Sesc Circo consolida Lajeado como polo circense

Festival chega à 11ª edição com grande adesão do público, programação descentralizada, além de artistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior

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Com público majoritariamente infantil, mais de 27 mil pessoas devem prestigiar as apresentações / Crédito: Thiago Maurique

O Vale do Taquari voltou a se transformar no principal palco da arte circense no Rio Grande do Sul. Nesta semana, Lajeado recebe a 11ª edição do Sesc Circo, evento que reúne dezenas de atrações gratuitas e ocupa diferentes espaços da cidade em um movimento cultural que se enraizou no cotidiano da comunidade.

A programação iniciou na terça-feira (7/4) e segue até este domingo (12/4). O festival soma 33 sessões de espetáculos e sete oficinas, além de intervenções em bairros e escolas. O lonão foi montado no Parque Linear, na Rua Décio Martins Costa (“Valão”), em espaço que resgata a memória dos circos itinerantes que marcaram gerações no município.

Na abertura oficial do evento, a prefeita de Lajeado lembrou da relação entre o espaço escolhido para os espetáculos e a história da cidade. “Antigamente, não havia pista de skate, nem pista de patinação, nem mesmo a estrutura urbana que temos hoje. O que havia era o circo, que agora volta para esse lugar”, ressalta.

Para a diretora do Sesc Lajeado, Betina Durayski, o terceiro ano consecutivo do evento na cidade confirma a consolidação do projeto. “É um investimento importante na promoção da cultura na cidade e na região. O festival é único no estado nesse formato, e o mais importante é que o público abraçou”, afirma ela.

A resposta da comunidade aparece nos números e na ocupação dos espaços. A expectativa é de cerca de 27 mil pessoas ao longo da programação, com sessões lotadas e atividades paralelas para atrair o público também fora da lona principal. “A grande participação das pessoas nos desafia a pensar em como ampliar ainda mais”, completa Betina.

Uma das novidades desta edição é a ampliação territorial do festival. Além das apresentações centrais, o Sesc Circo também chegou a bairros como Conventos e Jardim do Cedro, com atividades simultâneas. Para Betina, a estratégia reforça a percepção de que o festival deixou de ser apenas um evento pontual para se tornar parte da agenda cultural da cidade.

Arte que cria vínculo

Para os artistas, a evolução do público é perceptível. A atriz e palhaça Pati de La Rocha, que interpreta a personagem Massaroca, observa uma mudança no comportamento dos espectadores ao longo das edições. “Sempre pergunto antes de começar quem está vindo ao circo pela primeira vez. Cada vez menos pessoas levantam a mão. Isso mostra que a cultura do circo está entrando no dia a dia da cidade”, relata.

Ator e palhaço, Luís Cocolichio, da Companhia Circo Híbrido, apresentou dois espetáculos, sendo um solo e outro em grupo. Segundo ele, estar em um festival desse porte, com uma plateia cheia de crianças, é um dos principais motores do trabalho artístico.

Para o artista, o festival se destaca pela valorização do trabalho invisível por trás das apresentações. Lembra que, mesmo em um espetáculo solo, sete ou oito pessoas estão envolvidas em áreas que incluem iluminação, trilha, figurino e direção, além de muito ensaio e processo criativo. “Estamos em um espaço estruturado, com grande público presente. Isso nos enche de energia e alegria”, afirma Luís.

Organização e continuidade

Nos bastidores, a engrenagem do festival funciona com planejamento contínuo. Coordenador de Cultura do Sesc, Jewerson Mariani compara a dinâmica do evento a grandes produções. “É como um carnaval. Termina uma edição e já começamos a pensar na próxima. Inclusive, já projetamos 2027”, aponta.

Além da gestão, Mariani também atua na mediação com o público, na apresentação de espetáculos e condução de momentos da programação. “Tem o lado de organizar toda a estrutura, mas também, o momento de interação, de levar informação e aproximar as pessoas desse universo, o que é muito gratificante”, destaca Jewerson.

Toda a programação do 11º Sesc Circo é gratuita, com ingressos disponibilizados on-line no site sescrs.com.br. Mesmo com lotação em alguns horários, o público pode acompanhar atividades abertas no entorno, que incluem feira de artesanato, espaços de convivência e apresentações ao ar livre.

Programação segue até amanhã

11/4 (Sábado)

16h – Abracadabra Magic Show (Lona Sesc Circo)
17h – Desorquestralha (Largo da Lona)
19h – Compilação Circo Suno (Lona Sesc Circo)
20h – Circo In Verso (Largo da Lona)

12/4 (Domingo)

15h30 – Intervenção Circo Suno (Largo da Lona)
16h – O Maior Menor Espetáculo da Terra (Lona Sesc Circo)
17h – Circo In Verso (Largo da Lona)
19h – Esperando Beltrano (Lona Sesc Circo)

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