O futebol tem alguns times que constroem hegemonias ao longo das disputas. Podemos ver isso no Campeonato Intermunicipal Sicredi Certel. O Canabarrense entra em 2026 com um peso histórico e, ao mesmo tempo, motivador: tricampeão consecutivo, o Tricolor de Canabarro inicia mais uma caminhada com a possibilidade inédita de conquistar o primeiro tetra seguido da história do futebol amador do município.
Quem vive o clube no dia a dia assume a responsabilidade com naturalidade. Paulo Flesch passou a comandar os Titulares neste ano e reforça que o desafio é para todo o grupo. “A obrigação é compartilhada, não fazemos nada sozinhos. Uma cabeça pode pensar, mas duas agem melhor. É assim que o Canabarrense trabalha e vai continuar”, afirma. Ao seu lado, José Sérgio Jilkin segue como uma das principais lideranças, especialmente no trabalho com os Aspirantes.
A montagem do elenco para 2026 começou cedo, ainda durante o andamento do Regional Certel Sicredi da Aslivata de 2025. A estratégia continua a mesma das temporadas recentes: antes de procurar atletas, o Canabarrense busca pessoas. “Trazemos quem se encaixa dentro do que o clube pensa e que represente a comunidade. Futebol amador não é só jogar bola”, destaca Paulo.
Essa filosofia explica a manutenção de uma base sólida, com poucas mudanças e reforços pontuais.
Mesmo com a saída de Vanderlei Weiand “Peixe” do comando técnico dos Titulares, a transição acontece de forma natural. Peixe permanece na diretoria e segue presente no cotidiano do clube. “O trabalho é o mesmo. Já fazíamos as coisas juntos. Agora só mudou a função, mas ele continua com a gente”, reforça Flesch, que já era presença constante no vestiário e nas decisões.
No segundo quadro, o Canabarrense mantém viva uma de suas marcas mais fortes: a valorização da juventude. Sérgio explica que a equipe foi praticamente reestruturada, com um grupo ainda mais jovem.
“Com autorização dos pais, inscrevemos garotos de 14 anos. A ideia é criar casca e dar vivência. Claro que há peças mais experientes, mas o time é muito jovem e vai surpreender”, projeta. A baixa média de idade reforça o papel formador do clube, que historicamente revela atletas e mantém vínculos com as raízes de Canabarro.
Essa identidade vem desde o primeiro título intermunicipal, conquistado majoritariamente com jogadores da casa. “No primeiro campeonato, praticamente todos eram de Canabarro. A base seguiu nos outros anos. Muitos saíram, se destacaram em outros clubes, e isso também é motivo de orgulho”, pontua Sérgio.
Para ele, o futebol é ferramenta de integração entre comunidades. “Nem todos vão seguir como jogadores, mas estarão lá para ajudar o clube, a copa, o campo. É assim que o futebol se sustenta”, comenta.
A campanha de 2026, no entanto, promete ser uma das mais difíceis dos anos recentes. O investimento das equipes aumentou e o nível técnico tende a subir. O Canabarrense sabe que será alvo a ser batido. “Todos querem ganhar do atual campeão. Temos plena consciência disso”, admite Paulo.
Ainda assim, o clube aposta na continuidade do trabalho e na serenidade à beira do campo, característica marcante da comissão técnica. “Passar tranquilidade ajuda mais do que nervosismo. Jogador ansioso erra mais e fica vulnerável a tentar desempenhar”, resume Sérgio.
Reforços de peso
Dentro de campo, a equipe Titular mantém grande parte da base campeã e agrega reforços pontuais, como atletas vindos do Taquariense, atual campeão regional, além de outros nomes experientes que chegam para qualificar o elenco.
As principais armas estão no ataque. Theylor, Guina e Andrei Macedo vieram de Taquari. Além deles, Gão, ex-Tiradentes e Nikito, que atuou no Gaúcho, agregam muito ao Tricolor. As manutenções de Sartori, Leandro Mauri, Luan Vedoy e Mateusão também acrescentam. Sem falar no experiente Carli Klepker, com rodagem no futebol da região e que está fichado.
A preparação, porém, segue um modelo já conhecido no clube. “Não fazemos muita coisa antes, pois ajustamos durante o campeonato. A preparação mais forte é na semana do jogo”, explica o treinador.
Paixão de Canabarro
Fora das quatro linhas, outro diferencial chama muita atenção conforme a equipe entra em campo. A retomada do Canabarrense trouxe de volta o público às arquibancadas, com direito a banda, faixas, camisetas e presença forte, tanto em casa quanto fora.
“Isso abraça o jogador. Futebol é feito por pessoas, precisamos de nomes em todos os lados”, destaca Sérgio. A organização da torcida evoluiu ao longo de 2025 e se tornou parte da identidade do clube.
A estreia no Intermunicipal 2026 será fora de casa, contra o Flamengo, seguida por um clássico em Canabarro diante do Atlético Gaúcho. Logo adiante, o campeonato reserva a reedição da final contra o Poço das Antas, um lembrete de que o caminho até um possível tetra será repleto de testes.
O Canabarrense entra em campo para reafirmar uma trajetória construída com continuidade, identidade e pertencimento. “Sabemos do peso que carregamos, mas estamos prontos para representar o Canabarrense como sempre fizemos”, garante Paulo. A história está posta: se vier o quarto título consecutivo, será um marco eterno no futebol amador de Teutônia.
| Jogadores inscritos |
| Alexandre C. dos Santos “Xandy” |
| Alisson da Rosa “Gão” |
| Anderson Daniel B. Fischer |
| Andrei Luis Macedo Rosa |
| Carli Hans Klepker |
| Cleomar Felipe B. do Amaral |
| Emanuel Godois Schwengber |
| Guilherme Augusto H. Debiasi |
| Guilherme F. da Silva “Guina” |
| Guilherme Sartori Rodrigues |
| Guilherme Vogt |
| Jeferson G. Kalinoski |
| Jeferson Luis da Silva “Black” |
| Jeison Pletsch |
| Leandro Mauri “Pepe” |
| Luan Vedoy |
| Lucas Bastian |
| Luis Fernando B. de Andrade |
| Mateus S. Schoulten “Mateusão” |
| Nicolas F. da Silva “Nikito” |
| Rafael G. Pereira “Negreti” |
| Theylor Henrique S. Gularte |


