Treze jovens alemães e outros 13 dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho participam de um intercâmbio promovido pelas Igrejas Evangélicas Luteranas do Brasil (IECLB) e da Saxônia, com foco em justiça socioambiental. A programação ocorreu ao longo de 10 dias no Rio Grande do Sul e incluiu atividades culturais, visitas a projetos sociais e momentos de reflexão.
Na quarta e quinta-feira (11 e 12/2), o grupo esteve no Vale do Taquari, onde conheceu iniciativas como a Horta Comunitária, em Teutônia, e a região ribeirinha de Estrela, afetada pelas enchentes recentes.
Com idades entre 15 e 24 anos, os estudantes viveram uma experiência de imersão cultural e social que buscou ampliar horizontes e fortalecer laços entre Brasil e Alemanha. A proposta central do intercâmbio foi promover o diálogo sobre justiça socioambiental.
A Horta Comunitária é uma iniciativa surgida durante a pandemia em resposta à urgência alimentar. O projeto chamou a atenção dos intercambistas pela diversidade de plantas e pelo caráter social da proposta.
A estudante brasileira Hanna Tetzner acompanhou os alemães pela visitação no Rio Grande do Sul. Em Estrela, antes de entrar nas embarcações que percorreriam o Rio Taquari, refletiu sobre as mudanças ocorridas no cenário. “É muito legal estar aqui, poder acompanhar eles, que ficam impressionados com tudo, com as flores. E é bem legal também poder revisitar Estrela, foi o lugar em que eu cresci, então gostei de falar para deles daqui, de como tudo mudou com a enchente”, disse.

Estudantes passearam de barco e relacionaram as imagens da catástrofe, que acompanharam pela imprensa na Europa / Crédito: Anderson Lopes
Em inglês, Hanna contou aos estudantes como era a paisagem, mostrou que do outro lado do Rio Taquari havia um bairro que desapareceu: “Essa experiência me anima muito, assim como eles também estão animados.”
Para o diácono Jonata de Oliveira, os jovens aprendem muito juntos e, assim, terão uma visão de mundo ampliada. “Quebram barreiras, preconceitos, podem aprender com os brasileiros e brasileiras, com os alemães e alemãs. O grupo veio esperando muito por esse momento, estavam muito ansiosos”, afirmou.
Segundo ele, essa chance de ‘ouro’ de visitar outro país e um projeto como o da Horta Comunitária faz toda a diferença. “É algo inovador e muito próprio do nosso cenário. Para eles foi um aprendizado muito especial”, relatou Oliveira.
O economista e auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado, Anderson Kilpp, foi quem guiou os jovens pela Horta. Para ele, a curiosidade dos estudantes é um ponto importante. “Eles se atraíram muito pelo nosso projeto. É muito interessante essa questão cultural, alguns dos jovens conheceram aqui algumas frutas nativas nossas. Se interessaram pela colheita da mandioca, pelo plantio de abacaxi”, afirmou.
Segundo Kilpp, com o intercâmbio, eles podem incentivar outras turmas, outros movimentos de troca entre os povos. “Temos muito a aprender, mas também, muito a mostrar. Fizemos coisas que, para eles, às vezes são pouco imagináveis, enfrentamos dificuldades que para eles não são dificuldades. Então essa troca é muito legal”, relatou ele.

Natan de Oliveira Schumann coordena parte do movimento de jovens luteranos e acompanha o êxito do intercâmbio. “Foi uma experiência bastante interessante com eles, que se dispuseram a passar 10 dias juntos e conhecer um pouco mais sobre a cultura, os projetos, as vivências, principalmente vinculadas à igreja luterana aqui no estado. No ano que vem, os brasileiros irão para a Alemanha, na região da Saxônia”, divulgou.
Conforme Schumann, o maior interesse é com a cultura brasileira, principalmente na Horta Comunitária, quando se falou muito sobre os formatos de plantio, de cultivo e de atividade social. “Eles se aproximaram com as mentes muito abertas, com curiosidade para aprender. Tentam aprender a língua um do outro, palavras, músicas, como a nossa igreja, cidades e projetos funcionam”, relatou o coordenador.
A estudante alemã Eldoy Schwarz participa de uma expedição de pesquisa juvenil na Alemanha, organizada pela associação chamada “Förderverein Natura Miriquidica”. Ela exaltou o projeto da Horta. “Gostei muito daqui, tem muitas plantas que eu nunca vi antes, como o próprio abacaxi, que eu gosto muito de comer, mas não sabia como era a planta. É muito bom que este projeto exista, pois pessoas com dificuldades alimentares tiveram outra chance de recomeçar neste espaço. No meu país tem um projeto social semelhante, onde também fazem uma reflexão bíblica. Estou muito orgulhosa de poder estar aqui quando muitos não têm esta chance”, disse.

O intercambista Timo Decker preparava-se para seguir com a segunda turma no passeio de barco em Estrela quando se deparou com as barricadas formadas pela grande cheia. Ele afirma que assistiu na Europa a catástrofe que assolou a região e, embora perceba hoje o rio como ‘normal’, pois não o conheceu antes, o que viu pelas imagens na internet impressiona. “Não dá para imaginar que havia 35 metros de água acima de onde estamos agora. É realmente incrível”, disse.


