Guá Móveis aposta em modelo digital para móveis planejados

Diretor da empresa, Diego Gärtner detalha trajetória empresarial e a estratégia com foco no custo-benefício e agilidade

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Diego Gartner / Crédito: Thiago Maurique

Empresa com sede em Teutônia, a Guá Móveis aposta em um modelo de negócio voltado à padronização de projetos e ao uso intensivo de ferramentas digitais para redefinir a forma de comercialização de móveis sob medida. A proposta busca reduzir prazos, ampliar o acesso do consumidor e oferecer soluções com foco em funcionalidade e custo-benefício.

Em entrevista ao programa Inteligência Empresarial, da Rádio Popular, o diretor Diego Ezequiel Gärtner detalhou a trajetória que levou à criação da marca a partir da Usina Móveis, a separação entre indústria e atendimento ao cliente final e as estratégias adotadas para estruturar a operação. Ele também analisou os desafios do setor moveleiro regional, a relação com fornecedores e as perspectivas de crescimento da empresa.

Grupo Popular – Quem era o Diego antes da Guá Móveis?

Gärtner – Sou formado em Educação Física e, lá em 2013, fui empreender no ramo de móveis sob medida. Criamos então a Usina Móveis, que completa 15 anos. Analisando que tudo caminha mais para o lado da internet e da comunicação on-line, resolvemos, em fevereiro do ano passado, criar a empresa Guá Móveis, totalmente voltada para o on-line e para o digital, para oferecer ao cliente mais velocidade e custo-benefício na solução do seu móvel sob medida.

GP – Por que a ideia de criar um segundo negócio?

Gärtner – A Usina Móveis começou com uma pequena marcenaria dedicada estritamente a arquitetos. Identifiquei que esse processo se tornava muito moroso, em detrimento de uma indústria na qual eu já havia investido em maquinário. A Usina já tinha 14 anos de mercado dentro de um conceito, então criamos uma segunda marca. A Usina migrou para se tornar uma indústria e hoje não atende mais o cliente final. A Guá foi uma alternativa para potencializarmos colaboradores que seriam desligados se não fizéssemos essa migração.

GP – Como foi a criação desse conceito?

Gärtner – Algo que sempre me chamou muita atenção foi a distância entre o cliente e o arquiteto. Minha esposa é arquiteta e eu comentava com ela sobre isso. A estrutura foi inspirada em uma empresa do Rio de Janeiro que entrega em 12 dias e trabalha com uma galeria fechada. Limitamos o catálogo de cores: a Usina trabalhava com cerca de 300 cores e hoje a Guá trabalha com 30. A Guá Móveis vem para solucionar móveis com foco em custo-benefício e velocidade na execução.

GP – Qual foi a recepção dos clientes a esse novo negócio?

Gärtner – Em menos de 1 ano já fizemos uma ampliação do showroom para trazer mais opções de composição de ambiente. Investir em móvel sob medida só se torna caro quando não atende à necessidade do dia a dia. A gente busca entregar funcionalidade. Tivemos um casal que chegou com um orçamento de R$ 135 mil de um projeto pronto; colocamos na nossa galeria e, por meio de perguntas, o orçamento final ficou em R$ 80 mil.

GP – O que leva uma empresa do segmento a alcançar o sucesso?

Gärtner – Eu também trabalho com mentoria empresarial. Saber fazer o produto é apenas uma pequena parte do que compõe o empreendedorismo. No início, muitos são franco-atiradores e não respeitam a legislação. Quando crescem, percebem que precisam estruturar equipe e carga tributária. O primeiro passo para quem quer empreender é estudar gestão de pessoas. O que mais se percebe é a busca pelo “pulo do gato”. Mas, quando o despertador toca, é sobre o que você dá conta de fazer, não sobre o que você sabe. Empreender é se reinventar mensalmente e anualmente.

GP – Ainda existe conflito entre design e utilidade?

Gärtner – Esse é um dos grandes motivos de termos um showroom. Existem coisas bonitas, mas que não são práticas. Minha esposa, como arquiteta, às vezes abre mão da funcionalidade em favor da estética. Vejo projetos que eu não faria para mim, mas, quando vejo o brilho no olho do cliente, minha opinião é o que menos importa.

GP – Qual a política de trabalho com os fornecedores?

Gärtner – Procuro trabalhar com material de qualidade e máquinas de um mesmo fornecedor, porque o mais importante é saber onde ele vai estar quando a máquina parar. Tenho uma rede de apoio: um coach que cuida da minha saúde mental, um contador que analisa custos e fornecedores que hoje são amigos. Não existe milagre. Eu foco no meu planejamento e me desconecto de noticiários. Concorrência sempre vai existir e eleva o nível do segmento; ela só se torna prejudicial quando é desleal.

GP – Qual é a tua visão de futuro para a Guá Móveis?

Gärtner – O futuro é bastante promissor, com vários projetos incubados. O que enxergo é que cada cliente quer se sentir único. Nosso modelo de negócio é ser um facilitador para que as pessoas se potencializem.

Assista à entrevista

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