Prorrogação da nota eletrônica traz alívio, mas STR reforça: “Abril chega rápido”

Uso do talão do produtor segue até abril de 2026. Sindicato Rural reforça auxílio na transição para o sistema digital

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Apesar de ter facilidade com o mundo digital, Waldirio Beutler ainda prefere utilizar o talão impresso / Crédito: Thiago Maurique

A Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz) prorrogou até 30 de abril de 2026 o prazo para utilização do talão de produtor rural. A decisão beneficia produtores com receita bruta inferior a R$ 360 mil e atende a pedido da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag).

A entidade dialoga com o governo estadual sobre as dificuldades enfrentadas pela agricultura familiar no processo de migração para a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Segundo a Fetag, a prorrogação reconhece as diferentes realidades do meio rural, como limitações de conectividade, dificuldades no uso de aplicativos digitais e necessidade de capacitação contínua.

No Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia, Westfália e Poço das Antas, a proximidade do prazo original, fixado para o início de janeiro, gerou forte procura por orientação.

Presidente da entidade, Liane Brackmann avalia que a prorrogação trouxe alívio, mas reforça que a transição é irreversível. “Esses meses a mais são importantes, mas abril chega rápido. Nosso foco continua sendo a nota eletrônica”, afirma ela.

Levantamento realizado no fim de 2025 mostrava que apenas 10% dos produtores de Teutônia estavam adaptados ao sistema eletrônico. O sindicato atua desde o ano passado diretamente no suporte aos agricultores, com treinamentos, atendimento presencial e orientação para uso do aplicativo Nota Fiscal Fácil, desenvolvido pelo Estado. “Fortalecemos nossa equipe e estamos preparados para atender nos três escritórios. O sindicato não vai deixar ninguém na mão”, destaca Liane.

Entre os produtores que já fizeram a migração, a avaliação tende a ser positiva após a fase inicial de adaptação. Moradora de Linha São Jacó, a agricultora Elisete Spellmeier relata que a mudança parecia complexa no começo, mas trouxe ganhos práticos no dia a dia. “No início parecia um bicho de sete cabeças. O primeiro é difícil, até pegar o jeito. Depois fica bem mais prático. Não precisa mais carregar talão, tudo é feito pelo aplicativo”, comenta.

Segundo Elisete, o sistema eletrônico reduz riscos operacionais e facilita o controle da produção de leite e grãos. “Antes a gente fazia a nota em casa e mandava com o leiteiro. Agora a nota entra direto no sistema, não tem mais o risco de perder o talão e ainda tem um resumo mensal do que foi comprado e vendido”, observa ela.

Ela ressalta, no entanto, que a adaptação é mais difícil para produtores com menor volume de operações. “Meus pais emitem poucas notas por ano. Eles precisaram da nossa ajuda e do sindicato”, relata Elisete.


Moradores da Linha São Jacó, Claitor e Elisete Spellmeier utilizam o modelo eletrônico desde julho de 2025 / Crédito: Thiago Maurique

Mudança provoca resistência

A resistência inicial aparece principalmente entre produtores mais antigos. Aos 73 anos, o agricultor Waldirio Beutler, morador da Linha Wink, Teutônia, afirma que a mudança quebra uma lógica de décadas baseada no talão físico. “Sempre funcionou com o talão. Eu acho que não precisava mudar”, comenta.

Apesar disso, Beutler diz ter familiaridade com tecnologia básica e acredita que conseguirá emitir as notas eletrônicas. “Eu já mexo com aplicativo de banco, Pix, essas coisas. Só preciso entender bem o passo a passo”, detalha ele.

Segundo ele, a obrigatoriedade gera insegurança, principalmente entre quem tem menos intimidade com o celular. “Acho que ninguém está gostando, mas fazer vai ter que fazer”, resume. Para ele, a prorrogação ajuda, mas não elimina a necessidade de adaptação definitiva.

Conforme Liane Brackmann, muitos agricultores manifestam a intenção de abandonar a produção por não conseguirem se adaptar à nota eletrônica. Ela ressalta que a manutenção da atividade rural garante diversos benefícios, como desconto na conta de luz. “Não é interessante desistir da Inscrição Estadual e parar de vender, mesmo para aqueles que já são aposentados. Ninguém precisa se assustar”, reforça.


STR de Teutônia, Westfália e Poço das Antas orienta migração para o aplicativo / Crédito: Thiago Maurique

Talões já impressos

Aos produtores que ainda possuem talões físicos, a orientação é que utilizem o estoque existente até o fim do prazo e planejem a migração de forma gradual. “Quem não tem vendas imediatas não precisa correr agora, para evitar filas e sobrecarga no atendimento. Mas quem já está operando deve avançar no sistema eletrônico”, explica Liane.

Segundo ela, os talões que já foram impressos e estão no estoque das prefeituras também poderão ser usados. “O governo do Estado não imprimirá novos blocos, mas o que está guardado poderá ser utilizado até o fim de abril”, assegura.

Como Funciona

A emissão da Nota Fiscal Eletrônica pelo produtor rural é feita, preferencialmente, por meio do aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), desenvolvido pela Receita Estadual. O sistema é gratuito e funciona exclusivamente em celulares, não sendo compatível com tablets ou computadores. O acesso ocorre por meio do CPF do primeiro titular do talão e da senha do portal gov.br, mecanismo que garante a identificação do produtor e a segurança das informações.

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