Roberto Lucchese se filia ao MDB para concorrer a deputado estadual

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Roberto Lucchese / Crédito: Ariana de Oliveira

Novo na política, o empresário lajeadense Roberto Lucchese se filiará ao MDB em convenção nesta quinta-feira (26/2) em Lajeado, com a presença do vice-governador e pré-candidato ao Piratini, Gabriel Souza. Sócio da empresa Lyall Construtora, ele ganhou visibilidade após coordenar a reconstrução em tempo recorde de parte da Ponte de Ferro, monumento histórico destruído pela enchente de maio de 2024.

Grupo Popular – O que o motiva a buscar um cargo político e como sua experiência no setor privado pode agregar ao Vale?

Roberto Lucchese – A minha motivação principal é a necessidade de representatividade. O Vale do Taquari é muito forte individualmente – cada município olha para si e se reconstrói com uma força tremenda, como vimos após as catástrofes recentes. No entanto, falta conexão. Como empresário, vejo que a “árvore” está forte, mas a “floresta” está desconectada. Meu papel é usar essa visão de gestão para unir essas forças individuais em torno de metas coletivas, garantindo que a nossa região tenha voz ativa nas decisões do Estado.

GP – Você mencionou que o Vale do Taquari está “fora da festa” no cenário estadual. O que isso significa na prática?

Lucchese – Significa que hoje não estamos na mesa para decidir o que é importante para nós. É como se houvesse uma festa de aniversário e o Vale do Taquari não fosse convidado; comemos apenas o que sobra, se algum deputado de fora, que tem amizade com um prefeito, trouxer uma ajuda. Esses deputados são importantes, mas eles não vivem a nossa realidade, não tomam café na nossa padaria. Precisamos de alguém daqui, que entenda a nossa dor e tenha a legitimidade do voto para brigar pelas nossas pautas.

GP – Quais são as suas prioridades para o desenvolvimento regional?

Lucchese – A logística é fundamental. A pauta número um é a duplicação da estrada de Venâncio Aires a Encantado. É por ali que passa a nossa produção de proteína animal e o setor cooperativista, que é a nossa alma. Além disso, a saúde é crítica. Precisamos discutir por que hospitais como o de Teutônia ainda não são referência com UTI, obrigando pacientes graves a se deslocarem para outras cidades. O foco não é apenas a minha vontade, mas construir essas prioridades coletivamente com as lideranças locais.

GP – Sua atuação na reconstrução da Ponte de Ferro ganhou destaque. Qual foi o impacto pessoal e político dessa ação?

Lucchese – A Ponte de Ferro não foi apenas sobre logística; foi sobre vida e esperança. Quando vi que a passadeira que conectava as regiões tinha estourado e pais não conseguiam buscar seus filhos na escola, senti que precisávamos agir. Como quem sabe construir não construiria naquele momento? Paramos as obras da nossa empresa e colocamos nossos 300 melhores funcionários para trabalhar 24 horas por dia. A grande mensagem ali foi mostrar a força do nosso povo: não importa a tragédia, nós vamos resolver.

GP – Por que a escolha pelo MDB para a sua entrada na política? Como lida com as divisões internas e outras candidaturas no Vale?

Lucchese – Escolhi o MDB pela liberdade de pauta. Senti que teria autonomia para defender as bandeiras em que acredito, sem muros invisíveis com outros partidos, pois o objetivo é agregar ao Vale como um todo. Sobre outras lideranças, como o prefeito de Muçum, vejo como positivo. Precisamos descobrir como somar forças para eleger um deputado da região, independentemente de nomes.

GP – A região costuma pulverizar votos em candidatos de fora. Como convencer o eleitor de que, desta vez, um candidato local é viável?

Lucchese – O segredo está na viabilidade eleitoral. As pessoas querem votar em quem tem chance real de ganhar. Realizamos pesquisas que mostram que 92% dos eleitores do Vale mudariam seu voto se sentissem que um candidato da região tem capacidade real de ser eleito. O Vale não elege não por falta de vontade do povo, mas porque muitas vezes não oferecemos candidaturas com viabilidade real. Precisamos unir as 40 cidades em torno dessa energia para que a região volte a ser protagonista.

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