A Cerealista Markus, de Teutônia, anunciou um novo passo em sua estratégia de diversificação com a implantação de uma fábrica de rações, cujo início de operação está previsto para março. O investimento amplia a atuação da empresa no agronegócio regional e marca os 30 anos de atividades do negócio fundado por Wilson Markus, que se consolidou como referência no recebimento e comercialização de grãos no Vale do Taquari.
Em entrevista ao Grupo Popular, o sócio-administrador, Wilson Guilherme Markus, detalhou a trajetória da empresa ao longo de três décadas e apontou os principais investimentos realizados para acompanhar o aumento da produção agrícola. Entre eles, estão a expansão logística, com frota própria de caminhões, a ampliação da capacidade de armazenagem e, agora, a entrada no segmento de rações.
Grupo Popular – Quando começa a tua trajetória na Cerealista Markus?
Wilson Guilherme Markus – A empresa completa 30 anos neste ano. Eu comecei há 10 anos, em 2016, trabalhando com meu pai. Quando eu entrei, a empresa era menor. Já estava em crescimento, mas contava com cerca de seis caminhões e algo entre nove e 10 funcionários. O recebimento de grãos era limitado, principalmente porque a matriz ficava no centro de Teutônia, em frente ao Sesi, perto da prefeitura. A cidade cresceu ao redor da empresa e não havia mais possibilidade de expansão naquele local.
GP – Como a empresa cresceu nessa última década?
Markus – Em 2018, compramos a área na Rota do Sol e, em 2019, começamos a receber grãos lá. Passamos a ter muito mais espaço e acesso direto pela rodovia, o que facilitou para produtores de Teutônia, Estrela, Lajeado e do interior, sem precisar entrar na cidade. Instalamos um secador de grãos potente, o que trouxe agilidade. As lavouras cresceram, a produtividade aumentou, as máquinas são maiores e mais rápidas, os caminhões, também. Tudo ficou maior, e a empresa precisou acompanhar esse volume.
GP – Os investimentos seguem constantes?
Markus – A partir de 2020 e, principalmente, em 2021, percebemos a necessidade de investir em frota própria. Não adianta receber se não consegue escoar. Hoje a Cerealista Markus possui 27 caminhões usados integralmente para a operação. Recebemos o produtor, fazemos o comércio, pré-limpeza, secagem, armazenamento e já enviamos a soja diretamente para o porto de Rio Grande, com destino à exportação – China, Índia, conforme o mercado. Neste ano, também começamos a investir mais na área digital, modernizando processos e mostrando nossa capacidade de atendimento.
GP – Como foi o início da Cerealista Markus?
Markus – Minha família é toda de Paverama. Meu pai nasceu e viveu lá até quase os 40 anos. Antes, a família trabalhava com casas de varejo, os antigos armazéns. Após o falecimento do meu avô, cada irmão seguiu um caminho. Um tio foi para a área do plantio, outro seguiu no agro, construiu aviários e chegou a ser prefeito de Paverama, o Vanderlei Markus. Meu pai veio para Teutônia quando comprou a Cerealista. Nós fomos morar na própria empresa. Havia um pequeno silo, um secador e, no galpão, um apartamento simples, de cerca de 60 metros quadrados. Foi uma época difícil: muita poeira, trabalho pesado e pouco retorno financeiro. Ele começou praticamente sozinho, comprou a empresa já com dívidas e trabalhou dia e noite. Era o próprio operador da secagem, muitas vezes virava a noite secando grãos para liberar espaço pela manhã. Era ele, mais um funcionário e a família morando em cima.
GP – O que você fazia antes de ingressar na empresa?
Markus – Fui do basquete. Estudei em dois colégios e joguei pelo Bira. Fui campeão estadual adulto e vice-campeão em categorias de base. Consegui uma bolsa nos Estados Unidos e joguei 2 anos no basquete universitário. Chegou um momento em que percebi que, apesar de gostar muito do esporte, seguir profissionalmente não era viável. Voltei e pensei que aqui eu tinha uma oportunidade que poucos teriam: entrar numa empresa com 20 anos de história.
GP – O que essa mudança representou para você?
Markus – No início foi difícil. Trabalhar entre gerações não é simples. Brigávamos bastante. Passei cerca de 4 anos sem poder opinar, e reconheço que muitas ideias ainda não eram maduras. Teve um período em que saí da empresa por cerca de 8 meses, após uma briga mais séria. Depois, meu pai me chamou de volta, pois percebeu meu amadurecimento. Desde então, nunca mais brigamos. A passagem de bastão está acontecendo de forma gradual.
GP – Qual a avaliação da safra de milho, cujo volume bateu recordes?
Markus – Este ano devemos bater o recorde de recebimento de milho. Ano passado já foi histórico e acredito que agora vamos superar. Nosso foco sempre foi estar ao lado do produtor. Me surpreendeu ver outras empresas parando de receber, algo inédito, devido ao volume produzido. No ano passado, fizemos uma ampliação com a instalação de dois novos silos, o que foi fundamental para continuarmos recebendo. Historicamente, nossa região tem um dos melhores preços do estado, muito em função do consumo elevado. A umidade do milho é um fator crítico para o recebimento, devido ao processo de secagem. Na Cerealista Markus, não recebemos acima de 23% de umidade.
GP – Quais são os próximos investimentos da empresa?
Markus – Estamos para iniciar, no próximo mês, a nossa fábrica de rações. A entrega final está prevista para março. Hoje, vendemos grãos, casca e farelos de milho, soja, trigo e arroz. Vendemos todos os subprodutos, menos a ração, e tem uma demanda muito grande dos nossos clientes. Inicialmente, será ração farelada para gado de corte, vaca de leite, frangos de corte e postura, além de suínos. A unidade será instalada na matriz, em Teutônia, e o recebimento dos grãos na unidade de Linha Geraldo.


