Canabarrense busca tetra inédito no amador de Teutônia

Com campeões regionais, Tricolor passou por mudanças e reformulou elenco

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Canabarrense é o atual tricampeão - Crédito: Luis Augusto Huppes

O futebol tem alguns times que constroem hegemonias ao longo das disputas. Podemos ver isso no Campeonato Intermunicipal Sicredi Certel. O Canabarrense entra em 2026 com um peso histórico e, ao mesmo tempo, motivador: tricampeão consecutivo, o Tricolor de Canabarro inicia mais uma caminhada com a possibilidade inédita de conquistar o primeiro tetra seguido da história do futebol amador do município.

Quem vive o clube no dia a dia assume a responsabilidade com naturalidade. Paulo Flesch passou a comandar os Titulares neste ano e reforça que o desafio é para todo o grupo. “A obrigação é compartilhada, não fazemos nada sozinhos. Uma cabeça pode pensar, mas duas agem melhor. É assim que o Canabarrense trabalha e vai continuar”, afirma. Ao seu lado, José Sérgio Jilkin segue como uma das principais lideranças, especialmente no trabalho com os Aspirantes.

A montagem do elenco para 2026 começou cedo, ainda durante o andamento do Regional Certel Sicredi da Aslivata de 2025. A estratégia continua a mesma das temporadas recentes: antes de procurar atletas, o Canabarrense busca pessoas. “Trazemos quem se encaixa dentro do que o clube pensa e que represente a comunidade. Futebol amador não é só jogar bola”, destaca Paulo.

Essa filosofia explica a manutenção de uma base sólida, com poucas mudanças e reforços pontuais.

Mesmo com a saída de Vanderlei Weiand “Peixe” do comando técnico dos Titulares, a transição acontece de forma natural. Peixe permanece na diretoria e segue presente no cotidiano do clube. “O trabalho é o mesmo. Já fazíamos as coisas juntos. Agora só mudou a função, mas ele continua com a gente”, reforça Flesch, que já era presença constante no vestiário e nas decisões.

No segundo quadro, o Canabarrense mantém viva uma de suas marcas mais fortes: a valorização da juventude. Sérgio explica que a equipe foi praticamente reestruturada, com um grupo ainda mais jovem.

“Com autorização dos pais, inscrevemos garotos de 14 anos. A ideia é criar casca e dar vivência. Claro que há peças mais experientes, mas o time é muito jovem e vai surpreender”, projeta. A baixa média de idade reforça o papel formador do clube, que historicamente revela atletas e mantém vínculos com as raízes de Canabarro.

Essa identidade vem desde o primeiro título intermunicipal, conquistado majoritariamente com jogadores da casa. “No primeiro campeonato, praticamente todos eram de Canabarro. A base seguiu nos outros anos. Muitos saíram, se destacaram em outros clubes, e isso também é motivo de orgulho”, pontua Sérgio.

Para ele, o futebol é ferramenta de integração entre comunidades. “Nem todos vão seguir como jogadores, mas estarão lá para ajudar o clube, a copa, o campo. É assim que o futebol se sustenta”, comenta.

A campanha de 2026, no entanto, promete ser uma das mais difíceis dos anos recentes. O investimento das equipes aumentou e o nível técnico tende a subir. O Canabarrense sabe que será alvo a ser batido. “Todos querem ganhar do atual campeão. Temos plena consciência disso”, admite Paulo.

Ainda assim, o clube aposta na continuidade do trabalho e na serenidade à beira do campo, característica marcante da comissão técnica. “Passar tranquilidade ajuda mais do que nervosismo. Jogador ansioso erra mais e fica vulnerável a tentar desempenhar”, resume Sérgio.

Reforços de peso

Dentro de campo, a equipe Titular mantém grande parte da base campeã e agrega reforços pontuais, como atletas vindos do Taquariense, atual campeão regional, além de outros nomes experientes que chegam para qualificar o elenco.

As principais armas estão no ataque. Theylor, Guina e Andrei Macedo vieram de Taquari. Além deles, Gão, ex-Tiradentes e Nikito, que atuou no Gaúcho, agregam muito ao Tricolor. As manutenções de Sartori, Leandro Mauri, Luan Vedoy e Mateusão também acrescentam. Sem falar no experiente Carli Klepker, com rodagem no futebol da região e que está fichado.

A preparação, porém, segue um modelo já conhecido no clube. “Não fazemos muita coisa antes, pois ajustamos durante o campeonato. A preparação mais forte é na semana do jogo”, explica o treinador.

Paixão de Canabarro

Fora das quatro linhas, outro diferencial chama muita atenção conforme a equipe entra em campo. A retomada do Canabarrense trouxe de volta o público às arquibancadas, com direito a banda, faixas, camisetas e presença forte, tanto em casa quanto fora.

“Isso abraça o jogador. Futebol é feito por pessoas, precisamos de nomes em todos os lados”, destaca Sérgio. A organização da torcida evoluiu ao longo de 2025 e se tornou parte da identidade do clube.

A estreia no Intermunicipal 2026 será fora de casa, contra o Flamengo, seguida por um clássico em Canabarro diante do Atlético Gaúcho. Logo adiante, o campeonato reserva a reedição da final contra o Poço das Antas, um lembrete de que o caminho até um possível tetra será repleto de testes.

O Canabarrense entra em campo para reafirmar uma trajetória construída com continuidade, identidade e pertencimento. “Sabemos do peso que carregamos, mas estamos prontos para representar o Canabarrense como sempre fizemos”, garante Paulo. A história está posta: se vier o quarto título consecutivo, será um marco eterno no futebol amador de Teutônia.

Jogadores inscritos
Alexandre C. dos Santos “Xandy”
Alisson da Rosa “Gão”
Anderson Daniel B. Fischer
Andrei Luis Macedo Rosa
Carli Hans Klepker
Cleomar Felipe B. do Amaral
Emanuel Godois Schwengber
Guilherme Augusto H. Debiasi
Guilherme F. da Silva “Guina”
Guilherme Sartori Rodrigues
Guilherme Vogt
Jeferson G. Kalinoski
Jeferson Luis da Silva “Black”
Jeison Pletsch
Leandro Mauri “Pepe”
Luan Vedoy
Lucas Bastian
Luis Fernando B. de Andrade
Mateus S. Schoulten “Mateusão”
Nicolas F. da Silva “Nikito”
Rafael G. Pereira “Negreti”
Theylor Henrique S. Gularte

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