Conselho de Trânsito de Teutônia inicia debate sobre estacionamento rotativo

Estudo conduzido por Rui Pires, engenheiro especialista em mobilidade urbana, analisou possíveis modelos, além de impactos econômicos e sociais

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Rua Fernando Ferrari, em frente ao Hospital Ouro Branco, está entre os estacionamentos mais saturados da cidade / Crédito: Thiago Maurique

O Município de Teutônia iniciou debate sobre a organização do estacionamento em vias públicas. O tema, que há anos gera discussões pontuais, foi aprofundado a partir de um estudo técnico-científico desenvolvido pelo engenheiro de tráfego Rui Voldinei Pires, com acompanhamento direto da Administração Municipal e do Conselho Municipal de Trânsito.

O estudo foi apresentado oficialmente na manhã de quinta-feira (15/1), em reunião do Conselho, no auditório 2 da CIC Teutônia. O trabalho parte do diagnóstico do crescimento contínuo da frota de veículos, problema que se intensificou nos últimos anos aliado à limitação física das vias urbanas. Como consequência, as áreas centrais da cidade recebem elevada demanda por vagas, cenário que provoca maior tempo de busca por estacionamento, circulação desnecessária de veículos, congestionamentos pontuais e dificuldades de acesso ao comércio e aos serviços.

De acordo com dados da estimativa do Censo de 2025, Teutônia possui 34.023 moradores e cerca de 29 mil veículos – quase um por habitante. O número não inclui veículos de pessoas que moram em municípios vizinhos e trabalham na cidade.

De acordo com o subsecretário de Planejamento, Mobilidade Urbana e Segurança Pública, Marco Antônio Franck, a contratação do estudo surgiu da necessidade de uma posição técnica mais consistente por parte do Executivo. Segundo ele, o problema central é o excesso de veículos, que têm causas e consequências. “Entre as causas estão a dificuldade do transporte coletivo após a pandemia, a geografia do município e as ruas estreitas. Entre as consequências, a falta de vagas, a ausência de rotatividade, o aumento da poluição, das infrações e da acidentalidade”, afirma.

Motivos para o rotativo

Problema
Excesso de veículos

Causas
Dificuldade do transporte coletivo
Geografia
Ruas estreitas

Consequências
Falta de vagas
Ausência de rotatividade
Aumento da poluição
Aumento das infrações
Aumento dos acidentes

Franck lembra que o estudo faz parte de um processo mais amplo de melhoria do trânsito. “Não se trata de uma solução isolada ou imediata, mas de uma fase dentro de um projeto maior de qualificação da mobilidade urbana”, ressalta.

De acordo com Rui Pires, o estacionamento rotativo hoje é uma realidade em vários municípios devido à necessidade de democratização do espaço urbano. “É uma necessidade, para que as pessoas consigam acessar o centro da cidade, onde você tem um maior adensamento comercial e popular”, relata.


Engenheiro de Trânsito Rui Pires apresentou estudo durante reunião do Conselho Municipal de Trânsito / Crédito: Thiago Maurique

Languiru e Canabarro

O levantamento preliminar da oferta de vagas nas áreas de maior concentração de atividades identificou 259 vagas no Bairro Canabarro e 520 vagas no Bairro Languiru. Considerando outras áreas centrais e possibilidades de expansão, o estudo trabalha com uma estimativa total entre 800 e 1.000 vagas passíveis de algum tipo de rotatividade.

Entre os possíveis benefícios apontados pelo estudo estão a melhoria da circulação e a redução do tempo de busca por vagas, com consequências positivas ao comércio devido a ampliação do acesso de consumidores às áreas centrais. A medida também resultaria na diminuição da poluição gerada por veículos em circulação desnecessária.

Rui Pires ainda destaca a possibilidade de destinação dos recursos eventualmente arrecadados com o estacionamento para melhorias na própria mobilidade urbana, como sinalização, segurança viária e qualificação do transporte coletivo. “Teutônia tem distâncias consideráveis entre os bairros. A ideia é pensar o sistema de forma integrada, oferecendo alternativas para que as pessoas possam optar por deixar o carro em casa”, observa o engenheiro.

Modelos analisados

O trabalho técnico analisa diferentes modelos de gestão do estacionamento urbano, amplamente utilizados em municípios brasileiros. Entre eles estão estacionamentos gratuitos, com limitação de tempo de permanência, e pagos, que podem ser geridos tanto pelo poder público quanto concedidos à iniciativa privada.

No caso do estacionamento pago, a pesquisa aponta três possibilidades. Na primeira, mais analógica, a venda ocorre em parquímetros e pdvs físicos. A segunda opção é totalmente digital, com venda por aplicativo. Conforme Rui Pires, a opção mais indicada para Teutônia é um modelo híbrido, que une PDVs físicos e aplicativo para compra digital. “O modelo totalmente digital é mais ágil e tem menos custo, mas exclui pessoas que não têm familiaridade com a tecnologia”, destaca.

Medidas de inclusão social também fazem parte da análise. Entre elas, isenções previstas em lei para idosos e pessoas com deficiência, a possibilidade de vagas de curta permanência e períodos de cortesia, a fim de garantir acesso equitativo ao espaço público.

Decisão coletiva

O engenheiro afirma que a decisão sobre o modelo adotado precisa ser definida coletivamente, com ampla participação dos diferentes setores da sociedade. “Esse não é um processo que acontece da noite para o dia. Estimamos cerca de 9 meses de trabalho, considerando a necessidade de discussão, participação social, estudos complementares e, se for o caso, todo o trâmite legal e licitatório”, explica Rui Pires.

O envolvimento da comunidade é fundamental para ampliar as sugestões e permitir ajustes à realidade local. “Vamos construir a proposta e discutir se o sistema será por concessão a uma empresa privada, gerido pela própria prefeitura ou pelo Consepro”, reforça Pires.

Conforme o engenheiro, mudanças sempre geram resistência, mas a construção participativa permite que a cidade avance com responsabilidade, transparência e foco no interesse público. “Apresentamos ao conselho a proposta de criação de uma comissão para analisar os aspectos econômicos e sociais da implantação do estacionamento rotativo”, relata.

Dados de Teutônia

População estimada em 2025: 34.023

(Fonte: IBGE)

Total de veículos emplacados (Nov/2025): 29.088

(Fonte: Ministério dos Transportes)

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