Tradição e criatividade transformam a Páscoa em um cenário de celebração

Leonina Joris e Claudete Kunzler Beckenbach são exemplos de mãos que preservam a herança e o afeto dos antepassados

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Crédito: Gabriely Hartmann Mallmann

Em época de Páscoa, os tradicionais ovos de chocolate chamam atenção, mas o que cria a memória e a nostalgia é a decoração. Coelhos, ovos, enfeites cristãos, árvores de casquinha de ovos fazem com que esse momento seja visto como uma verdadeira celebração.

Na região dos Vales, Colinas chama atenção por sua dedicação na decoração. A cidade é ponto turístico para olhar, passear, comer um bom chocolate, caçar ovos e, principalmente, sentir o real significado da Páscoa. Além do caráter simbólico e celebrativo, a programação também impulsiona a economia local, com geração de renda e fortalecimento do comércio.

Visto o potencial de mobilização da comunidade, o município instituiu o Concurso de Melhor Ornamentação de Páscoa, que neste ano está na quarta edição. A programação premia a criatividade dos munícipes conforme as categorias Comércio, Entidades e Residências. Os primeiros colocados recebem vale-compras de R$ 350 e os segundos, de R$ 250, com uso no comércio local de Colinas. O investimento total na premiação é de até R$ 1.200.

Neste ano, Leonina Joris (68) foi a campeã na categoria residencial. Participante assídua do concurso, este foi seu segundo ano como campeã. Com um sorriso no rosto, ela relembra o processo de montagem da decoração deste ano e destaca as escolhas que deram um novo significado ao espaço. “Ano passado não tinha feito a árvore com os ovos, mas este ano eu pensei em fazer para trazer algo diferente. Botei um chimarrão e o chá de marcela, que pertence à Páscoa”, conta.

Mesmo com dois empregos, Leonina fez todas as suas decorações à mão. A árvore foi produzida com cascas de ovos reais, coloridos manualmente com papel crepom. “Eu fiz tudo com amor e carinho”, conta.

Em frente à residência, a decoração chama atenção com dois coelhos que preparam o tradicional “cri-cri”, doce de amendoim envolto em açúcar. Leonina conta que faz manutenção todos os dias, recolhe da chuva, refaz o doce e troca o chá. “A gente não faz para ganhar, mas porque gosta de ajudar o município com a vinda de mais turistas”, diz.

Em Westfália

Assim como Leonina, a professora Claudete Kunzler Beckenbach ajuda a dimensionar a força dessa tradição na região. Moradora de Westfália, ela também transforma a decoração em uma expressão de memória, afeto e participação comunitária.

“Quando eu começo a decorar a casa, vem muito a imagem da minha mãe e as lembranças dela”, afirma. Há décadas, ela mantém o costume de ornamentar a própria casa com peças artesanais, prática herdada.

Claudete conta que intensificou as decorações a partir do nascimento das filhas, cerca de 40 anos atrás, quando passou a produzir casquinhas de ovos coloridos, de forma manual, com papel.

Apesar de formada em Educação Física, a professora recebeu a oportunidade de atuar com as artes na escola na qual trabalhava. Ali, também pôde aflorar seu lado artístico.

Durante a trajetória profissional, além da docência, Claudete atuou por cerca de 30 anos na decoração de eventos do município de Westfália, sempre com dedicação e apoio de voluntárias e do poder público.

Seu trabalho foi marcado pelo uso criativo e acessível de materiais, com destaque para garrafas PET transformadas em cenouras, flores e estruturas de coelhos, além de papel, tecidos e outros itens reaproveitados. Com o tempo, as produções evoluíram para peças mais elaboradas, como bonecos de pano. No entanto, sempre valorizou o reaproveitamento.

Em paralelo, também exerceu a função de orientadora social no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), onde desenvolveu oficinas de artesanato voltadas a diferentes públicos, como mulheres, crianças e pessoas com deficiência.

Nessas atividades, ensinava técnicas com materiais simples e naturais, como a pintura de casquinhas de ovos com casca de cebola, chá e beterraba. Dessa forma, incentivou a criação de peças úteis para o dia a dia e, em alguns casos, como fonte de renda. Parte desse reconhecimento se reflete nas lembranças da comunidade, que ainda preserva objetos produzidos em suas oficinas, o que evidencia o impacto duradouro de seu trabalho.

Hoje aposentada, Claudete ainda produz peças sob encomenda, sempre únicas e detalhadas, como bonecos natalinos e de Páscoa, ursos, bolsas e itens de costura criativa.

Neste ano, sua casa repleta de coelhos e decorações em tamanho real chamam a atenção. Ela preserva os materiais com atenção e busca inovar a cada ano, mesmo com elementos já existentes.

Após encerrar suas atividades na decoração municipal, tirou um período de descanso. Porém, voltou a atuar na área recentemente, ao aceitar o convite do Município de Tupandi, no Vale do Caí, para ministrar oficinas de confecção de coelhos utilizados na ornamentação local.

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