacto significativo no cenário regional.

O sistema já tem a parceria de entidades como a Embrapa e Sociedade, Confederação e Associações de Agronomia e de engenheiros agrônomos do estado.

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