“A meta é manter o clube ativo, mobilizar o Bairro Alesgut e ter identidade no campo”

Ouro Verde traz suas raízes para o Intermunicipal.

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Ouro Verde quer se afirmar em 2026 - Crédito: Camille Lenz da Silva

A Associação Esportiva e Recreativa Ouro Verde, do Bairro Alesgut, trabalhou muito nos bastidores para garantir presença no Intermunicipal Certel Sicredi 2026. O planejamento mistura paixão pelo clube, cautela nas finanças e aposta na identificação com a comunidade. À frente do projeto, Júlio Abel Danzer assume dupla função como dirigente e treinador.

A decisão de liderar o futebol do clube partiu de uma reflexão pessoal. Segundo ele, depois de anos em outras equipes, entendeu que era hora de dedicar energia ao próprio bairro (Alesgut). “Achava injusto fazer tanto pelo futebol em outros clubes e não pelo Ouro Verde”, afirma. A ideia, agora, é dar continuidade ao trabalho e evitar iniciativas pontuais que não se sustentem no médio prazo.

Danzer lembra experiências anteriores para justificar a postura mais conservadora em 2026. Ele cita temporadas nas quais campanhas vitoriosas deixaram dívidas, assim como primeiras fases de competições regionais que, em geral, não se pagam sem bons resultados ou apoiadores fortes. “É preciso ter coerência e análise econômica. Não adianta dar um passo maior do que a perna e, depois, se ‘quebrar’”, resume.

O dirigente também faz uma leitura do cenário atual do futebol amador, no qual há equipes dispostas a investir cifras elevadas por jogo. Para ele, a valorização do atleta é legítima, mas é preciso responsabilidade, acima de tudo. “O jogador merece ganhar bem se alguém paga. A questão é o clube saber até onde pode ir. Cada um tem de entender sua realidade”, pontua.

Critério de escolhas

Na formação do plantel, Danzer adota uma linha definida em relação aos custos: todos recebem, ainda que dentro da realidade financeira do clube. “Acho injusto jogar e não receber nada. Não importa o valor, o elenco por inteiro ganha alguma coisa”, garante. Ele admite já ter perdido atletas por não conseguir cobrir propostas mais altas, mas mantém o discurso de transparência nas negociações.

O Ouro Verde tem nomes importantes no plantel. Segundo Danzer, a opção por acumular as funções de dirigente e treinador passa pela coerência na montagem do elenco. “Se contrato um jogador por determinada característica, preciso ter liberdade para escalá-lo na função combinada. Há um acordo entre comissão e plantel, tudo já esclarecido anteriormente”, argumenta.

Outro ponto considerado estratégico é o aproveitamento da base. Cinco atletas campeões dos Aspirantes pelo Canabarrense reforçam o grupo, dentro de uma lógica de renovação e valorização de jovens. A criação e manutenção de categorias com limite de idade, na visão de Júlio, ajudam a “ativar o gosto pelo futebol” e abastecer o time principal em um futuro não tão distante.

Engajamento e campeonato

Além do campo, o Ouro Verde aposta na organização. O dirigente faz questão de destacar o apoio de voluntários e parceiros que mantêm a estrutura do estádio em condições adequadas. Ele reconhece que, sem essa rede, o projeto jamais sairia do papel.

Assim, a comunidade é importantíssima para a sequência de uma vida sustentável para o Ouro Verde, tanto dentro quanto fora de campo. Garantir nomes para atuar nos bastidores faz toda a diferença. “Sozinho não vou conseguir. Preciso de 15 a 20 pessoas, que vão do ingresso ao maqueiro”, enfatiza.

Para ele, o futebol amador é construído em detalhes: da carne preparada após os jogos à reposição de uma bola perdida. “Às vezes, achamos tudo muito simples, mas há custo. Para comprar uma bola, precisa vender muita cerveja e garantir orçamento”, exemplifica Danzer.

Júlio recorda que, nos anos de 2017 e 2018, quando foi campeão com o Atlético Gaúcho, o custo para manter o time era de apenas R$ 750 por jogo. Segundo ele, esse valor era possível “porque os atletas se identificavam com a comunidade e o clube”.

Jogadores como Índio, Kiki e Mário são exemplos de atletas que queriam fazer as coisas acontecerem pelo vínculo com a entidade. Outro fator determinante era o apoio da comunidade, que “abraçava” o clube e facilitava a gestão, mesmo com investimentos reduzidos. “Buscamos resgatar isso neste ano. A temporada passada serviu como retomada e essa, para afirmação”, projeta.

Com discurso direto e foco na sustentabilidade, o Ouro Verde busca equilíbrio entre competitividade e responsabilidade. “A meta é manter o clube ativo, mobilizar o Bairro Alesgut e disputar o Intermunicipal com identidade dentro e fora das quatro linhas”, acrescenta ele.

Lista de inscritos:
Alex Baumgaertner
Altair F. Prestes
Caio Avila P. da Rocha
Carlos Dionizio da Silva
Cassiano N. da Silva
Douglas R. Allebrandt
Fabrício Dutra
Felipe Lagemann
Gean C. Scheer
Gustavo G. da Rosa
Gustavo R. Hauschild
Henrique Petrini
Lucas M. Schimitz
Luiz H. de Freitas
Márcio R. da Silva
Mario de Lima
Michel Korner
Rafael Senna
Rodrigo Sirena
Samuel F. Senna “Muca”
Ueslen Toledo “Bigode”
Vanderlei J. Pech
Vinicius de Freitas
Wagner Amaral “Vaguinho”
Yago Wächter
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