Operação Ex Officio apura uso de documento falso com assinatura de delegado gaúcho

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (9/12), a Operação Ex Officio, em Goiânia (GO), para investigar o uso de um documento fraudado que simulava a assinatura de um delegado gaúcho. A ofensiva é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

O caso começou em novembro de 2023, quando uma intermediadora de pagamentos do Paraná recebeu um ofício supostamente emitido pela Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudações do RS. O documento continha brasão, identidade visual e assinatura adulterada de um delegado, com pedido urgente de bloqueio e envio de dados de uma empresa paulista.

A fraude veio à tona após a companhia alvo da suposta investigação procurar a polícia para confirmar o pedido — que nunca havia sido emitido. Segundo o delegado Marcos de David, responsável pelo caso, o documento utilizava um modelo que já não era mais empregado pela corporação desde o período das enchentes.

A investigação identificou como suspeito um morador de Goiânia, de 26 anos, proprietário de empresas de tecnologia e gateways de pagamento. A polícia agora busca esclarecer a motivação da falsificação, com indícios de que ele pretendia obter vantagens financeiras. São apurados os crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica e uso indevido de identidade funcional.

Relação com golpes durante a enchente de 2024

O mesmo investigado já havia surgido em apurações da Força-Tarefa Cyber sobre fraudes cometidas durante a enchente de 2024. Ele teria vínculos com adolescentes envolvidos em esquemas que simulavam campanhas de doações para vítimas da cheia, utilizando perfis falsos e chaves Pix fraudulentas. A investigação aponta que gateways administrados pelo suspeito foram usados para movimentar valores obtidos nos golpes.

Segundo o diretor do Departamento de Crimes Cibernéticos, delegado Eibert Moreira Neto, o caso demonstra o grau de sofisticação e ousadia dos envolvidos. “O indivíduo fez uso de um documento falso em nome de um delegado que atuou na Força-Tarefa Cyber, o que evidencia o desrespeito às instituições e a necessidade de uma resposta firme do Estado”.

A polícia também apura se o investigado utilizou um documento autêntico da Força-Tarefa como base para criar a falsificação.

Orientação à população

A Polícia Civil alerta que comunicações oficiais são enviadas exclusivamente por e-mails funcionais (@pc.rs.gov.br). Empresas e cidadãos devem confirmar a autenticidade de ofícios suspeitos diretamente com a unidade policial indicada.

Documentos fraudulentos ou tentativas de golpe devem ser comunicados imediatamente às autoridades.

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